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segunda-feira, 27 de abril de 2015
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
e quando chegou domingo...
...acabei votando na dilma mesmo. um votinho mixuruca, envergonhado. nem olhei pra tela da urna eletrônica.
lembrei das centenas de milhões de reais que a máquina eleitoral da dilma gastou (e que ganhou de grandes empresas), lembrei dos marqueteiros profissionais que tornam a campanha uma grande enganação, dos grandes caciques da política que a apoiam, da falta de diálogo com a sociedade civil e movimentos sociais, lembrei das patinadas da economia e das promessas de campanha não cumpridas e tive que fazer um esforço tremendo pra me convencer da tese do "voto crítico", de que, apesar de tudo há o que se preservar.
é que psdb não dá pra engolir, mesmo. quer dizer, continuo achando que no essencial ambos, entre defeitos e virtudes são mais ou menos parecidos (numa ânsia de captar o numeroso eleitorado do centro). mas conta tambem quem acabou se unindo do "lado de lá". o que esperar de um candidato que é apoiado por silas malafaia e bolsonaros (pai e filhos)? o queridinho dos mercados ("ganhamos com a dilma, mas preferimos ganhar com o aécio"), do agronegócio, dos milicos, da bancada religiosa... enfim, a lista é grande. fora que, o próprio eleitorado tucano mais "combativo" é formado em grande parte por pessoas intolerantes e elitistas, que de maneira pouco disfarçada usam seu preconceito como plataforma política e seu ódio ao populacho como princípio moralizador do governo. por fim, se um candidato é defendido com unhas e dentes pela veja é sinal de que NÃO devo votar nele.
dito isso, segue o barco, mais ou menos na mesma toada. o pt ganhou uma chance de ouro por muito pouco e terá que ter habilidade para aproveitá-la (até porque a oposição saiu fortalecida). apesar de me manter desconfiadamente na oposição, espero que o segundo mandato da dilma ganhe impulso. que consiga se dinamizar e dialogar com as diversas forças da sociedade, que viabilize as tão necessárias reformas institucionais e, se não for pedir demais que dê um salto de qualidade nos serviços públicos (saúde e educação, principalmente). sei que vai ser complicado, mas menos que isso não dá pra esperar.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
400 vezes eu mesmo
por 400 vezes eu, em pequenos gestos de pretensão, rompi meus entraves e meu rigor pessoal e cliquei em "publicar", após tergiversar longamente sobre qualquer assunto ou sobre assunto nenhum. uma espécie de "egotrip" que se tornou, para mim, o ato de escrever neste, assim chamado "carbono e amoníaco" (obrigado augusto!).
ainda que para um "público" virtualmente inexistente, o fato é que é sempre um tanto quanto difícil se "publicar", dizer "é isso aí o que eu tenho a oferecer". formatar, com início, meio e fim, toda uma necessidade de se expressar e aceitar as limitações inerentes ao processo (e inerente às palavras). expor o que se pensa (na verdade uma das versões, de muitas possíveis), ainda que perceptivelmente confuso, imaturo, sem talento.
ainda que para um "público" virtualmente inexistente, o fato é que é sempre um tanto quanto difícil se "publicar", dizer "é isso aí o que eu tenho a oferecer". formatar, com início, meio e fim, toda uma necessidade de se expressar e aceitar as limitações inerentes ao processo (e inerente às palavras). expor o que se pensa (na verdade uma das versões, de muitas possíveis), ainda que perceptivelmente confuso, imaturo, sem talento.
ato corajoso eu arriscaria dizer, já que é muito mais difícil lutar por causas que já se sabe perdidas (e despropositadas) desde o início e sei que, no meu, caso aquilo que escrevo é causa perdida. não pense, porém, que dramatizo à toa. também não é questão de auto-indulgência. acontece que adoro escrever sobre tudo quanto é possível (sobre 400 coisas diferentes!), ainda que tenha consciência da pequenez do meu ato e não desejaria que fosse diferente. gosto dessa escrita pequena, imperfeita, quase invisível, mas que de alguma forma reconheço como minha e ponho no mundo. crio novos limites, novas configurações para mim mesmo. ocupo o meu espaço, ainda que riduculamente (como não poderia deixar de ser...) com gostos, manias, desejos, opiniões, insatisfações...
pode parecer besteira (e é!), mas chegar ao número de 400 postagens neste espaço, ao longo de quase 7 anos tem lá sua relevância. conta-se uma história, acompanha-se uma trajetória banal, mas verdadeira. é o que eu tenho a oferecer, está tudo aí.
como mudamos em 400 notas! como continuamos tão iguais...
como mudamos em 400 notas! como continuamos tão iguais...
terça-feira, 29 de julho de 2014
legal mesmo era no tempo da videolocadora...
sim, este é um texto saudosista, daqueles que, de maneira absurda e pouco convincente, acabam celebrando hábitos passados que, se comparados com o que temos atualmente, mostram-se dificeis e rudimentares.
hoje em dia temos um acesso super facilitado a quase todo tipo de filme. com alguns cliques e um pouco de boa vontade pode-se acessar, legalmente ou não, de lançamentos a clássicos perdidos, de blockbusters hollywoodianos a obscuras produções independentes. o intercâmbio de obras cinematográficas não conhece mais praticamente nenhum obstáculo. milhares de títulos de todas as épocas e todas os países a disposição de qualquer um. isso pode soar como um sonho para toda pessoa que gosta de cinema, inclusive eu, mas não consigo deixar de pensar no quanto as coisas acabam se tornando banais e menos interessantes e confesso que já me peguei sentindo falta de como era assistir filmes em casa há umas duas décadas atrás.
