dia mundial sem carro.
é óbvio que pelos menos em SP a rotina continuará a ser a mesma:
filas quilométricas de carros, em sua maioria ocupados pelo motorista e só;
marginais (o aparelho urbano mais abominável dessa cidade fedida) e mais uma porção de avenidas enormes congestionadas, briga por locais para se estacionar (acreditem, inclusive os lugares pagos!), buzinas, fumaça, o caos.
afinal, andar de carro é estilo de vida, sinal de status.
é tradição, supõe conforto e autonomia...
o carro faz parte da família, é um pedaço da casa que se leva pra passear.
é o corpo circunscrito, hermeticamente fechado, cercado pela privacidade de metal, fugindo da confluência de pessoas na cidade grande.
se disserem que o carro hoje em dia é uma necessidade até que eu não discordaria de todo.
a questão, porém, é que a necessidade por carros se formou junto com o crescimento acelerado da cidade e a valorização do transporte individual como solução para a locomoção. grandes vias por todos os lados, com a função de levar a população da casa pro trabalho, pra escola, pro lazer (tudo separado um do outro).
defender uma lógica individualista de transporte, baseada no carro ainda hoje em dia é burrice, é ingenuidade. por mais que se construa novas pistas e que se alargue as existentes a situação é insustentável (inclusive a curto prazo): simplesmente vai travar tudo (como vira e mexe acontece). isso sem contar com outras questões igualmente (ou mais) importantes também devem ser levadas em conta, como a poluição do ar, sonora, a degradação das cidades, a impermeabilização do solo, etc.
que esse dia sirva, pelo menos, para contrabalancear (ainda que de maneira tímida) a apologia frenética ao carro, que propicie a discussão de políticas alternativas e novas maneiras de se encarar o problema do trânsito e da vida nas metrópoles como um todo.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
"Partir dos 'falsos objetos' e 'acontecimentalizá-los'; reduzí-los a singularidades que se dissolvem em uma multidão de proveniências históricas e de emergências sociopolíticas. Toda singularidade remete, pois, a uma multiplicidade causal, e as objetivações históricas são raras, como diz Paul Veyne: seu caráter de necessidade aparente é um efeito a posteriori do conjunto de práticas que as produziu."
"Essa objetivação crítica é obtida justamente através do efeito de historicização e acontecimentalização acima evocado. Nada havendo de natural ou eterno no mundo humano, tudo é objeto de uma crítica possível."
(GOLDMAN, Marcio. Objetivação e subjetivação no último Foucault in Alguma Antropologia, págs. 69 e 71; Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1999)
___________________________________________________
Não sei o quanto se torna obscuro ler essas duas passagens separadas do contexto, mas elas elucidam bem uma maneira de ver as coisas com a qual eu concordo.
Primeiro de tudo, a necessidade de desnaturalização de "falsos objetos", que se apresentam como formas pré-estabelecidas e, de certa forma, imutáveis. Deve-se trazê-los para o plano da ação humana, elucidando o caráter sociopolítico desses objetos, mostrá-los como fruto de de uma série acontecimentos. Não há nada eterno no mundo humano, o que há são produto de contigências históricas, sendo que, inclusive a aparente necessidade pela qual sua existência se justifica não é mais do que a decorrência de sua formação. Tudo poderia ser diferente, se é como se vê, é simplemente pelo aleatório agindo.
Com isso, torna-se possível a crítica, a análise arqueológica e genealógica (ou seja dos saberes e dos poderes constituídos) desses objetos, contribuíndo (creio eu) para a elucidação de sua constituíção histórica e por conseguinte a ação política e de ruptura com tais objetos (ou seus reflexos nos dias atuais).
"Essa objetivação crítica é obtida justamente através do efeito de historicização e acontecimentalização acima evocado. Nada havendo de natural ou eterno no mundo humano, tudo é objeto de uma crítica possível."
(GOLDMAN, Marcio. Objetivação e subjetivação no último Foucault in Alguma Antropologia, págs. 69 e 71; Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1999)
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Não sei o quanto se torna obscuro ler essas duas passagens separadas do contexto, mas elas elucidam bem uma maneira de ver as coisas com a qual eu concordo.
Primeiro de tudo, a necessidade de desnaturalização de "falsos objetos", que se apresentam como formas pré-estabelecidas e, de certa forma, imutáveis. Deve-se trazê-los para o plano da ação humana, elucidando o caráter sociopolítico desses objetos, mostrá-los como fruto de de uma série acontecimentos. Não há nada eterno no mundo humano, o que há são produto de contigências históricas, sendo que, inclusive a aparente necessidade pela qual sua existência se justifica não é mais do que a decorrência de sua formação. Tudo poderia ser diferente, se é como se vê, é simplemente pelo aleatório agindo.
