essa pergunta surgiu despretensiosamente numa conversa e me fez pensar a ponto de escrever algo sobre ela.
primeiro de tudo, nunca tive um sonho, um objetivo quanto ao que fazer profissionalmente. isso se refletiu na minha escolha pra faculdade (ciências sociais), algo que eu dificilmente levaria adiante como ganha-pão. desde o dia que eu escolhi esse curso entre tantos outros (de maneira quase aleatória) meu pensamento sempre foi "o que será que eu quero aprender?" e não "com o que eu quero trabalhar?"...
isso me levou a encarar a faculdade de uma maneira muito diferente do que a grande maioria das pessoas fazem. pra mim, ir pra faculdade, me envolver com temas e disciplinas foi mais uma questão de realização pessoal, de me interessar por algo que me agregasse e não de ascensão pessoal. logo, fazer a faculdade foi muito mais importante do que me formar. quase todo mundo vai pra "facul" seguindo aquela lógica de diploma = ter um emprego melhor. pra mim, pelo contrário, estudo e trabalho foram duas coisas em esferas diferentes da minha vida.
desde que eu comecei a pensar em trabalhar, meu ideal de trabalho era aquele que me estorvasse o mínimo e que me propiciasse o máximo em retorno. sério, sempre naquela lógica madruganiana de "não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", cheguei a conclusão que eu deveria ter um emprego razoavelmente bom e tranquilo pra que eu pudesse me dedicar a outras coisas importantes para mim. emprego é relação de mercado e tentei o máximo possível fugir um pouco de ser formatado enquanto um produto (sempre detestei entregar currículo e fazer entrevista, por exemplo) e outra, bom emprego pra mim estava (e está) muito relacionado a como você se sente no ambiente de trabalho, se é bem acolhido, respeitado, se dá bem com as outras pessoas e isso não se consegue optando por essa ou aquela profissão.
acho que posso chegar a conclusão de que, sim, estou satisfeito com meu trabalho. não porque ele me dignifica (como diz aquele ditado estúpido) ou por algum sentimento de realização, satisfação ou amor ao labor (uma ideia que eu acho meio tosca), mas porque gosto de vir todos os dias para cá, não me queixo das minhas atribuições, me dou bem com todos de maneira geral e (pelo menos por enquanto) acho que o que ganho está de bom tamanho. simples assim.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
acabei de reler esse livro depois de 13 anos. estranho pensar que já faz todo esse tempo, mas a tendência é essa mesmo, eu usar números cada vez maiores para indicar coisas que fiz no passado... ganhei ele no meu aniversário de 12 anos, quando estava começando a me interessar por música e principalmente rock nacional dos anos 80. a primeira banda a realmente me interessar foi a legião urbana. muitas outras eu só fui realmente conhecer no decorrer dos anos (tipo ouvir com atenção alguns cds, procurar outras referências) e era comum eu pegar o livro pra consultar o capítulo que falava dela. de lá pra cá, acabei me interessando por engenheiros do hawaii, nenhum de nós, plebe rude, ira!, barão vermelho, paralamas do sucesso e lobão.
claro que ler em 98 e em 2011 foram duas experiências completamente diferentes. pensando agora todo esse tempo maturou e ampliou muito meu gosto musical, mas sem dúvida esse livro representa um pontapé inicial, o momento em que eu comecei a gostar de maneira mais sólida de algo do mundo adulto. lembro que cada linha do livro era uma imensa novidade. conhecer nomes, bandas, discos, histórias. eu não sabia nada e por isso era bem empolgante. muita coisa passava batida como as citações de bandas estrangeiras e estilos, como dead kennedys, the clash, ac/dc, rock progressivo, new wave, pós-punk, entre muitos outros, mas bem ou mal foi o primeiro contato e me fez querer conhecer um pouco mais. agora o legal é perceber que consigo entender quase a totalidade do livro (bom, no mínimo eu sei do que o autor está falando).
