- Sabe o que eu acho cara? Que somos uma grande ficção e que nos impressionamos com isso, com as nossas sombras na parede. Contornos difusos e mal definidos, de tamanho exagerado, que causam êxtase e que assustam... Olhamos encantados nossa imagem refletida n’água e nos afogamos como se fosse inevitável. Lamentamos o movimento doloroso da auto-recusa performática.
Performance: é pura pose e poesia. O ego inflado e uma hipertrofia psíquica. E não há beleza alguma em se estar sempre no centro...
Você procura um lugar, mas só a consciência da busca já é admitir que não possui lugar algum (assim como pensar no sono é estar acordado) e que não há opção. Seu movimento crítico é estar sempre perdido. E se perde entreatos.
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"Como correr na esteira, que cansa e não leva a lugar algum."
sexta-feira, 20 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
“A ironia - para os que estão em busca de uma ‘causa’ – é que os trabalhadores, cujas reivindicações já constituíram o motor da transformação social, estão hoje mais satisfeitos com a sociedade do que os intelectuais; sua situação não é ideal, mas as expectativas que tinham eram menores e as conquistas alcançadas foram relativamente maiores.”
(Bell, Daniel. O Fim da Ideologia; Brasília, UnB, 1980)
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Um pouco desanimador perceber que as reivindicações trabalhistas atuais se resumem a manutenção de empregos e melhores salários. Reclama-se do preço do feijão e contenta-se em comprar feijão barato... Ou seja, o que está em questão não é mais a escravidão em si, mas sim seus termos.
Acho que o velho Marx deve se revirar no caixão ao perceber a capacidade histórica do capitalismo de (até certo ponto) se adaptar, fazer concessões e manter as coisas como estão. Melhor ainda: dosmesticam o suposto sujeito revolucionário que seria o proletário (a ideologia burguesa está por toda parte).
E sei lá, não que eu seja exatamente comunista, marxista ou qualquer coisa assim, mas chama a atenção o fato de que esperava-se demais e não foi o que se viu (até agora, pelo menos).
(Bell, Daniel. O Fim da Ideologia; Brasília, UnB, 1980)
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Um pouco desanimador perceber que as reivindicações trabalhistas atuais se resumem a manutenção de empregos e melhores salários. Reclama-se do preço do feijão e contenta-se em comprar feijão barato... Ou seja, o que está em questão não é mais a escravidão em si, mas sim seus termos.
Acho que o velho Marx deve se revirar no caixão ao perceber a capacidade histórica do capitalismo de (até certo ponto) se adaptar, fazer concessões e manter as coisas como estão. Melhor ainda: dosmesticam o suposto sujeito revolucionário que seria o proletário (a ideologia burguesa está por toda parte).
E sei lá, não que eu seja exatamente comunista, marxista ou qualquer coisa assim, mas chama a atenção o fato de que esperava-se demais e não foi o que se viu (até agora, pelo menos).
segunda-feira, 16 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
“Contudo, nos seus aspectos mais efetivos, a religião representava mais do que isso [mobilização da emoção]: era uma forma de abordar o problema da morte. O medo da morte – poderosa e inevitável – e principalmente o medo da morte violenta perturba o sonho brilhante, mas momentâneo, do poder humano. Como Hobbes observou, o medo da morte é a fonte da consciência; e o esforço para evitar a morte violenta é a fonte da lei. Quando era possível acreditar (mas realmente acreditar) no céu e no inferno, esse medo podia ser em parte temperado, ou controlado; sem tal crença, resta apenas o aniquilamento completo da individualidade.”
(BELL, Daniel; O Fim da Ideologia, pág. 324, Ed. UnB)
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Interessante essa noção, de que a morte, assustadora e infalível, faria com que nós buscássemos abrigo nas leis, principalmente nas leis de um ser superior, que explica algo a princípio sem explicação e nos conforta do destino que é "deixar de existir".
Sei lá, talvez fique sem sentido, mas tenho pensado bastante nessas questões da religião enquanto fenômeno sociológico...
(BELL, Daniel; O Fim da Ideologia, pág. 324, Ed. UnB)
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Interessante essa noção, de que a morte, assustadora e infalível, faria com que nós buscássemos abrigo nas leis, principalmente nas leis de um ser superior, que explica algo a princípio sem explicação e nos conforta do destino que é "deixar de existir".