para quem não sabe, nos anos 90 as videolocadoras eram muito populares (me imagino explicando isso para os meus filhos...). tinha praticamente uma em cada esquina. eu era criança nesse tempo e me lembro o barato do ritual de ir com minha família até a que tinha perto de casa e andar demoradamente por aquelas prateleiras repletas de opções. pequenas caixas de plástico das quais eu raramente tinha mais conhecimento do que vinha escrito na capa e no verso. era praticamente contar com a sorte levar uma daquelas fitas, já que capas bonitas e filmes com nomes interessantes poderiam trazer verdadeiras bombas. enfim, o fato é que, de maneira bizarra eu (e minhas irmãs também) alugávamos muitas vezes os mesmos filmes. e não adiantava minha mãe querer argumentar "mas filho, esse já passa direto na televisão" ou "esse você já cansou de assistir". acho que pra criança tão ou mais legal do que a novidade seja ver e rever tanto quanto possível as mesmas histórias.
tinha também aquele recorrente sentimento de decepção quando o filme que você queria muito alugar (pela décima vez ou não) já havia sido levado por outra pessoa. ou ainda meu esforço de convencimento para que minhas irmãs alugassem algo que do meu interesse, já que o combinado era um filme para cada um.
chegar em casa, colocar o vhs no videocassete, assistir aos trailers cheio de expectativas, após o término rebobinar a fita e no dia seguinte assistí-la novamente, já que teríamos que devolvê-la em breve... acreditem, tudo isso tinha o seu charme e era muito divertido. talvez quem tenha vivido essa época concorde. provável que quem não compartilhe dessas lembranças não veja graça nenhuma.
depois, quando o dvd surgiu e se popularizou ainda aluguei filmes mais algumas vezes, mas já não era a mesma coisa e na era da cópia digital e do dvd pirata já não fazia tanto sentido.
claro que sou satisfeito pelo jeito como as coisas são hoje em dia, sei reconhecer os benefícios da tecnologia e fico feliz de abrir um netflix da vida e ter dezenas de opções. os tempos mudam, às vezes rápido demais e a gente se adapta a eles, entre prós e contras. mas, ainda assim, tenho a sensação de que alguma coisa ficou perdida lá atrás, nos corredores das antigas videolocadoras.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
10 anos de Virada Cultural
Aconteceu no último final de semana a 10ª Virada Cultural de São Paulo. Dispensável dizer que sou grande entusiasta do evento em si e da proposta de fazer uma enorme festa (principalmente, mas não só) no coração da cidade, a região central, tão mal-tratada no dia-a-dia louco da metrópole. Claro que há inúmeros problemas de organização e principalmente de segurança, mas tenho a convicção de que apesar de tudo temos de continuar tentando fazer da nossa cidade um bom lugar pras pessoas conviverem, se divertirem, saírem às ruas e realmente vivenciá-las em suas infinitas opções. Isso deveria ser algo óbvio e natural para todos nós, que pudéssemos não só sobreviver em São Paulo, mas de fato nos apropriar dela, de suas belezas e encantos escondidos.
Falo isso por experiência própria, mais do que as atrações do evento, é ótima a sensação de caminhar pelo Viaduto do Chá, 25 de Março, Estação da Luz e mais um monte de lugares que muitas vezes a gente nem percebe o quanto é bonito e agradável. Repito, nem tudo são flores, mas é algo pelo que vale a pena continuar se esforçando. Aliás, essa é uma posição que mantenho há algum tempo e escrevi algo próximo disso também no ano passado.
Este ano não tive tanta sorte na minha programação. Das minhas quatro opções, só um deu certo. Queria ver a volta do Ira!, cheguei quando o show já tinha começado e tinha tanta gente, que eu simplesmente não consegui ver o palco e ainda tive que ter paciência com o aperto e o empurra-empurra. Não tem jeito, melhor mesmo é ver os shows menos concorridos. Fomos ver o Riachão depois e aí estava bem melhor, com pouca gente deu pra curtir muito mais. Ontem (domingo) a ideia era ver O Terno e depois o Apanhador Só. Porém, depois de uma meia hora do início d'O Terno começou a chover muito forte e os dois shows acabaram não acontecendo.
Acho que essa foi a 6ª ou 7ª virada da qual participei e posso dizer que nunca presenciei nenhum tipo de violência ou bate-boca (ano passado brincava com as pessoas dizendo que o maior desentendimento que vi foi um casal discutindo). Claro que estamos sujeitos a todo tipo de violência que a mídia adora noticiar a cada ano, mas espero que o medo não supere a vontade de fazer um evento à altura da grandeza de São Paulo.
Fazendo uma retrospectiva de cabeça, listo alguns dos bons shows que pude ver até hoje na Virada: Pato Fú, Plebe Rude, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Hermeto Pascoal, Mundo Livre S/A, Marcelo Camelo, Autoramas, Cachorro Grande, Lobão, Riachão, Mombojó, Lirinha, Vanguart. Mas tão interessante quanto ir com programação certa é andar meio que a esmo pelo centro e acabar vendo um monte de shows muito interessantes de músicos até então desconhecidos.
quinta-feira, 20 de março de 2014
conservadores lunáticos e a saudade da ditadura
Sou um profundo defensor do direito que as pessoas têm em serem imbecis, em acreditarem e propagarem qualquer tipo de ideia estapafúrdia. Qualquer um tem o direito de jogar seu respeito e credibilidade intelectual no lixo. Mas tem alguns momentos que não dá pra simplesmente deixar passar, como se não fosse nada.
Ultimamente leio aqui e ali umas aberrações defendendo a volta da ditadura militar, como uma solução mágica e infantil de nossos problemas enquanto sociedade. Nós, seres humanos, somo assim, aguardamos ansiosamente uma solução mágica, um herói que nos livrará de todo o mal, colocar ordem na casa, uma figura paterna severa, que tomará para si a tarefa de educar seus filhos e tomar todas as decisões por eles. Pode reparar, esses "amantes da ditadura" não pedem por mais poder de decisão para si e para os outros, não pedem mais eficiência das instituições democráticas. Elas querem é que um ente superior resolva todos os seus problemas através da concentração do poder. Querem continuar confortavelmente na sua alienação mediocre de quem não tem nenhuma responsabilidade".