em 200 e poucas páginas o autor condensa o surgimento do rock no brasil, fazendo uma preparação de terreno com o que aconteceu nos anos anteriores (jovem guarda e tropicalismo, po exemplo) até o surgimento de bandas que realmente foram os pilares do rock brasil e que fizeram a estética e a atitude do rock ser levada a sério no mainstream, como legião, titãs, paralamas, barão vermelho. pela primeira vez grupos de rock nacionais lotavam casas de show e vendiam milhões de discos. claro que não se resume a isso e nem acho que seja o mais importante, mas reconheço o quanto isso foi um divisor de águas. dezenas de bandas médias e pequenas, que por um motivo ou outro não chegaram a fazer tanto sucesso (de crítica, público ou ambos), mas que ainda assim eram a prova de que algo novo e forte estava acontecendo no cenário musical do brasil.
fica nisso, um misto de nostalgia pessoal ao retomar histórias que estão na base do meu gosto musical e o gosto por informações e histórias interessantes.
claro que ler em 98 e em 2011 foram duas experiências completamente diferentes. pensando agora todo esse tempo maturou e ampliou muito meu gosto musical, mas sem dúvida esse livro representa um pontapé inicial, o momento em que eu comecei a gostar de maneira mais sólida de algo do mundo adulto. lembro que cada linha do livro era uma imensa novidade. conhecer nomes, bandas, discos, histórias. eu não sabia nada e por isso era bem empolgante. muita coisa passava batida como as citações de bandas estrangeiras e estilos, como dead kennedys, the clash, ac/dc, rock progressivo, new wave, pós-punk, entre muitos outros, mas bem ou mal foi o primeiro contato e me fez querer conhecer um pouco mais. agora o legal é perceber que consigo entender quase a totalidade do livro (bom, no mínimo eu sei do que o autor está falando).
em 200 e poucas páginas o autor condensa o surgimento do rock no brasil, fazendo uma preparação de terreno com o que aconteceu nos anos anteriores (jovem guarda e tropicalismo, po exemplo) até o surgimento de bandas que realmente foram os pilares do rock brasil e que fizeram a estética e a atitude do rock ser levada a sério no mainstream, como legião, titãs, paralamas, barão vermelho. pela primeira vez grupos de rock nacionais lotavam casas de show e vendiam milhões de discos. claro que não se resume a isso e nem acho que seja o mais importante, mas reconheço o quanto isso foi um divisor de águas. dezenas de bandas médias e pequenas, que por um motivo ou outro não chegaram a fazer tanto sucesso (de crítica, público ou ambos), mas que ainda assim eram a prova de que algo novo e forte estava acontecendo no cenário musical do brasil.
fica nisso, um misto de nostalgia pessoal ao retomar histórias que estão na base do meu gosto musical e o gosto por informações e histórias interessantes.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
noturno
deita aqui, com a cabeça no meu peito.
eu afago seus cabelos e você me conta histórias.
seu rosto distraído, sonolento, me encanta.
o corpo perto me conforta. sou feliz.
parado, o universo gira ao seu redor.
fixo meu olhar no rosa dos seus lábios,
no desenho que eles formam em cada sílaba,
me arrebata o hálito que eu inspiro fundo.
"eu te amo". penso, mas não falo.
não ouso romper a harmonia que se forma
quero só me esconder e te espiar.
voz baixa, língua lenta. piscadas demoradas
até que numa delas, súbito, o sono te vence
beijo seu rosto. cubro seu ombro. durmo também.
eu afago seus cabelos e você me conta histórias.
seu rosto distraído, sonolento, me encanta.
o corpo perto me conforta. sou feliz.
parado, o universo gira ao seu redor.
fixo meu olhar no rosa dos seus lábios,
no desenho que eles formam em cada sílaba,
me arrebata o hálito que eu inspiro fundo.