Sei lá, talvez fique sem sentido, mas tenho pensado bastante nessas questões da religião enquanto fenômeno sociológico...
segunda-feira, 2 de março de 2009
Pequena divagação sobre um momento passado em frente ao espelho
Agora, neste exato momento, a folha de papel em branco olha para mim, num tom desafiador, me incitando a dar um fim em sua brancura com a tinta da caneta.
Confesso que hesitei por um bom tempo, cheguei a imaginar que ela sairia vencedora e voltaria triunfante pra gaveta de onde saiu. As idéias que eu julguei afiadas e extraordinárias mas traíram. Mas eis que, covardemente, resolvo apelar e desvendar o próprio impasse que se formou, o muro que se construiu entre as fantasias e as palavras. Como quem quebra o silêncio falando dele próprio, mas no fim das contas percebe que isso só piora as coisas, pois o torna mais presente.
Talvez fosse melhor falar sobre o tempo (instável) ou o trânsito (caótico). Agora martela na minha cabeça como a folha está pintada do vermelho da caneta, mas ainda continua em branco...
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Não sei por que me surpreendo, elas sempre fazem isso comigo. Mas por capricho mando-as direto para o lixo.
Confesso que hesitei por um bom tempo, cheguei a imaginar que ela sairia vencedora e voltaria triunfante pra gaveta de onde saiu. As idéias que eu julguei afiadas e extraordinárias mas traíram. Mas eis que, covardemente, resolvo apelar e desvendar o próprio impasse que se formou, o muro que se construiu entre as fantasias e as palavras. Como quem quebra o silêncio falando dele próprio, mas no fim das contas percebe que isso só piora as coisas, pois o torna mais presente.
Talvez fosse melhor falar sobre o tempo (instável) ou o trânsito (caótico). Agora martela na minha cabeça como a folha está pintada do vermelho da caneta, mas ainda continua em branco...
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Não sei por que me surpreendo, elas sempre fazem isso comigo. Mas por capricho mando-as direto para o lixo.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O Curioso Caso de Benjamin Button
Faz um tempo já que eu o assisti e até tentei, nos dias seguintes, organizar algumas idéias que tive sobre ele, mas sem muito sucesso...
Sem dúvida é um filme muito bonito, uma história bem contada que fica entre o dramático e o cômico (a situação do protagonista é um misto das duas coisas). Benjamim Button é um caso raro (único!?) de pessoa nasceu ao contrário, ou seja, velho, para morrer como um bebê (não vou detalhar mais o roteiro, até para não estragar surpresas). A partir disso abre-se espaço para um reflexão sobre o tempo, a maneira como lidamos com ele e com as pessoas a nossa volta a partir de sua passagem, tema até certo ponto recorrente, mas que ganha frescor e chama atenção pra coisas que poderiam passar batido ao se inverter a lógica e mostrar um personagem fazendo o "caminho" contrário. A dor dele, por exemplo, passa a ser a evidente diferença de idade que vai se formando entre ele e a pessoa que amada e saber que em determinado momento isso será intransponível.
Encontros e despedidas, tão comuns na vida de qualquer pessoa ganham nova forma e paramos pra pensar (pelo menos eu parei) sobre o tempo e o que ele faz com nós. Perceber como ele age, no caso sobre Benjamim Button, é motivo para um pontada de tristeza . Sobre a forma como nos aproxima de certas pessoas, como nos distancia de outra (inclusive pela morte). Em geral, é a efemeridade da condição humana, mero brilho.
Enfim, o filme todo soa como uma grande e fantástica fábula moderna, divertida e emocionante, até mais do que eu imaginei que poderia ser. E longe de querer discorrer sobre o filme como um todo, preferi fazer um pequeno comentário sobre esse aspecto.
Sem dúvida é um filme muito bonito, uma história bem contada que fica entre o dramático e o cômico (a situação do protagonista é um misto das duas coisas). Benjamim Button é um caso raro (único!?) de pessoa nasceu ao contrário, ou seja, velho, para morrer como um bebê (não vou detalhar mais o roteiro, até para não estragar surpresas). A partir disso abre-se espaço para um reflexão sobre o tempo, a maneira como lidamos com ele e com as pessoas a nossa volta a partir de sua passagem, tema até certo ponto recorrente, mas que ganha frescor e chama atenção pra coisas que poderiam passar batido ao se inverter a lógica e mostrar um personagem fazendo o "caminho" contrário. A dor dele, por exemplo, passa a ser a evidente diferença de idade que vai se formando entre ele e a pessoa que amada e saber que em determinado momento isso será intransponível.