Com isso, torna-se possível a crítica, a análise arqueológica e genealógica (ou seja dos saberes e dos poderes constituídos) desses objetos, contribuíndo (creio eu) para a elucidação de sua constituíção histórica e por conseguinte a ação política e de ruptura com tais objetos (ou seus reflexos nos dias atuais).
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
sinto latejar em minhas veias
o acúmulo do tempo - coisa morta
tiquetaqueando, lento, o pulsar curto
da vida inteira, inerte, em poucas horas
o pêndulo policia meus devaneios
e anuncia a expropriação de minha miséria
enclausurada na explosão vertiginosa
desse deus pândego que constrói e joga fora
respiração ofegante, mãos dormentes,
exalto ensandecido a lâmina que corta
meu coração, essa bomba-relógio
que por compaixão ou complacência não me aborta
_________________________
a escassez do tempo, o relógio a espreitar meus passos.
é tarde, é tarde!
e o tempo que há é para construir o que se destruirá.
o ritmo da modernidade, a crença na modernidade...
e o eu suprimido pelas infinitas possibilidades.
pelo encanto, pela vontade.
P.S.: até o tempo para virar mercadoria tem que ser escasso.
o acúmulo do tempo - coisa morta
tiquetaqueando, lento, o pulsar curto
da vida inteira, inerte, em poucas horas
o pêndulo policia meus devaneios
e anuncia a expropriação de minha miséria
enclausurada na explosão vertiginosa
desse deus pândego que constrói e joga fora
respiração ofegante, mãos dormentes,
exalto ensandecido a lâmina que corta
meu coração, essa bomba-relógio
que por compaixão ou complacência não me aborta
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a escassez do tempo, o relógio a espreitar meus passos.
é tarde, é tarde!
e o tempo que há é para construir o que se destruirá.
o ritmo da modernidade, a crença na modernidade...
e o eu suprimido pelas infinitas possibilidades.
pelo encanto, pela vontade.
P.S.: até o tempo para virar mercadoria tem que ser escasso.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
algumas linhas sobre "memórias de minhas putas tristes"
um livro lido recentemente e que merece comentários (sempre desconexos) é o "memória de minha putas tristes". me cativou a maneira como Gabriel Garcia Marquez, o autor, constrói o protagonista (um nonagenário, pouco interessante e com nada de especial) que eu achei muito carismático. a ambientação e a narrativa são belíssimas, retratando com delicadeza e sensibilidade a condição do personagem (que viu o tempo passar e ficou), sem cair no piegas ou no sentimentalismo exagerado.
conta-se basicamente um pequeno momento da vida desse senhor (o seu aniversário de noventa anos) e em perspectiva, reminiscências de suas memórias até então, permeada pela solidão e a melancolia de uma existência sem grandes sentidos. as "putas" que compõem o título têm seu papel de relevância e ao meu ver sublinham o sentimento de solidão do personagem.
contrasta com isso e com sua idade avançada, o amor (essencialmente platônico), descoberto (de maneira forte e intensa) na figura de uma menina (puta também, quase desconhecida) que trás uma boa dose de sentimentos até então adormecidos.
conta-se basicamente um pequeno momento da vida desse senhor (o seu aniversário de noventa anos) e em perspectiva, reminiscências de suas memórias até então, permeada pela solidão e a melancolia de uma existência sem grandes sentidos. as "putas" que compõem o título têm seu papel de relevância e ao meu ver sublinham o sentimento de solidão do personagem.
contrasta com isso e com sua idade avançada, o amor (essencialmente platônico), descoberto (de maneira forte e intensa) na figura de uma menina (puta também, quase desconhecida) que trás uma boa dose de sentimentos até então adormecidos.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
me agrada coisas velhas.
gosto de sentir a vida impregnada na sua gastura...
na nossa idolatria à perfeição do que é novo elas incomodam, chamam a atenção justamente por estarem ultrapassadas, fora de moda.
o novo nos orienta, numa conduta quase mesiânica (e, acreditem, é muito difícil fugir dele). coisas que duram remam contra a maré na esfera do consumo, da produção e do simbólico (que dá liga à ambos).