"eu te amo". penso, mas não falo.
não ouso romper a harmonia que se forma
quero só me esconder e te espiar.
voz baixa, língua lenta. piscadas demoradas
até que numa delas, súbito, o sono te vence
beijo seu rosto. cubro seu ombro. durmo também.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
dez anos do ataque aos eua
o assunto nem me interessa tanto, ou não da maneira como é abordado por grande parte da imprensa. fico incomodadocom a maneira como esse acontecimento é retratado, criando-se uma narrativa na qual os eua são a grande vítima de pessoas intolerantes, radicais e que só agem motivadas pelo ódio. por mais que isso fosse verdade, não concordo em colocar os eua (e o dito "ocidente") por outro lado como país inocente, virtuoso, preocupado em levar a paz e a """democracia""" para o resto do mundo. menos hipocrisia, por favor. essa coisa de cançãozinho bonita, um minuto de silência, homenagens e chororô público é bonito pra aparecer na tv, mas é tão perigosamente irreal, quanto separar o mundo entre bons e maus. uma vida dedicada à arrogância imperialista e à unilateralidade na maneira de se lidar com o resto do mundo (o islâmico principalmente) acabaram por criar algumas antipatias.
certo, que eles chorem seus mortos. que lamentem o ataque que sofreram (ainda que haja teorias da conspiração que considerem o ataque uma ação orquestrada pelo governo americano... vai saber) e se preocupem com sua segurança. afinal pessoas inocentes morreram e isso nunca é legal. maaaaas, não me venham com síndrome de coitadismo, os eua não são o mocinho dessa história. as 3.000 vidas americanas perdidas em 11/09/01 não são mais importantes que milhões de outras vidas perdidas de maneira semelhante, muitas inclusive por ações militares dos eua e aliados.
só pra ficar em um exemplo mais fácil, desde que os grande cruzados da democracia e da segurança mundial invadiram o iraque, um tal de "Iraq Body Count Project (IBC) documentou 73.264 a 79.869 mortes de civis não combatentes desde o princípio da guerra até 20 de Setembro de 2007." (wikipedia). qual é a motivação para essas mortes? são tão injustas quanto as que aconteceram em solo americano. e não há NENHUM ARGUMENTO nesse mundo que as justifique. a invasão do iraque se deu por um motivo falso (possível existência de armas químicas naquele país), CONTRA a posição da ONU (se é que aquela porra serve pra algo mais que reunir líderes mundiais pra um papinho descompromissado e um bom café...). alguém pode dizer que o saddam hussein era um cuzão e que merecia sair do governo iraquiano. eutudo bem, diga isso pra família desses mais de 70.000 CIVIS mortos (isso numa estimativa baixa). também achava o bush um cretino e nem por isso quis tirá-lo a força do poder... só mesmo pessoas muito ingênuas não imaginariam que o que os americanos queriam no iraque era o rico petróleo deles.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
por que eu moro em são paulo?
cada dia mais penso em por que vivo (e vivemos) em são paulo.
é uma cidade que te oprime em todos os sentidos. é suja, feia, poluída, degradada e tem problemas sociais gravíssimos.
ser pobre nessa cidade é pedir para sofrer diariamente em áreas básicas como saúde, educação, transporte e lazer. se você tem uma condição social melhor, vai morrer de medo de ser assaltado, sequestrado, assassinado. aí acaba se escondendo atrás de um muro alto ou dos vidros do carro. tanto para os ricos quanto para os pobres a questão é desconfiar de tudo e de todos e sobreviver.
é feia sim. não tem como falar que são paulo é uma cidade bonita. as marginais são o cartão-postal de quem chega. um esgotão a céu aberto (como eu gostaria de poder ver os rios de são paulo despoluídos um dia!) margeado por asfalto e milhares de carros. só de olhar eu me sinto mal, parece que a cidade grita "não queremos você aqui!". pra todo lado a cor predominante é o cinza do concreto e da fumaça.
o centro e diversas outra áreas são depósitos de pessoas excluídas que a gente passa por cima e finge que não vê (alguém que conhece a cracolândia ou a várzea do glicério vai discordar?). as periferias estão apinhadas de favelas, milhares de barracos espremidos com gente (sobre) vivendo de forma precária.