Isso é irreal. Dá pena de quem pensa assim. Não existe ditadura boa, todas elas são ruins porque não aceitam questionamento, oposição, não se curvam a nenhum poder superior a elas. Confiar somente nas boas intenções dos detentores desse poder centralizado é arriscado demais. E isso aconteceu na na nossa ditadura militar. Setores da sociedade e da imprensa, que a principio regojizaram pelo golpe foram pouco a pouco sentido o baque, foram percebendo que liberdades e direitos garantidos pelo Estado são importantes e fazem falta quando perdemos. Bem ou mal neste país, estamos tentando fazer com que o poder político soberano respeite a lei, que é feita pelos legisladores, que são eleitos pelo povo. Ok, esse modelo funciona muito mal, está cheio de vícios. Mas ainda assim é melhor do que alguém que use da força e da coação como preferir.
Os governos militares a partir de 1964 foram tão ou mais corruptos do que os pós-reabertura. Muita gente enriqueceu ilicitamente, a máquina estatal era aparelhada e servia aos interesses do governo, decisões políticas e econômicas desastrosas foram tomadas, não havia quase nenhum respeito às "regras do jogo". A oposição servia de enfeite. Pior, perseguia-se, matava-se opositores políticos, censurava-se a imprensa. Como que alguém, em são consciência consegue concluir que uma situação dessas é melhor do que a que temos hoje (e a que podemos alcançar amannhã)? Foi um regime imoral, medonho, indefensável sobre todos os ângulos.
Fala-se tanto do "mensalão", como um exemplo de falência das instituições, mas vocês acham que se fosse numa
ditadura, tal esquema de corrupção teria sido denunciado? Investigado?
Julgado? Ou que algum agente público teria sido condenados? Podemos
discordar de muitas coisas sobre o processo, podemos amar ou odiar os
réus e os "PTralhas", mas não podemos negar que esse julgamento foi histórico,
impossível de ter acontecido no tempo passados. E, repito, pode ter
certeza que muita coisa pior acontecia naquela época.
Chego a conclusão que, de maneira geral, esses saudosistas da ditadura não sabem o que estão falando. Assistem o Datena e leem a Veja e têm alguns rompantes reacionários e autoritários. Concluem em suas cabecinhas quase ocas que está tudo uma porcaria e que a solução é acabar de uma vez com nossa frágil democracia. Não, não é.
Sim, ela é corrupta, ela funciona mal, é fisiologista, corporativista, demagógica, mas ainda assim é a nossa pouca garantia que as coisas não possam ser ainda piores. Pelo menos eu sei que posso falar mal e discordar do governo, eu sei que bem ou mal há uma oposição lá no congresso fiscalizando o governo, sei que tenho alguns direitos fundamentais que ninguém pode me tirar e que justamente por serem violados todos os dias é que temos lutar cada vez mais por eles.
Sério, vão por mim, é mais seguro e garantido viver numa sociedade na qual o Estado não tenha o poder de te ameaçar, entrar na sua casa a qualquer hora do dia, te torturar para conseguir informação, ou te matar e dizer que você se suicidou. É melhor quando a gente sabe, através de umas letrinhas escritas no papel (também chamadas de lei) exatamente quais são nossos deveres e nossos direitos e que os representantes do Estado também tem que seguir aquelas letrinhas. A ditadura que enrabar o outro pode muito bem acabar enrabando você...
Sinto que estamos perdendo um tempo enorme tratando fantasiosamente de coisas absurdas, como se fossem as coisas mais naturais do mundo. Sinto que eu estou perdendo meu tempo com lunáticos. Faça um favor para você mesmo pueril e delirante adorador de ditaduras, mantenha-se calado e evite que as pessoas saibam o tamanho da sua imbecilidade.
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dialética do aborrecimento,
falando nisso...,
os dias
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
"Doze meses e lá se vai um ano". De novo! Me impressiono fácil com essas coisas... fico a pensar no que foi e no que será. Não que eu tenha muito controle sobre tudo, claro. Se ouso pensar que tenho, logo vêm uma força estranha (destino, acaso, deus?) me mostrar o quanto estou suscetível. Me colocam sentado na primeira fileira e encenam minha vida com um roteiro escrito de improviso. Mas no final das contas pode até ser boa essa sensação de fragilidade, ser um barquinho à deriva nesse marzão aberto e - por que não? - aproveitar os minutos antes do naufrágio ao som de Cartola ou Nelson Cavaquinho. Acho que os 365 dias que chamamos de 2013 foram importantes pra perceber isso.
Perceber também o tempo acumulado, em forma de "datas e nomes", pessoas, experiências, lembranças que passarão a dormir e acordar comigo. Se espalharão pelos cantos da casa e me acompanharão quando sair. Isso me assusta e me acalma, me torna exatamente aquilo que sou. Não que seja algo a ser orgulhar, poderia ser outro (infinitas possiblidades), mas o pouco que sei é deste aqui, homem banal, que por mais que esconda tem esperanças para os próximos 12 meses e remói saudoso todos os outros que passaram.
E que a contagem regressiva continue enquanto eu finjo que sei o que estou fazendo! Afinal, "quem sabe de mim é meu violão".
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
extermínio de mendigos, censura e pena de morte hoje...
"Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada na vida. Ele não tem que tomar atitude nenhuma. Aliás, eu acho que deveria até virar ração para peixe".
Uma declaração como essa me arrepia, me indigna, me desilude (ainda mais). Não só por vir de um parlamentar, membro de um partido político e representante de toda a população de um município. Mas porque, de certa forma, é assim que pensa uma parte considerável dos brasileiros. Tudo bem que o vereador de Piraí (RJ) teve que se superar em burrice e coragem para fazer um discurso que é conservador, totalitário e claramente criminoso (afinal é um político dizendo que pessoas que moram na rua deve morrer), mas eu duvido que ele não tenha ganho a admiração de muitos que tomaram conhecimento de suas ideias "inovadoras" no tratamento às pessoas em situação de rua.