pode ser apego ao material, mas a necessidade constante por novidades também se torna apego, não necessariamente àquela coisa em si, mas à sensação (de satisfação?) que se tem ao se adquirir o lançamento (sim, as coisas são, invariavelmente produtos, inescapavelmente mercadorias). um estímulo quase orgástico que o consumo traz consigo.
esse eterno desmanchar-se no ar das coisas sólidas, que sobrepuja a tudo e a todos. que destrói para construi melhor, maior, mais rápido, mais moderno, mais bonito... ao diabo com essa apologia cega e sem sentido, deixe cá o que permanece e é muito mais¹.
um tênis velho (com quilometros rodados), uma camiseta (agora menos da cor original, mais de uma cor indefinida), um livro (com marcas de "orelha"), um cd (meio riscado), [um prédio, uma ponte, uma cidade inteira !!!]... acho legal a marca do tempo sobre todas essas coisas e sobre a velocidade da máquina (que é o mundo) que gira sem parar, vê-las quase como testemunhas do acúmulo do tempo.
gosto de sentir a vida impregnada na sua gastura...
na nossa idolatria à perfeição do que é novo elas incomodam, chamam a atenção justamente por estarem ultrapassadas, fora de moda.
o novo nos orienta, numa conduta quase mesiânica (e, acreditem, é muito difícil fugir dele). coisas que duram remam contra a maré na esfera do consumo, da produção e do simbólico (que dá liga à ambos).
pode ser apego ao material, mas a necessidade constante por novidades também se torna apego, não necessariamente àquela coisa em si, mas à sensação (de satisfação?) que se tem ao se adquirir o lançamento (sim, as coisas são, invariavelmente produtos, inescapavelmente mercadorias). um estímulo quase orgástico que o consumo traz consigo.
esse eterno desmanchar-se no ar das coisas sólidas, que sobrepuja a tudo e a todos. que destrói para construi melhor, maior, mais rápido, mais moderno, mais bonito... ao diabo com essa apologia cega e sem sentido, deixe cá o que permanece e é muito mais¹.
um tênis velho (com quilometros rodados), uma camiseta (agora menos da cor original, mais de uma cor indefinida), um livro (com marcas de "orelha"), um cd (meio riscado), [um prédio, uma ponte, uma cidade inteira !!!]... acho legal a marca do tempo sobre todas essas coisas e sobre a velocidade da máquina (que é o mundo) que gira sem parar, vê-las quase como testemunhas do acúmulo do tempo.
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¹Não quero parecer conservador (no sentido estrito do termo), apenas questiono a maneira como as engrenagens se movem, esse impulso vazio e desorientado de superação (jogada de marketing? característica humana inata?) de algo (de quê?).
quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"(...)
E assim as muitas noites
parecem uma só
ou no máximo duas:
sendo a outra
a noite de dentro de casa
iluminada a luz elétrica
A noite adormece as galinhas
e põe a funcionar os cinemas
aciona
os programas de rádio, provoca
discussões à mesa do jantar, excessos
entre jovens que se beijam e se esfregam
junto à cancela
no escuro
e quando o tesão é muito decidem se casar
(menos, por exemplo,
Maria do Carmo
que entregava os peitos enormes
pros soldados chuparem
na Avenida Silva Maia
sob os oitizeiros
e deixava que eles esporrassem
entre suas coxas quentes (sem
meter)
mas voltava pra casa
com ódio do pai
e malsatisfeita da vida) (...)"
GULLAR, Ferreira. Poema Sujo, pág. 32. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008.
__________________________
a noite num poema sujo...
E assim as muitas noites
parecem uma só
ou no máximo duas:
sendo a outra
a noite de dentro de casa
iluminada a luz elétrica
A noite adormece as galinhas
e põe a funcionar os cinemas
aciona
os programas de rádio, provoca
discussões à mesa do jantar, excessos
entre jovens que se beijam e se esfregam
junto à cancela
no escuro
e quando o tesão é muito decidem se casar
(menos, por exemplo,
Maria do Carmo
que entregava os peitos enormes
pros soldados chuparem
na Avenida Silva Maia
sob os oitizeiros
e deixava que eles esporrassem
entre suas coxas quentes (sem
meter)
mas voltava pra casa
com ódio do pai
e malsatisfeita da vida) (...)"
GULLAR, Ferreira. Poema Sujo, pág. 32. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008.
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a noite num poema sujo...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Ao deslizar meus pés sobre sua superfície infértil (num misto de horror e fascinação), percebi que não te conhecia. E nem poderia. Ninguém! Na sua inconclusão definitiva, sempre reconstruída e reinventada (pelos estupros e carícias sucessivas), só o que (acho que) sei é o que acham os outros. Só o que sinto são os meus pés oscilarem entre o profano e o sagrado da tua carne cinza.