o paulistano quase sempre mora bem longe do trabalho e leva duas horas pra chegar a ele, extremamente apertado, ou estressado atrás de um volante, como é de praxe. e mesmo que more a dez minutos, com o trânsito, o trajeto será quatro vezes mais demorado. vai respirar bastante fumaça a ponto de desenvolver problemas respiratórios.
lazer é outra área totalmente problemática. paulistano adora falar que aqui tem de tudo, você pode fazer praticamente qualquer programa a qualquer hora do dia ou da noite. bares, restaurantes, cinemas, teatros, shows, baladas e uma série de eventos que só acontecem nas maiores cidades do mundo. tem sim, se você estiver disposto a torrar uma bela grana com isso. tudo aqui é muito caro. estacionar o carro é mais caro que andar com ele, ingresso pra qualquer evento é um absurdo, comer e beber então, nem se fala. além das filas e dos aborrecimentos comuns a lugares onde há muita gente. experimente ir ao cinema no sábado à noite, por exemplo. experimente querer imaginar em ir ao show de um grande artista... conclusão, ou você tem o mínimo de recursos pra bancar programas na cidade, ou vai acabar na televisão ou no computador mesmo.
querer morar num imóvel seu é luxo só para os mais abastados. qualquer apartamentozinho de dois quarto na periferia da periferia tem valores por volta de R$ 200 mil.
claro que muitos desses problemas assolam também muitas outras cidades, mas acho que o tamanho da região metropolitana de são paulo torna todos eles ainda maiores e de difícil solução. tudo aqui é enorme. tanto o luxo quanto a pobreza. são várias cidades numa só.
e olha que tudo que eu levantei aqui faz parte do meu cotidiano. eu sei o que é perder mais de três horas diariamente no trânsito. morei desde sempre afastado do centro e muito próximo de favelas. vou para a região da sé todos os diase convivo com todos seus problemas. se me aventuro a sair no finais de semana sei que, se não tomar cuidar vão me tomar até a roupa do corpo. e tento há alguns anos morar em um imóvel próprio...
a melhor conclusão a que pude chegar é que pagamos pra morar numa cidade de primeiro mundo, mas moramos de fato numa de terceiro.
é uma cidade que te oprime em todos os sentidos. é suja, feia, poluída, degradada e tem problemas sociais gravíssimos.
ser pobre nessa cidade é pedir para sofrer diariamente em áreas básicas como saúde, educação, transporte e lazer. se você tem uma condição social melhor, vai morrer de medo de ser assaltado, sequestrado, assassinado. aí acaba se escondendo atrás de um muro alto ou dos vidros do carro. tanto para os ricos quanto para os pobres a questão é desconfiar de tudo e de todos e sobreviver.
é feia sim. não tem como falar que são paulo é uma cidade bonita. as marginais são o cartão-postal de quem chega. um esgotão a céu aberto (como eu gostaria de poder ver os rios de são paulo despoluídos um dia!) margeado por asfalto e milhares de carros. só de olhar eu me sinto mal, parece que a cidade grita "não queremos você aqui!". pra todo lado a cor predominante é o cinza do concreto e da fumaça.
o centro e diversas outra áreas são depósitos de pessoas excluídas que a gente passa por cima e finge que não vê (alguém que conhece a cracolândia ou a várzea do glicério vai discordar?). as periferias estão apinhadas de favelas, milhares de barracos espremidos com gente (sobre) vivendo de forma precária.
o paulistano quase sempre mora bem longe do trabalho e leva duas horas pra chegar a ele, extremamente apertado, ou estressado atrás de um volante, como é de praxe. e mesmo que more a dez minutos, com o trânsito, o trajeto será quatro vezes mais demorado. vai respirar bastante fumaça a ponto de desenvolver problemas respiratórios.