Primeiro, ele diz que mendigo não tem que votar. Ou seja, ao morar na rua (por qualquer que seja o motivo) todo cidadão brasileiro deveria ter seus direitos políticos negados.
Segundo, presume-se e afirma-se, numa lógica simplista e nojenta, que se está na rua é porque é vagabundo, não faz nada na vida, deliberadamente. Esse é um raciocínio falso, raso, hipócrita e cínico.
Terceiro, e o mais grave, defende-se que pessoas nessa condição devam ser mortas, exterminadas sumariamente, por serem indesejáveis.
Nega-se, assim todos os direitos de uma parte dos seres humanos deste país. Não têm o direito de serem cidadãos e nem mesmo de existir. É de um obscurantismo e de uma intolerância atroz. Mais do que isso, não se discute em nenhum momento a questão dos "mendigos" como um problema social crônico, fruto direto da miséria e da desigualdade pornográfica que sempre existiu no Brasil. Não se precisa ser muito esperto pra entender que sair das ruas não é só questão de um "vai trabalhar, vagabundo" (bom, talvez um pouco mais esperto do que o nobre vereador em pauta). Existe um intrincado ciclo vicioso da miséria que se reproduz continuamente e do qual muitas pessoas não conseguem sair facilmente.
Pode não parecer, mas estamos muito próximos de uma lógica bem sucedida no regime nazista e que costuma contar com a calorosa aprovação das massas, desejosas de um mundo "mais seguro para os cidadãos de bem". Nas palavras do historiador Robert Gellately:
"O regime [nazista] se vangloriava de sua nova abordagem contra criminosos reincidentes, alcoólatras crônicos, criminosos sexuais, desempregados e mendigos. Hitler prometeu 'limpar as ruas', e a maioria das pessoas aprovou a medida. Algumas acreditavam de fato no Hitler e no nazismo".
Ou seja, essa ideia de limpar as ruas do lixo social não é nova e nos aproxima muito do que existiu de pior em matéria de ideais políticos e sociais. Quando um vereador a expõe com todas as letras na tribuna de uma casa legislativa ele está basicamente reforçando uma mentalidade da qual uma parte significante da população se identifica e diante da qual não podemos de maneira nenhuma nos calar.
P.S.: Continuando seu discurso absurdo e desatroso, o mesmo vereador ainda defendeu a pena de morte, argumentando que, se o criminoso soubesse que iria morrer ele ia pensar duas vezes antes de cometer seus crimes, e a censura, em suas palavras: “Fim da censura. Eu acho isso ruim. Tem que ter censura. Nas propagandas
de filmes e de novelas, passa gente transando escandalosamente na
frente de criança. Eu acho ridículo acabar com a censura."
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Algumas linhas sobre a Virada Cultural 2013
![]() |
| Não tema, esse é o reino da alegria. - Mombojó |
Sou um grande entusiasta de eventos como esse, que permitam que as pessoas vivam sua cidade, tenham a oportunidade de interagir com ela de maneira mais festiva e alegre. Permitam que as ruas sejam vistas como espaço para convivência e diversão. Simples assim. Mais do que o evento em si, ter a oportunidade de estar com pessoas agradáveis, curtindo junto e dando risada faz toda a diferença.
Logo no início do evento já estava por lá, pra ver o Lobão na São João. Tava mais cheio do que eu esperava e por ter chegado em cima da hora não consegui ver muito de perto. Mas foi um bom show pra começar a maratona. Sou muito fã do cara e fiquei bem empolgado pra vê-lo, acabei achando o repertório de mediano para bom. Mas bobagem, afinal sempre algumas músicas que a gente gosta acaba ficando de fora.
Depois disso, passada no Páteo do Colégio, onde uma banda interessantíssima estava se apresentando. Uma tal de Surdomudo Impossible Orchestra, mandando um som muito legal, indefinível. Pena que não peguei do começo. Mas ainda assim reforçou minha impressão de que o melhor da virada é ser surpreendido com coisas inesperadas. Vale citar também um ótimo samba que tava rolando num coreto perto da BM&F. Agrádavel de se ouvir de leve, enquanto se conversa e toma alguma coisa.
A cidade numa noite de festa é um charme a parte, e me agrada muito andar o máximo possível pelos diversos cantos do centro. Passamos, além dos lugares citados, pela Praça do Patriarca (forró), pelo Mercado Municipal (onde tava rolando um chorinho muito bom), entre outros caminhos sem muito destino.
A partir das 04h00, uma tríade de artistas no palco da 25 de Março, que eu estava muito afim de ver: Lirinha, Vanguart e Mombojó. O novo CD do Lirinha tá muito bom e valeu tê-lo ouvido ao vivo. Vanguart eu conheço pouco, mas também empologou. Mas sem a menor sombra de dúvida o ponto alto pra mim de toda a Virada foi o Mombojó. Ao vivo eles soam ainda melhores e passam uma energia que deixou todo mundo empolgado. Incrível como eu estava muito mais animado (e menos cansado) ao final do show deles. Destaque para Casa Caiada e Deixe-se Acreditar.
No fim ainda lamentei um tanto por não ter pique de ver outros artistas como Criolo, Otto e Fundo de Quintal, mas depois de 16 horas eu realmente precisava ir para casa.
