"Não há essa coisa chamada felicidade. A vida oscila entre alegria e dor, beleza e feiúra de modo que ninguém pode isolá-las. Ninguém deveria desejar tal coisa. Alegria plena ou dor plena, sem nenhum elemento contrastante da consciência, significaria a morte".
(Toomer, Jean. Cana apud Morgan, L. Kathryn. Filhos de Estranhos: Histórias de uma família negra, pág. 112)
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Li esse pequeno trecho e me identifiquei de imediato. Já havia dito a algumas pessoas "não acredito em felicidade", mas sempre interpretaram isso com um certo realismo exarcebado ou pessimismo mesmo. Mas não, a questão é perceber a oscilação que sofremos sempre,(e conseguir vivê-la). Felicidade não é um estado definitivo, não pode ser alcançada em plenitude, ela está sempre em relação com sentimentos opostos. Mais ainda, alegria ou tristeza está menos nas coisas a nossa volta do que em nós mesmos (mas nada de auto-ajuda, por favor).
Acho que acredito mais na vida e na esperança de dar a ela algum sentido, (mas ainda assim me sinto ator em uma peça).
domingo, 26 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
era pra ser sobre amor. mas me provaram que saciar meu ego vinha em primeiro lugar. e dormimos juntos então em nossa beliche de egoísmos. disputei heroicamente cada espaço, num conflito velado de dois pares de olhos e um par de bocas. joguei longe granadas, que estouraram todas em minha trincheira.
era pra ser sobre amor... mas tomaram de assalto, levaram embora cada letra ridiculamente romântica. e eu fui atrás, carregando o violão. consegui então entender que a bolsa de valores vale mais e que o filme inédito do supercine vale mais. entendi que o que se diz não vale muito e que tudo é mais sobre o que não deveria ser.
era pra ser sobre duas noites no deserto, mas acabou se tornando uma dança de lamúrias heptagonais.
[e não é que eu ainda consigo achar graça de tudo isso?]
[e não é que eu ainda consigo achar graça de tudo isso?]
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era pra ser sobre amor, mas os mais caretas torceriam o nariz
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
pequeno comentário (ou sobre pessoas e ilhas)
estou cansado. e não é mais sobre você, é sobre mim mesmo: esta suposta ilha de certezas, cercada de dúvidas por todos os lados,(indivíduo com nome e sobrenome, certidão de nascimento, rg, cpf, título de eleitor, carteira de trabalho, reservista, comprovante de residência, foto 3x4...)toda esta subjetividade que não vence.
estou cansado de falar: palavras que são como frágeis navegantes, que naufragam assim que arriscam e saem da "ilha de certezas", ou que são capturados e torturados para que confessem tudo sobre qualquer outro território hostil ("há tantas outras ilhas armadas de certeza").
sabe, você fabrica bombas com as minhas verdades...
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-não que eu acredite em ilhas. creio mais é na pangéia e nas placas tectônicas.
estou cansado de falar: palavras que são como frágeis navegantes, que naufragam assim que arriscam e saem da "ilha de certezas", ou que são capturados e torturados para que confessem tudo sobre qualquer outro território hostil ("há tantas outras ilhas armadas de certeza").
sabe, você fabrica bombas com as minhas verdades...
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-não que eu acredite em ilhas. creio mais é na pangéia e nas placas tectônicas.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
"Você com as suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade"
(A Dança)
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade"
(A Dança)
domingo, 5 de outubro de 2008
o que eu fiz!?
puta!
dilacerei seus versos
em rima branca,
desentranhados pretos
das unhas sujas,
da tinta
que não é mais minha
e que não tem mais gosto
misturado à arritmia
das letras que dançam,
alucinadas
no papel
pura zombaria
é assim que cada linha
toma forma,
é a forma última
da vaga poesia,
é a senhora pudica e respeitável
prostituida a troco pouco
sodomizada na ante-sala
entre um brinde e outro aos convivas
[saúde!]
________________________________
minha poesia é minha puta!
minha putaria é jocosa!
meus gracejos são lamentação...
puta!
dilacerei seus versos
em rima branca,
desentranhados pretos
das unhas sujas,
da tinta
que não é mais minha
e que não tem mais gosto
misturado à arritmia
das letras que dançam,
alucinadas
no papel
pura zombaria
é assim que cada linha
toma forma,
é a forma última
da vaga poesia,
é a senhora pudica e respeitável
prostituida a troco pouco
sodomizada na ante-sala
entre um brinde e outro aos convivas
[saúde!]
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minha poesia é minha puta!
minha putaria é jocosa!
meus gracejos são lamentação...
terça-feira, 23 de setembro de 2008
crio
crio tantas coisas
[ , ]
tantas armas
armas imaginárias
[ ? ]
imaginação pra me matar
[ ... ]
morrer
[ ! ]
___________
o processo criativo de morrer.
a imaginação usada contra si mesmo.
quanto pontos perdidos, cheios de si, em sua suposta indecifribilidade!
[acho que eu gosto mesmo é da suas palavras dançando no (meu) espaço em branco, assim como dos silêncios que só poderiam vir de você...]
crio tantas coisas
[ , ]
tantas armas
armas imaginárias
[ ? ]
imaginação pra me matar
[ ... ]
morrer
[ ! ]
___________
o processo criativo de morrer.
a imaginação usada contra si mesmo.
quanto pontos perdidos, cheios de si, em sua suposta indecifribilidade!
[acho que eu gosto mesmo é da suas palavras dançando no (meu) espaço em branco, assim como dos silêncios que só poderiam vir de você...]
sábado, 13 de setembro de 2008
"Para Nietzche, o feminismo é a operação pela qual a mulher quer parecer com o homem, com o filósofo dogmático, reivindicando a verdade, a ciência, a objetividade, quer dizer, toda a ilusão viril. Deixar o lugar da submissão feminina em busca de emancipação é instalar-se no tradicional lugar masculino?"
(RODRIGUES, Carla. Alianças e tensões: Desconstrução, feminino e feminismo in Mente, Cérebro & Filosofia, pág. 80. Ago/2008)
__________________
cá estou mais uma vez importunando o ideário feminista...
não sei até onde concordo com a afirmação acima, mas é uma impresão forte que tenho muitas vezes. que, ao deixar um lugar de submissão busca-se tomar como "imagem e semelhança" o papel do opressor, e nisso a pergunta final vem bem a calhar: é o "tradicional lugar masculino" que querem?
(RODRIGUES, Carla. Alianças e tensões: Desconstrução, feminino e feminismo in Mente, Cérebro & Filosofia, pág. 80. Ago/2008)
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cá estou mais uma vez importunando o ideário feminista...
não sei até onde concordo com a afirmação acima, mas é uma impresão forte que tenho muitas vezes. que, ao deixar um lugar de submissão busca-se tomar como "imagem e semelhança" o papel do opressor, e nisso a pergunta final vem bem a calhar: é o "tradicional lugar masculino" que querem?
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