lazer é outra área totalmente problemática. paulistano adora falar que aqui tem de tudo, você pode fazer praticamente qualquer programa a qualquer hora do dia ou da noite. bares, restaurantes, cinemas, teatros, shows, baladas e uma série de eventos que só acontecem nas maiores cidades do mundo. tem sim, se você estiver disposto a torrar uma bela grana com isso. tudo aqui é muito caro. estacionar o carro é mais caro que andar com ele, ingresso pra qualquer evento é um absurdo, comer e beber então, nem se fala. além das filas e dos aborrecimentos comuns a lugares onde há muita gente. experimente ir ao cinema no sábado à noite, por exemplo. experimente querer imaginar em ir ao show de um grande artista... conclusão, ou você tem o mínimo de recursos pra bancar programas na cidade, ou vai acabar na televisão ou no computador mesmo.
querer morar num imóvel seu é luxo só para os mais abastados. qualquer apartamentozinho de dois quarto na periferia da periferia tem valores por volta de R$ 200 mil.
claro que muitos desses problemas assolam também muitas outras cidades, mas acho que o tamanho da região metropolitana de são paulo torna todos eles ainda maiores e de difícil solução. tudo aqui é enorme. tanto o luxo quanto a pobreza. são várias cidades numa só.
e olha que tudo que eu levantei aqui faz parte do meu cotidiano. eu sei o que é perder mais de três horas diariamente no trânsito. morei desde sempre afastado do centro e muito próximo de favelas. vou para a região da sé todos os diase convivo com todos seus problemas. se me aventuro a sair no finais de semana sei que, se não tomar cuidar vão me tomar até a roupa do corpo. e tento há alguns anos morar em um imóvel próprio...
a melhor conclusão a que pude chegar é que pagamos pra morar numa cidade de primeiro mundo, mas moramos de fato numa de terceiro.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
algumas linhas sobre anjo negro
quanto mais eu leio nelson rodrigues, mais eu me fascino.
a história de anjo negro gira em torno de ismael, um negro com profundo ódio de sua cor (o que o leva inclusive a rejeitar a própria mãe e lutar obstinadamente para ascender socialmente e tornar-se um "negro de alma branca") e sua mulher, virgínia, uma bela e branquíssima moça. desde o começo a relação entre eles se dá de maneira obssessiva, insana, sadomasoquista. a própria união entre eles, como todos os acontecimentos que se sucedem na peça (e que eu estou me segurando pra não contar) se dá numa série de tragédias, violações, sofrimento e morte. tudo adquire (e sente-se nitidamente isso por entre as páginas) um caráter obscuro e grotesco (talvez por isso mesmo feérico e talvez burlesco).
tenho uma impressão geral, que nelson rodrigues sempre mostra e realça o que há por trás das relações trivais, do dia-a-dia (basicamente familiares) e com as quais estamos acostumados desde sempre. máscaras caem e podemos ver um turbilhão de desejos, paixões, imoralidades e mesquinharias, enfim, fantasmas que nos rodeiam mas que não escapam a quem espia pelo buraco da fechadura.
_____________________
mas claro, nada disso é tão importante quanto as palavras escritas em caneta azul e que fizeram com que eu me sentisse mais feliz na volta pra casa.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
a coruja e o coração

o último cd da tiê é ótimo! ainda num clima intimista (parece que tá tocando sentada no chão da minha casa), belas letras e a voz mais doce e suave que eu lembro ter ouvido. entre músicas alegres e serenas, das quais destaco "na varanda da liz", "piscar o olho" e "te mereço" (essa aliás, parecidíssima com "te valorizo", do primeiro cd), tem uma improvável versão de "você não vale nada" (aquele forró, que fez sucesso um tempo atrás).
p.s.: amanhã férias. tava sentindo falta já. viajar de avião pela primeira vez será uma bela novidade (num mundo em que tem gente que frequenta o aeroporto como quem frequenta o ponto de ônibus...).
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Sobre jogos violentos
Lembra daquele doidão que matou um monte de gente na noruega, um tempinho atrás? Então, no meio do monte de baboseira que ele escreveu, ele citou nomes de alguns jogos que ele jogava (call of duty, por exemplo). Disse até que ele usava esses jogos como parte de seu treinamento. bom, aí aconteceu o que todo sabe que aconteceria: os ditos "jogos violentos" foram recolhidos das prateleiras de algumas lojas!