Claro que depois a gente ouve na TV problemas relacionados a segurança. Roubos, furtos, confusões, entre outros, inevitavelmente fazem parte de um grande evento que reúne milhões de pessoas. Mas eu espero que isso não prejudique sua imagem e a vontade do poder público e da sociedade civil de fazerem ainda mais e melhor.
segunda-feira, 4 de março de 2013
banda estranha num lugar esquisito!
a novidade do fim de semana foi uma banda barulhenta (guitarras distorcidas, vocais sujos...) tocando num porão pequeno e fedendo a mofo. resultado? foda!
o nome da banda é top surprise, de minas gerais e totalmente desconhecidada por mim até então. o vocalista me deu um cd com as músicas da banda, que estou ouvindo exatamente agora, muito interessado no som lo-fi, potente e quase bonitinho.
o lugar em que tocaram é o centro cultural walden, pequeno bar escondido na praça da república. tem um clima bem intimista e amistoso. logo na entrada tem o bar e uns puffs espalhados, no andar de cima um sofá e uma mesa de sinuca e no andar de baixo um pequeno palco. confortável e convidativo.
legal que no cd que o cara me deu ainda veio mais alguns discos de artistas independentes, lançados entre 2010 e 2012 pela pug records. tem muita coisa legal que eu nem imaginava que rolava por aí!
ouça aqui: http://topsurprise.bandcamp.com/album/klouds-ep
ouça aqui: http://topsurprise.bandcamp.com/album/klouds-ep
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
"som na caixa e cera na sola!" v. 2013
um ciclo de 12 meses terminado, outro que começa... a vida se repetindo e a gente esperando coisas novas (e melhores). pura ilusão! é o cachorro que corre atrás do próprio rabo. e "no fim das contas ninguém sai vivo daqui.
mas, vamos com calma"... ainda vale a pena, então, toca o barco! a sucessão alucinada de dias até que de repente papai noel e suas luzes piscantes e bregas voltam pra encher o saco e me lembrar que o mesmo ciclo está para recomeçar.
o que eu quero de 2013? talvez mais bailarinas de coturnos. mais mágica no absurdo. mais equilíbrio e movimento. esse tipo de coisa que a gente desaprende a querer e que nos ensina a querer mais...
que se renove o impasse, o dilema. a deliciosa sensação de incerteza que nos acelera o coração e nos obriga a apostar a alma numa mesa de jogo. fora isso viver é chato, estar certo de tudo é estar morto!
e vamos para o sétimo ano dessa porra (porque eu sou assim e não aprendo nunca!).
quinta-feira, 22 de março de 2012
querenças...
sabe, acho que eu quero ver todos os filmes do woody allen. todos que ele lançar daqui até o dia de morrer.
talvez veja os dos irmãos marx.
acho que também vou querer ouvir todas as músicas do humberto gessinger (inclusive as ruins).
assim como as de todas as três mil e quinhentas bandas que eu gosto.
(espero que eu descubra e goste de muitas outras...)
ainda vou reler, muitas vezes mais, a estrela da vida inteira do manuel bandeira e a obra completa do ferreira gullar e do carlos drummond de andrade.
queria saber mais sobre muitos assuntos.
queria entender melhor foucault e lévi-strauss.
espero que continue passando chaves para sempre e que sempre me surpreenda sendo exibido nos horários mais inesperados
e que eu possa ler o final de evangelion antes de morrer.
queria saber dizer a coisa certa para cada pessoa em todos os momentos.
queria conseguir continuar fazendo música como um adolescente, mesmo que não fossem boas, que pelo menos fossem sinceras (na sua fragilidade).
e que eu tenha ainda o ímpeto (a ingenuidade) de escrever rascunhos que ninguém nunca vai ler (misto de sopro e de suicídio).
espero ansioso pelo dia em que verei meu time do coração conquistar o mundo pela quarta vez.
acho que vou querer andar de bicicleta pelo resto da vida...
_____________________
e continua...
talvez veja os dos irmãos marx.
acho que também vou querer ouvir todas as músicas do humberto gessinger (inclusive as ruins).
assim como as de todas as três mil e quinhentas bandas que eu gosto.
(espero que eu descubra e goste de muitas outras...)
ainda vou reler, muitas vezes mais, a estrela da vida inteira do manuel bandeira e a obra completa do ferreira gullar e do carlos drummond de andrade.
queria saber mais sobre muitos assuntos.
queria entender melhor foucault e lévi-strauss.
espero que continue passando chaves para sempre e que sempre me surpreenda sendo exibido nos horários mais inesperados
e que eu possa ler o final de evangelion antes de morrer.
queria saber dizer a coisa certa para cada pessoa em todos os momentos.
queria conseguir continuar fazendo música como um adolescente, mesmo que não fossem boas, que pelo menos fossem sinceras (na sua fragilidade).
e que eu tenha ainda o ímpeto (a ingenuidade) de escrever rascunhos que ninguém nunca vai ler (misto de sopro e de suicídio).
espero ansioso pelo dia em que verei meu time do coração conquistar o mundo pela quarta vez.
acho que vou querer andar de bicicleta pelo resto da vida...
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e continua...
quarta-feira, 21 de março de 2012
sobre o café à minha frente...
gosto de vê-lo girar dentro da xícara, naquele preto abismal. o cheiro inconfundível e o aroma forte, quase amargo.
o café em si não tem um sabor tão agradável
(não a ponto de justificar seu consumo diário em grandes quantidades).
mas nada substitui a vontade de tomar café.
no horário certo, inadiável
(coisa típica de um pequeno funcionário de uma repartição pública).
como se uma coisa não-tão-boa também merecesse ter seu lugar na minha rotina.
gosto de bebericá-lo bem quente, em pequenas goles e de preferência com os olhos perdidos em outras linhas.
não que isso venha ao caso, claro...
o café em si não tem um sabor tão agradável
(não a ponto de justificar seu consumo diário em grandes quantidades).
mas nada substitui a vontade de tomar café.
no horário certo, inadiável
(coisa típica de um pequeno funcionário de uma repartição pública).
como se uma coisa não-tão-boa também merecesse ter seu lugar na minha rotina.
gosto de bebericá-lo bem quente, em pequenas goles e de preferência com os olhos perdidos em outras linhas.
não que isso venha ao caso, claro...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
daquela noite em que tocava "moose the mooche"
era quase madrugada e isso não importava,
nenhum barulho lá fora, a não ser um carro ou outro passando
da janela, uma grande lua branca testemunhava minha decadência
aquela casa era minha, os meus tijolos, minhas paredes, mas eu era um estranho
talvez os pensamentos não fossem meus...
e apesar de haver um indefinível gosto amargo na minha boca,
àquela altura eu não me lembrava de coisa alguma
charlie parker improvisava ensandecido em seu sax
e isso pra mim bastava no momento.
concentrei-me na sucessão vertiginosa de notas
as imaginei rodopiando pelo ar
tudo era som, afinal.
