assim te quero:
leve,
sem delírios
nem tormentos.
que fale baixo e ore à deus
(temeroso do inferno
que há em nós,
e aqui).
breve,
como a vida de uma mosca
inconsciente
mas intenso.
desespera(nça)do,
mas contente
(com os dias de festa, ou os gols da seleção).
assim te querem,
sombra
dos seus melhores anos,
que disseram estar por vir
e que nunca viu chegar.
mas o preço ninguém paga
e se perguntam ninguém sabe.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
"A força religiosa não é senão o sentimento que a coletividade inspira a seus membros, mas projetado fora das consciências que o experimentaram e objetivado. Para se objetivar, ele se fixa num objeto que, assim, se torna sagrado; mas qualquer objeto pode desempenhar esse papel. Em princípio, não há objetos predestinados a isso por sua natureza, com exclusão de outros; tampouco há os que sejam necessariamente refratários."
(Durkheim, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa, pág. 238, Ed. Martins Fontes, 2003)
________________________
Adorar a Deus seria adorar a própria sociedade, enquanto ente anterior e superior aos individuos.
(Durkheim, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa, pág. 238, Ed. Martins Fontes, 2003)
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Adorar a Deus seria adorar a própria sociedade, enquanto ente anterior e superior aos individuos.
"Se pergunte da necessidade de fazer o que você faz. Se o deixasse de fazer, morreria?"
não... não consegui pensar em nada que me sustente a existência. nada que, deixando eu de fazer, leve-me à morte. nenhuma pulsão incontrolável ou desejo alucinante. e suspeito que qualquer um que eu tivesse seria mera falsificação, deslumbramento fantasiado e distorcido. acabar me encontrando, medíocre, em manchas no colchão. num tédio mesquinho de quem supõe não estar no jogo, ou de quem joga displicentemente, rodada a rodada, simplesmente por jogar (ou por medo de perder?).
ainda que me agrade respirar (a sensação de estar vivo tem sua dose de comforto), acho pouco. porém, o que quer que eu fizesse, não levaria a sério...
ainda que me agrade respirar (a sensação de estar vivo tem sua dose de comforto), acho pouco. porém, o que quer que eu fizesse, não levaria a sério...
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conlusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem de moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Que mal eu fiz aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
[...]
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho!
Pra que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
[...]
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
(Álvaro de Campos/ Lisbon Revisited)
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conlusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem de moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Que mal eu fiz aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
[...]
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho!
Pra que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
[...]
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
(Álvaro de Campos/ Lisbon Revisited)
sábado, 2 de agosto de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Ctrl+C e Ctrl+V
A náusea me faz vomitar o que eu penso
A febre me ajuda a perder o bom senso
O delírio me inspira as palavras mais certas
O instinto mantém minhas veias abertas
Não há tratamento pra minha patologia
O que não me mata eu transformo em poesia
A dor me obriga a abraçar os espinhos
O cansaço me leva a seguir meu caminho
Não há tratamento pra minha patologia
O que não me mata eu transformo em poesia
(Náusea/ Lestics)
___________________
O que não me mata eu transformo em poesia
A febre me ajuda a perder o bom senso
O delírio me inspira as palavras mais certas
O instinto mantém minhas veias abertas
Não há tratamento pra minha patologia
O que não me mata eu transformo em poesia
A dor me obriga a abraçar os espinhos
O cansaço me leva a seguir meu caminho
Não há tratamento pra minha patologia
O que não me mata eu transformo em poesia
(Náusea/ Lestics)
___________________
O que não me mata eu transformo em poesia
segunda-feira, 28 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
sabe o quê?
da porta pra dentro.
os olhos pra dentro.
olhando o que há,
de olhos fechados...
as pernas vendidas
num canto da sala,
viradas pra quina
suja da alma.
o dentro da boca
o roubo da calma
no fundo da carne
no centro da fúria...
da porta pra dentro
dos olhos pra dentro
escondido no mundo
do tempo contado...
_____________________
Sabe o quê?
Apatia e desânimo... Quando não é mais comercial de margarina.
os olhos pra dentro.
olhando o que há,
de olhos fechados...
as pernas vendidas
num canto da sala,
viradas pra quina
suja da alma.
o dentro da boca
o roubo da calma
no fundo da carne
no centro da fúria...
da porta pra dentro
dos olhos pra dentro
escondido no mundo
do tempo contado...
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Sabe o quê?
Apatia e desânimo... Quando não é mais comercial de margarina.
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