Isso mesmo, você mata algumas dezenas de pessoas com uma arma de verdade, no mundo de verdade e são as armas de brinquedo, num mundo virtual que são proibidas! Tem alguma coisa errada... engraçado que eu não vi ninguém falar nada de, sei lá, de repente banir as ARMAS DE FOGO. Por mais utópico que possa parecer um mundo sem armas (ou pelo menos que elas fossem de uso mais restrito), faria mais sentido pra mim as pessoas fazerem o seguinte raciocínio: esse cara matou uma porrada de gente com uma arma, logo armas são perigosas (afinal, pessoas com distúrbios mentais podem ter fácil acesso a elas). Não, elas peferem pensar: esse cara matou uma porrada de gente com uma arma e além disso jogava videogame, logo VIDEOGAMES SÃO PERIGOSOS. Ou indo mais longe, ninguém questionou o fato de ele ser um fanático religioso, afinal no nosso mundo maniqueísta religiões são boas e jogos são ruins, certo?
Acho que não preciso dizer que sou totalmente contra esse tipo de posição e acho ela absurda, ridícula, demagógica e burra. Ela erra em dois pontos: tapa o sol com a peneira e trata logo de arranjar um bode expiratório. é aquela velha história de flagrar sua mulher te traindo no sofá e... QUEIMAR O SOFÁ (afinal, sofás induzem à traição)! a violência simbólica sempre fez parte da nossa sociedade, brincar de matar, criar histórias violentas, inventar um papel diferente pra si mesmo (bandido ou mocinho) é tão antigo quanto andar pra frente. Livros, músicas, filmes, artes plásticas, teatro, história em quadrinhos, brincadeiras entre crianças, tudo isso tem sua dose de violência, porque tem são realizações humanas, refletem sentimentos, anseios, visões de mundo humanas.
Talvez se a opinião pública e os indivíduos em geral que tem alguma dúvida fizerem uma pequena pesquisa (pode ser no google mesmo), vão perceber que comportamentos violentos de uma pessoa ou um grupo de pessoas são ANTERIORES ao surgimento do videogame. É sério! Os seres humanos se matam sem motivos ou por motivos fúteis (ou por que deus falava com eles em sonho) já há alguns milhares de anos. Muito mais pessoas morrem atropeladas por motoristas inconsequentes do que assassinadas por gamers psicopatas, mas nem por isso os carros são proibidos.
E aqui não cabe uma discussão sobre se os videogames (e principalmente aqueles que simulam situações violentas) são bons ou ruins, isso não vem ao caso. Você não precisa jogar se não gostar. Você tem todo o direito de desencorajar as pessoas próximas a você a não fazer algo que você considera pouco sadio ou ofensivo aos seus princípios (de acordo com sua religião, sua ideologia política ou seus costumes). Você deve proibir ou instruir seus filhos, caso ache que aquele conteúdo é impróprio a eles. Mas você NÃO pode mentir pra si mesmo e pros outros ao afirmar que jogos violentos são a causa da violência. Ou, sendo mais específico, que o louco, fanático religioso, portando armas de fogo, sob efeito de drogas, matou um monte de pessoas porque jogava call of duty.
Isso mesmo, você mata algumas dezenas de pessoas com uma arma de verdade, no mundo de verdade e são as armas de brinquedo, num mundo virtual que são proibidas! Tem alguma coisa errada... engraçado que eu não vi ninguém falar nada de, sei lá, de repente banir as ARMAS DE FOGO. Por mais utópico que possa parecer um mundo sem armas (ou pelo menos que elas fossem de uso mais restrito), faria mais sentido pra mim as pessoas fazerem o seguinte raciocínio: esse cara matou uma porrada de gente com uma arma, logo armas são perigosas (afinal, pessoas com distúrbios mentais podem ter fácil acesso a elas). Não, elas peferem pensar: esse cara matou uma porrada de gente com uma arma e além disso jogava videogame, logo VIDEOGAMES SÃO PERIGOSOS. Ou indo mais longe, ninguém questionou o fato de ele ser um fanático religioso, afinal no nosso mundo maniqueísta religiões são boas e jogos são ruins, certo?