"talvez eu tivesse sido um bom músico de jazz;
tocaria com os melhores e morreria aos 34".
"sim", respondeu um interlocutor imaginário,
talvez tivesse sido um bom músico,
ou escritor, desenhista, cientista, ou qualquer coisa...
mas não poderia ser melhor homem-medíocre,
para isso você tem talento inigualável.
espantei-me com aquela resposta,
fiz um esforço para que a música que ecoava
abafasse qualquer tentativa daquela voz de continuar
"afinal, tudo é som".
pelo menos naquela noite deveria ser.
nenhum barulho lá fora, a não ser um carro ou outro passando
da janela, uma grande lua branca testemunhava minha decadência
aquela casa era minha, os meus tijolos, minhas paredes, mas eu era um estranho
talvez os pensamentos não fossem meus...
e apesar de haver um indefinível gosto amargo na minha boca,
àquela altura eu não me lembrava de coisa alguma
charlie parker improvisava ensandecido em seu sax
e isso pra mim bastava no momento.
concentrei-me na sucessão vertiginosa de notas
as imaginei rodopiando pelo ar
tudo era som, afinal.
"talvez eu tivesse sido um bom músico de jazz;
tocaria com os melhores e morreria aos 34".
"sim", respondeu um interlocutor imaginário,
talvez tivesse sido um bom músico,
ou escritor, desenhista, cientista, ou qualquer coisa...
mas não poderia ser melhor homem-medíocre,
para isso você tem talento inigualável.
espantei-me com aquela resposta,
fiz um esforço para que a música que ecoava
abafasse qualquer tentativa daquela voz de continuar
"afinal, tudo é som".
pelo menos naquela noite deveria ser.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
escrevo do lado de cá ainda, quando uma grande coisa vai acontecer, mas ainda não aconteceu, então só dá pra imaginar como será...
ir morar em outra casa, na minha, sozinho, o único responsável para resolver todas as coisas, pagar as contas, comprar o que é necessário, limpar, cuidar, providenciar, é algo que eu espero já há alguns anos. faço planos, faço contas e agora boto a mão na massa, mas acho que eu vou estranhar muito. chegar em casa no fim do dia e ver que tudo está exatamente do jeito que deixou, não ouvir barulhos, nem conversas deve ser estranho de início.
claro que sempre fica um sentimento de saudade de tudo que fica pra trás, afinal, as coisas nunca mais serão como foram até então (e olha que foram boas), mas chega uma hora em que é necessário mudar, expandir, querer mais, experimentar coisas novas. enfim, seguir em frente.
ir morar em outra casa, na minha, sozinho, o único responsável para resolver todas as coisas, pagar as contas, comprar o que é necessário, limpar, cuidar, providenciar, é algo que eu espero já há alguns anos. faço planos, faço contas e agora boto a mão na massa, mas acho que eu vou estranhar muito. chegar em casa no fim do dia e ver que tudo está exatamente do jeito que deixou, não ouvir barulhos, nem conversas deve ser estranho de início.
claro que sempre fica um sentimento de saudade de tudo que fica pra trás, afinal, as coisas nunca mais serão como foram até então (e olha que foram boas), mas chega uma hora em que é necessário mudar, expandir, querer mais, experimentar coisas novas. enfim, seguir em frente.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
the bike days are back!
depois de quase três anos ensaiando, criei ânimo e voltei a andar de bicicleta.
quer dizer, foi um dia só (hoje) e eu quase morri de cansaço, mas espero continuar animado. evitar a "lotação lotada" de cada dia já é um belo ganho. chegar mais rápido no meu destino é outro.
quer dizer, foi um dia só (hoje) e eu quase morri de cansaço, mas espero continuar animado. evitar a "lotação lotada" de cada dia já é um belo ganho. chegar mais rápido no meu destino é outro.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
dez anos do ataque aos eua
o assunto nem me interessa tanto, ou não da maneira como é abordado por grande parte da imprensa. fico incomodadocom a maneira como esse acontecimento é retratado, criando-se uma narrativa na qual os eua são a grande vítima de pessoas intolerantes, radicais e que só agem motivadas pelo ódio. por mais que isso fosse verdade, não concordo em colocar os eua (e o dito "ocidente") por outro lado como país inocente, virtuoso, preocupado em levar a paz e a """democracia""" para o resto do mundo. menos hipocrisia, por favor. essa coisa de cançãozinho bonita, um minuto de silência, homenagens e chororô público é bonito pra aparecer na tv, mas é tão perigosamente irreal, quanto separar o mundo entre bons e maus. uma vida dedicada à arrogância imperialista e à unilateralidade na maneira de se lidar com o resto do mundo (o islâmico principalmente) acabaram por criar algumas antipatias.
certo, que eles chorem seus mortos. que lamentem o ataque que sofreram (ainda que haja teorias da conspiração que considerem o ataque uma ação orquestrada pelo governo americano... vai saber) e se preocupem com sua segurança. afinal pessoas inocentes morreram e isso nunca é legal. maaaaas, não me venham com síndrome de coitadismo, os eua não são o mocinho dessa história. as 3.000 vidas americanas perdidas em 11/09/01 não são mais importantes que milhões de outras vidas perdidas de maneira semelhante, muitas inclusive por ações militares dos eua e aliados.
só pra ficar em um exemplo mais fácil, desde que os grande cruzados da democracia e da segurança mundial invadiram o iraque, um tal de "Iraq Body Count Project (IBC) documentou 73.264 a 79.869 mortes de civis não combatentes desde o princípio da guerra até 20 de Setembro de 2007." (wikipedia). qual é a motivação para essas mortes? são tão injustas quanto as que aconteceram em solo americano. e não há NENHUM ARGUMENTO nesse mundo que as justifique. a invasão do iraque se deu por um motivo falso (possível existência de armas químicas naquele país), CONTRA a posição da ONU (se é que aquela porra serve pra algo mais que reunir líderes mundiais pra um papinho descompromissado e um bom café...). alguém pode dizer que o saddam hussein era um cuzão e que merecia sair do governo iraquiano. eutudo bem, diga isso pra família desses mais de 70.000 CIVIS mortos (isso numa estimativa baixa). também achava o bush um cretino e nem por isso quis tirá-lo a força do poder... só mesmo pessoas muito ingênuas não imaginariam que o que os americanos queriam no iraque era o rico petróleo deles.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
por que eu moro em são paulo?
cada dia mais penso em por que vivo (e vivemos) em são paulo.