Grande demais (frágil!), sempre prestes a se desfazer. No seu coração de pedra, no seu deslumbres de concreto armado, no calor emanado do motor a combustão, na sua respiração urgente (medida em toneladas cúbicas de monóxido de carbono). No cálculo perfeito, na obscenidade dos papéis. Tudo é tão você!
Por um momento quase te sinto por inteira e experimento a sensação de fazer parte das suas entranhas e te abraço como quem se despede todo dia, pois tê-la sob os pés é um eterno até nunca mais...
________________________
pensei que te entendesse...
Grande demais (frágil!), sempre prestes a se desfazer. No seu coração de pedra, no seu deslumbres de concreto armado, no calor emanado do motor a combustão, na sua respiração urgente (medida em toneladas cúbicas de monóxido de carbono). No cálculo perfeito, na obscenidade dos papéis. Tudo é tão você!
Por um momento quase te sinto por inteira e experimento a sensação de fazer parte das suas entranhas e te abraço como quem se despede todo dia, pois tê-la sob os pés é um eterno até nunca mais...
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pensei que te entendesse...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
às vezes sinto que não sou capaz de ir além da medriocridade. outras vezes tenho (uma vaga)certeza de que não há, de fato, nenhum lugar além para ir... somente (e quando muito) um caos de desejos, fantasias e lamentações.
me torno cinicamente volúvel. e digno de riso ao querer negar e afirmar, ao mesmo tempo, a mesma coisa. numa moral da amoralidade ou coisa assim.
no que eu realmente acredito? talvez eu acredite na descrença, pura e simples. porém isso é paradoxal... fantasioso também (como se fosse possível estar isento). a sensação de "uma vida que poderia ter sido e não foi" está o tempo todo a me pertubar rivalizando com a idéia de que toda vida é mais não-ser do que qualquer outra coisa (esse suposto caos). e tem horas que eu até me culpo por não viver meus dias no piloto automático.
___________________________
p.s.1:esse assunto está frequentemente na minha cabeça (e aqui, em linha passadas). provavelmente depois eu volte a ele...
p.s.2: aprendi na escola que os textos têm introdução, desevolvimento e conclusão. como é difícil acabar algo sem concluir nada!
me torno cinicamente volúvel. e digno de riso ao querer negar e afirmar, ao mesmo tempo, a mesma coisa. numa moral da amoralidade ou coisa assim.
no que eu realmente acredito? talvez eu acredite na descrença, pura e simples. porém isso é paradoxal... fantasioso também (como se fosse possível estar isento). a sensação de "uma vida que poderia ter sido e não foi" está o tempo todo a me pertubar rivalizando com a idéia de que toda vida é mais não-ser do que qualquer outra coisa (esse suposto caos). e tem horas que eu até me culpo por não viver meus dias no piloto automático.
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p.s.1:esse assunto está frequentemente na minha cabeça (e aqui, em linha passadas). provavelmente depois eu volte a ele...
p.s.2: aprendi na escola que os textos têm introdução, desevolvimento e conclusão. como é difícil acabar algo sem concluir nada!
terça-feira, 14 de julho de 2009
é comum que sinta minha mãos e meus pés sempre gelados, eventualmente a ponta do nariz também.
ainda assim me agrada essa época do ano. os dias mais curtos, a cidade mais cinza e um tanto quanto melancólica.
a alegria e a expansividade são menos latentes e menos obrigatórias. se tornam rarefeita. é como se estivéssemos prestando mais atenção ao que está dentro, permitindo cercar-se de si, circunscrever-se a partir do bloco [carnavalesco] e da massa.
ainda assim contemporizo e digo que gosto também de dias quentes. comodamente concluo que é bom ter cada coisa em seu lugar. e a alternância nas estações do ano ainda serve pra quebra o silêncio nos elevadores.
ainda assim me agrada essa época do ano. os dias mais curtos, a cidade mais cinza e um tanto quanto melancólica.
a alegria e a expansividade são menos latentes e menos obrigatórias. se tornam rarefeita. é como se estivéssemos prestando mais atenção ao que está dentro, permitindo cercar-se de si, circunscrever-se a partir do bloco [carnavalesco] e da massa.
ainda assim contemporizo e digo que gosto também de dias quentes. comodamente concluo que é bom ter cada coisa em seu lugar. e a alternância nas estações do ano ainda serve pra quebra o silêncio nos elevadores.
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