Acho que não preciso dizer que sou totalmente contra esse tipo de posição e acho ela absurda, ridícula, demagógica e burra. Ela erra em dois pontos: tapa o sol com a peneira e trata logo de arranjar um bode expiratório. é aquela velha história de flagrar sua mulher te traindo no sofá e... QUEIMAR O SOFÁ (afinal, sofás induzem à traição)! a violência simbólica sempre fez parte da nossa sociedade, brincar de matar, criar histórias violentas, inventar um papel diferente pra si mesmo (bandido ou mocinho) é tão antigo quanto andar pra frente. Livros, músicas, filmes, artes plásticas, teatro, história em quadrinhos, brincadeiras entre crianças, tudo isso tem sua dose de violência, porque tem são realizações humanas, refletem sentimentos, anseios, visões de mundo humanas.
Talvez se a opinião pública e os indivíduos em geral que tem alguma dúvida fizerem uma pequena pesquisa (pode ser no google mesmo), vão perceber que comportamentos violentos de uma pessoa ou um grupo de pessoas são ANTERIORES ao surgimento do videogame. É sério! Os seres humanos se matam sem motivos ou por motivos fúteis (ou por que deus falava com eles em sonho) já há alguns milhares de anos. Muito mais pessoas morrem atropeladas por motoristas inconsequentes do que assassinadas por gamers psicopatas, mas nem por isso os carros são proibidos.
E aqui não cabe uma discussão sobre se os videogames (e principalmente aqueles que simulam situações violentas) são bons ou ruins, isso não vem ao caso. Você não precisa jogar se não gostar. Você tem todo o direito de desencorajar as pessoas próximas a você a não fazer algo que você considera pouco sadio ou ofensivo aos seus princípios (de acordo com sua religião, sua ideologia política ou seus costumes). Você deve proibir ou instruir seus filhos, caso ache que aquele conteúdo é impróprio a eles. Mas você NÃO pode mentir pra si mesmo e pros outros ao afirmar que jogos violentos são a causa da violência. Ou, sendo mais específico, que o louco, fanático religioso, portando armas de fogo, sob efeito de drogas, matou um monte de pessoas porque jogava call of duty.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
alguma linhas sobre "meia-noite em paris"
vi já faz um tempo, mas queria escrever alguma coisa sobre ele...
talvez deva começar com "encantador". só pelo diretor já me sentiria na obrigação, mas além de tudo é um ótimo filme, mágico, divertido, muito gostoso de se assistir (as boas sacadas e o humor refinado, típicos do woody allen estão presentes aqui). o tema central da história é basicamente a nostalgia, a saudade de algo que nunca vivemos, mas que romantizamos, idealizamos e que, por isso gostariamos vivenciar (o comum "gostaria de ter vivido aquela época"). quando olhamos a nossa volta e vemos tudo de uma maneira mais apaixonante e envolvente. e é a cidade de paris, como ela se apresenta ao protagonista, que causa essas sensações.
ele é uma figura um tanto quanto ingênua e romântica (pode-se até duvidar de sua sanidade, apesar de eu preferir ver através de seus olhos), nadando contra a corrente da vida prática e do cotidiano, representados pela sua noiva fútil e pelo seu trabalho de escritor de roteiros. tudo o que quer é se deixar levar por pequenos momentos (caminhadas sob a chuva, conversas em cafés) enquanto tenta se inspirar para escrever um romance. e tudo fica ainda mais interessante (para nós e para ele) quando é meia-noite em paris.
ainda vou assistir de novo.
talvez deva começar com "encantador". só pelo diretor já me sentiria na obrigação, mas além de tudo é um ótimo filme, mágico, divertido, muito gostoso de se assistir (as boas sacadas e o humor refinado, típicos do woody allen estão presentes aqui). o tema central da história é basicamente a nostalgia, a saudade de algo que nunca vivemos, mas que romantizamos, idealizamos e que, por isso gostariamos vivenciar (o comum "gostaria de ter vivido aquela época"). quando olhamos a nossa volta e vemos tudo de uma maneira mais apaixonante e envolvente. e é a cidade de paris, como ela se apresenta ao protagonista, que causa essas sensações.