é uma cidade que te oprime em todos os sentidos. é suja, feia, poluída, degradada e tem problemas sociais gravíssimos.
ser pobre nessa cidade é pedir para sofrer diariamente em áreas básicas como saúde, educação, transporte e lazer. se você tem uma condição social melhor, vai morrer de medo de ser assaltado, sequestrado, assassinado. aí acaba se escondendo atrás de um muro alto ou dos vidros do carro. tanto para os ricos quanto para os pobres a questão é desconfiar de tudo e de todos e sobreviver.
é feia sim. não tem como falar que são paulo é uma cidade bonita. as marginais são o cartão-postal de quem chega. um esgotão a céu aberto (como eu gostaria de poder ver os rios de são paulo despoluídos um dia!) margeado por asfalto e milhares de carros. só de olhar eu me sinto mal, parece que a cidade grita "não queremos você aqui!". pra todo lado a cor predominante é o cinza do concreto e da fumaça.
o centro e diversas outra áreas são depósitos de pessoas excluídas que a gente passa por cima e finge que não vê (alguém que conhece a cracolândia ou a várzea do glicério vai discordar?). as periferias estão apinhadas de favelas, milhares de barracos espremidos com gente (sobre) vivendo de forma precária.
o paulistano quase sempre mora bem longe do trabalho e leva duas horas pra chegar a ele, extremamente apertado, ou estressado atrás de um volante, como é de praxe. e mesmo que more a dez minutos, com o trânsito, o trajeto será quatro vezes mais demorado. vai respirar bastante fumaça a ponto de desenvolver problemas respiratórios.
lazer é outra área totalmente problemática. paulistano adora falar que aqui tem de tudo, você pode fazer praticamente qualquer programa a qualquer hora do dia ou da noite. bares, restaurantes, cinemas, teatros, shows, baladas e uma série de eventos que só acontecem nas maiores cidades do mundo. tem sim, se você estiver disposto a torrar uma bela grana com isso. tudo aqui é muito caro. estacionar o carro é mais caro que andar com ele, ingresso pra qualquer evento é um absurdo, comer e beber então, nem se fala. além das filas e dos aborrecimentos comuns a lugares onde há muita gente. experimente ir ao cinema no sábado à noite, por exemplo. experimente querer imaginar em ir ao show de um grande artista... conclusão, ou você tem o mínimo de recursos pra bancar programas na cidade, ou vai acabar na televisão ou no computador mesmo.
querer morar num imóvel seu é luxo só para os mais abastados. qualquer apartamentozinho de dois quarto na periferia da periferia tem valores por volta de R$ 200 mil.
claro que muitos desses problemas assolam também muitas outras cidades, mas acho que o tamanho da região metropolitana de são paulo torna todos eles ainda maiores e de difícil solução. tudo aqui é enorme. tanto o luxo quanto a pobreza. são várias cidades numa só.
e olha que tudo que eu levantei aqui faz parte do meu cotidiano. eu sei o que é perder mais de três horas diariamente no trânsito. morei desde sempre afastado do centro e muito próximo de favelas. vou para a região da sé todos os diase convivo com todos seus problemas. se me aventuro a sair no finais de semana sei que, se não tomar cuidar vão me tomar até a roupa do corpo. e tento há alguns anos morar em um imóvel próprio...
a melhor conclusão a que pude chegar é que pagamos pra morar numa cidade de primeiro mundo, mas moramos de fato numa de terceiro.
é uma cidade que te oprime em todos os sentidos. é suja, feia, poluída, degradada e tem problemas sociais gravíssimos.
ser pobre nessa cidade é pedir para sofrer diariamente em áreas básicas como saúde, educação, transporte e lazer. se você tem uma condição social melhor, vai morrer de medo de ser assaltado, sequestrado, assassinado. aí acaba se escondendo atrás de um muro alto ou dos vidros do carro. tanto para os ricos quanto para os pobres a questão é desconfiar de tudo e de todos e sobreviver.
é feia sim. não tem como falar que são paulo é uma cidade bonita. as marginais são o cartão-postal de quem chega. um esgotão a céu aberto (como eu gostaria de poder ver os rios de são paulo despoluídos um dia!) margeado por asfalto e milhares de carros. só de olhar eu me sinto mal, parece que a cidade grita "não queremos você aqui!". pra todo lado a cor predominante é o cinza do concreto e da fumaça.
o centro e diversas outra áreas são depósitos de pessoas excluídas que a gente passa por cima e finge que não vê (alguém que conhece a cracolândia ou a várzea do glicério vai discordar?). as periferias estão apinhadas de favelas, milhares de barracos espremidos com gente (sobre) vivendo de forma precária.
o paulistano quase sempre mora bem longe do trabalho e leva duas horas pra chegar a ele, extremamente apertado, ou estressado atrás de um volante, como é de praxe. e mesmo que more a dez minutos, com o trânsito, o trajeto será quatro vezes mais demorado. vai respirar bastante fumaça a ponto de desenvolver problemas respiratórios.