Encontros e despedidas, tão comuns na vida de qualquer pessoa ganham nova forma e paramos pra pensar (pelo menos eu parei) sobre o tempo e o que ele faz com nós. Perceber como ele age, no caso sobre Benjamim Button, é motivo para um pontada de tristeza . Sobre a forma como nos aproxima de certas pessoas, como nos distancia de outra (inclusive pela morte). Em geral, é a efemeridade da condição humana, mero brilho.
Enfim, o filme todo soa como uma grande e fantástica fábula moderna, divertida e emocionante, até mais do que eu imaginei que poderia ser. E longe de querer discorrer sobre o filme como um todo, preferi fazer um pequeno comentário sobre esse aspecto.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
o ano agora é outro (de novo!) e metade do segundo mês já se foi. risco incontrolável os dias no meu calendário. pequenas marcas por todo o corpo. uma a uma.
mas não era sobre isso que eu queria escrever (eu me repetindo, como se não pudesse evitar ser quem sou, mas meu eu lírico não sou eu e nem tem poesia). claro, estou anestesiado, me sinto pouco agora e não sei até onde isso vai. eu disse algo sobre reclamar do preço do feijão? é, falta pouco. e isso não me comove... estou anestesiado e apático. de apatia cínica, que ri de tudo, mas não vê graça. sorriso azedo, como se eu tivesse envelhecido alguns anos em poucos meses (e talvez por isso o papo sobre calendário no início). pior que pensar sobre isso faz com que eu me sinta mais inconveniente (por que eu sempre ando em círculos!?).
mas, (fora isso) a vida é boa. a cabem nove em um carro.
16/01/2009
aliás, eu sinto falta de tudo, mas me mantenho da porta pra dentro.
mas não era sobre isso que eu queria escrever (eu me repetindo, como se não pudesse evitar ser quem sou, mas meu eu lírico não sou eu e nem tem poesia). claro, estou anestesiado, me sinto pouco agora e não sei até onde isso vai. eu disse algo sobre reclamar do preço do feijão? é, falta pouco. e isso não me comove... estou anestesiado e apático. de apatia cínica, que ri de tudo, mas não vê graça. sorriso azedo, como se eu tivesse envelhecido alguns anos em poucos meses (e talvez por isso o papo sobre calendário no início). pior que pensar sobre isso faz com que eu me sinta mais inconveniente (por que eu sempre ando em círculos!?).
mas, (fora isso) a vida é boa. a cabem nove em um carro.
16/01/2009
aliás, eu sinto falta de tudo, mas me mantenho da porta pra dentro.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
"Como isso aconteceu nem ele mesmo sabia, mas de repente alguma coisa pareceu o impelir e lancá-lo aos pés dela. Ele chorava e lhe abraçava os joelhos. No primeiro momento ela levou um terrível susto, e todo o seu rosto ganhou uma palidez mortal. Ela se levantou de um salto e põs-se a fita-lo trêmula. Mas de imediato, no mesmo instante ela compreendeu, e para ela já não havia dúvida, que ele a amava, a amava infinitamente, e que enfim chegara esse momento...
"Eles quiseram falar mas não conseguiram. As lágrimas estavam em seus olhos. Os dois eram pálidos e magros. mas nesses rostos doentes e pálidos já raiava a aurora de um futuro renovado, pleno de ressurreição e vida nova. O amor ressucitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro.
"Decidiram espera e suportar. Ainda lhes restavam sete anos; mas até então, quanto suplício insuportável e quanta felicidade sem fim! Mas ele ressucitara, e o sabia, sentia todo o seu ser plenamente renovado, e ela - bem, ela vivia só da vida dele."
(Dostoiévski, Fiódor. Crime e Castigo; págs. 558 e 559. Trad. Paulo Bezerra. Ed. 34)
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"Eles quiseram falar mas não conseguiram. As lágrimas estavam em seus olhos. Os dois eram pálidos e magros. mas nesses rostos doentes e pálidos já raiava a aurora de um futuro renovado, pleno de ressurreição e vida nova. O amor ressucitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro.
"Decidiram espera e suportar. Ainda lhes restavam sete anos; mas até então, quanto suplício insuportável e quanta felicidade sem fim! Mas ele ressucitara, e o sabia, sentia todo o seu ser plenamente renovado, e ela - bem, ela vivia só da vida dele."
(Dostoiévski, Fiódor. Crime e Castigo; págs. 558 e 559. Trad. Paulo Bezerra. Ed. 34)
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"Hoje eu acordei mais leve, nem li o jornal. Tudo deve estar suspenso, nada deve pesar..."
(Ilex Paraguariensis)
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