ele é uma figura um tanto quanto ingênua e romântica (pode-se até duvidar de sua sanidade, apesar de eu preferir ver através de seus olhos), nadando contra a corrente da vida prática e do cotidiano, representados pela sua noiva fútil e pelo seu trabalho de escritor de roteiros. tudo o que quer é se deixar levar por pequenos momentos (caminhadas sob a chuva, conversas em cafés) enquanto tenta se inspirar para escrever um romance. e tudo fica ainda mais interessante (para nós e para ele) quando é meia-noite em paris.
ainda vou assistir de novo.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
de um rascunho
"se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho"
ah, eu já quis ser muitas pessoas. já tentei pensar coisas incríveis. descobrir pequenos segredos escondidos no escuro do mundo ou embaixo da cama. escrever palavras de uma ternura indizível ou de uma força aterradora. já subverti o que era um sentimento (e fiz dele razão pra me perder no abismo que é pensar e sentir, que nem naquela música). contei mentiras, inventei histórias. já machuquei pessoas e já amaldiçoei em segredo quem vez ou outra acabasse por fazer isso comigo. por esporte, por instinto, porque a vida é assim mesmo...
mas não agora... acho que agora eu só queria um abraço. um abraço resolveria tudo... e não que exista exatamente algo a ser resolvido. só que essa gastura me invade de repente. sem aviso, me faz querer nada além disso, um abraço teu, quente e arrebatador. a sinceridade inalcançável que ele traz.
e quem acreditaria se eu dissesse que dois braços pequenos vão daqui até à lua?
"Abraçar; é encostar um coração no outro." (Rita Apoena)
é, a gente busca conforto no abismo... de fato conforta estar à beira dele, encarando-o curioso e desafiador (ainda que com medo), ensaiando o pulo que nunca acontece. e se passam tantas coisas na minha cabeça que não ouso te contar.
pode parecer loucura (eu não diria o contrário), pobre clichê de filme da sessão da tarde (ou de comercial de sabão em pó), mas estar ao teu lado é andar descalço numa chuva quente de verão...
"Vivo tão intensamente o momento, que quase chego atrasada ao momento seguinte." (Rita Apoena)
ah, eu já quis ser muitas pessoas. já tentei pensar coisas incríveis. descobrir pequenos segredos escondidos no escuro do mundo ou embaixo da cama. escrever palavras de uma ternura indizível ou de uma força aterradora. já subverti o que era um sentimento (e fiz dele razão pra me perder no abismo que é pensar e sentir, que nem naquela música). contei mentiras, inventei histórias. já machuquei pessoas e já amaldiçoei em segredo quem vez ou outra acabasse por fazer isso comigo. por esporte, por instinto, porque a vida é assim mesmo...
mas não agora... acho que agora eu só queria um abraço. um abraço resolveria tudo... e não que exista exatamente algo a ser resolvido. só que essa gastura me invade de repente. sem aviso, me faz querer nada além disso, um abraço teu, quente e arrebatador. a sinceridade inalcançável que ele traz.
e quem acreditaria se eu dissesse que dois braços pequenos vão daqui até à lua?
"Abraçar; é encostar um coração no outro." (Rita Apoena)
é, a gente busca conforto no abismo... de fato conforta estar à beira dele, encarando-o curioso e desafiador (ainda que com medo), ensaiando o pulo que nunca acontece. e se passam tantas coisas na minha cabeça que não ouso te contar.
pode parecer loucura (eu não diria o contrário), pobre clichê de filme da sessão da tarde (ou de comercial de sabão em pó), mas estar ao teu lado é andar descalço numa chuva quente de verão...
"Vivo tão intensamente o momento, que quase chego atrasada ao momento seguinte." (Rita Apoena)
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