lazer é outra área totalmente problemática. paulistano adora falar que aqui tem de tudo, você pode fazer praticamente qualquer programa a qualquer hora do dia ou da noite. bares, restaurantes, cinemas, teatros, shows, baladas e uma série de eventos que só acontecem nas maiores cidades do mundo. tem sim, se você estiver disposto a torrar uma bela grana com isso. tudo aqui é muito caro. estacionar o carro é mais caro que andar com ele, ingresso pra qualquer evento é um absurdo, comer e beber então, nem se fala. além das filas e dos aborrecimentos comuns a lugares onde há muita gente. experimente ir ao cinema no sábado à noite, por exemplo. experimente querer imaginar em ir ao show de um grande artista... conclusão, ou você tem o mínimo de recursos pra bancar programas na cidade, ou vai acabar na televisão ou no computador mesmo.
querer morar num imóvel seu é luxo só para os mais abastados. qualquer apartamentozinho de dois quarto na periferia da periferia tem valores por volta de R$ 200 mil.
claro que muitos desses problemas assolam também muitas outras cidades, mas acho que o tamanho da região metropolitana de são paulo torna todos eles ainda maiores e de difícil solução. tudo aqui é enorme. tanto o luxo quanto a pobreza. são várias cidades numa só.
e olha que tudo que eu levantei aqui faz parte do meu cotidiano. eu sei o que é perder mais de três horas diariamente no trânsito. morei desde sempre afastado do centro e muito próximo de favelas. vou para a região da sé todos os diase convivo com todos seus problemas. se me aventuro a sair no finais de semana sei que, se não tomar cuidar vão me tomar até a roupa do corpo. e tento há alguns anos morar em um imóvel próprio...
a melhor conclusão a que pude chegar é que pagamos pra morar numa cidade de primeiro mundo, mas moramos de fato numa de terceiro.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
algumas linhas sobre anjo negro
quanto mais eu leio nelson rodrigues, mais eu me fascino.
a história de anjo negro gira em torno de ismael, um negro com profundo ódio de sua cor (o que o leva inclusive a rejeitar a própria mãe e lutar obstinadamente para ascender socialmente e tornar-se um "negro de alma branca") e sua mulher, virgínia, uma bela e branquíssima moça. desde o começo a relação entre eles se dá de maneira obssessiva, insana, sadomasoquista. a própria união entre eles, como todos os acontecimentos que se sucedem na peça (e que eu estou me segurando pra não contar) se dá numa série de tragédias, violações, sofrimento e morte. tudo adquire (e sente-se nitidamente isso por entre as páginas) um caráter obscuro e grotesco (talvez por isso mesmo feérico e talvez burlesco).
tenho uma impressão geral, que nelson rodrigues sempre mostra e realça o que há por trás das relações trivais, do dia-a-dia (basicamente familiares) e com as quais estamos acostumados desde sempre. máscaras caem e podemos ver um turbilhão de desejos, paixões, imoralidades e mesquinharias, enfim, fantasmas que nos rodeiam mas que não escapam a quem espia pelo buraco da fechadura.
_____________________
mas claro, nada disso é tão importante quanto as palavras escritas em caneta azul e que fizeram com que eu me sentisse mais feliz na volta pra casa.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
de um rascunho
"se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho"
ah, eu já quis ser muitas pessoas. já tentei pensar coisas incríveis. descobrir pequenos segredos escondidos no escuro do mundo ou embaixo da cama. escrever palavras de uma ternura indizível ou de uma força aterradora. já subverti o que era um sentimento (e fiz dele razão pra me perder no abismo que é pensar e sentir, que nem naquela música). contei mentiras, inventei histórias. já machuquei pessoas e já amaldiçoei em segredo quem vez ou outra acabasse por fazer isso comigo. por esporte, por instinto, porque a vida é assim mesmo...
mas não agora... acho que agora eu só queria um abraço. um abraço resolveria tudo... e não que exista exatamente algo a ser resolvido. só que essa gastura me invade de repente. sem aviso, me faz querer nada além disso, um abraço teu, quente e arrebatador. a sinceridade inalcançável que ele traz.
e quem acreditaria se eu dissesse que dois braços pequenos vão daqui até à lua?
"Abraçar; é encostar um coração no outro." (Rita Apoena)
é, a gente busca conforto no abismo... de fato conforta estar à beira dele, encarando-o curioso e desafiador (ainda que com medo), ensaiando o pulo que nunca acontece. e se passam tantas coisas na minha cabeça que não ouso te contar.
pode parecer loucura (eu não diria o contrário), pobre clichê de filme da sessão da tarde (ou de comercial de sabão em pó), mas estar ao teu lado é andar descalço numa chuva quente de verão...
"Vivo tão intensamente o momento, que quase chego atrasada ao momento seguinte." (Rita Apoena)
ah, eu já quis ser muitas pessoas. já tentei pensar coisas incríveis. descobrir pequenos segredos escondidos no escuro do mundo ou embaixo da cama. escrever palavras de uma ternura indizível ou de uma força aterradora. já subverti o que era um sentimento (e fiz dele razão pra me perder no abismo que é pensar e sentir, que nem naquela música). contei mentiras, inventei histórias. já machuquei pessoas e já amaldiçoei em segredo quem vez ou outra acabasse por fazer isso comigo. por esporte, por instinto, porque a vida é assim mesmo...
mas não agora... acho que agora eu só queria um abraço. um abraço resolveria tudo... e não que exista exatamente algo a ser resolvido. só que essa gastura me invade de repente. sem aviso, me faz querer nada além disso, um abraço teu, quente e arrebatador. a sinceridade inalcançável que ele traz.
e quem acreditaria se eu dissesse que dois braços pequenos vão daqui até à lua?
"Abraçar; é encostar um coração no outro." (Rita Apoena)
é, a gente busca conforto no abismo... de fato conforta estar à beira dele, encarando-o curioso e desafiador (ainda que com medo), ensaiando o pulo que nunca acontece. e se passam tantas coisas na minha cabeça que não ouso te contar.
pode parecer loucura (eu não diria o contrário), pobre clichê de filme da sessão da tarde (ou de comercial de sabão em pó), mas estar ao teu lado é andar descalço numa chuva quente de verão...
"Vivo tão intensamente o momento, que quase chego atrasada ao momento seguinte." (Rita Apoena)
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