acho que o ano que passou foi um pouco mais fraco em relação aos lançamentos de filmes, apesar de eu também não poder afirmar isso com muito certeza, já que acabei não vendo muitos que me interessaram (como "melancolia" e "a pele que habito", por exemplo)...
mas se eu tivesse que destacar alguns, sem pensar muito já citaria "cisne negro" e "meia- noite em paris" (sobre os quais já falei aqui e aqui). sem dúvida foram os mais impactantes e cada um a sua maneira são muito cativantes e bonitos...
além desses dois que para mim estão bem acima de todos os outros, acho devo citar, os seguintes filmes:
1) "você vai conhecer o homem dos seus sonhos": ótimo filme sobre as idas e vindas dos relacionamentos, bem à maneira das histórias do woody allen. parte da ideia shakesperiana de que "a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, e que não significa nada";
2) "bravura indômita": refilmagem de um clássico western. ótimo filme sobre vingança e obstinação;
3) "x-men: primeira classe": pra mim o melhor filme dos x-men. gostei muito da forma como a história sobre a origem dos grupos de mutantes foi contada, da amizade entre o professor xavier e o magneto à posterior rivalidade que surge, por pensarem diferente;
4) "piratas do caribe 4: navegando em águas misteriosas": apesar de já sentir um pouco desgastada a franquia, pra mim é sempre um bom programa ver o capitão jack sparrow em suas andanças por aí;
5) "o palhaço", uma bela história sobre uma pessoa simples na busca da sua identidade e do seu lugar no mundo. um palhaço melancólico é sempre uma figura interessante. "Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?".
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
... e era como se eu me esfacelasse, me decompusesse inteiro ante meus olhos e não pudesse fazer nada. desesperado, tentava reter com as mãos os pedaços de mim que eu sentia apodrecer e cair. tanta gente passava, mas distraídos em tantas outras coisas, não me davam atenção e apesar de eu querer alguma ajuda, não fiz barulho algum, tentei mais despercebido. calmo, silencioso.
mas tive medo, claro, como nunca antes. um medo inominável e ilimitado, pois não é deste mundo nem de outro; é do nada, da ausência completa. se eu me tornasse um amontoado no chão da praça da matriz, se eu deixasse de ser quem eu sou pra me tornar algo inimaginável, algo que nunca ninguém inventou, deu nome, classificou seria pior que a morte (afinal, ao morrermos, ainda assim continuamos sendo, em algum grau o que sempre fomos e continuamos fazendo parte de alguma coisa). o horror era imaginar deixar de ser qualquer coisa que fosse. tornar-me um não-ser.
e essa agonia, me fez clamar por um momento por deus e também pelo diabo. algo que me prendesse ao mundo, à vida como a conhecemos. seja um lado ou outro da moeda. por favor, alguém, não quero o escuro abismal, atemporal que me ronda!
________________
é tudo verdade...
mas tive medo, claro, como nunca antes. um medo inominável e ilimitado, pois não é deste mundo nem de outro; é do nada, da ausência completa. se eu me tornasse um amontoado no chão da praça da matriz, se eu deixasse de ser quem eu sou pra me tornar algo inimaginável, algo que nunca ninguém inventou, deu nome, classificou seria pior que a morte (afinal, ao morrermos, ainda assim continuamos sendo, em algum grau o que sempre fomos e continuamos fazendo parte de alguma coisa). o horror era imaginar deixar de ser qualquer coisa que fosse. tornar-me um não-ser.
e essa agonia, me fez clamar por um momento por deus e também pelo diabo. algo que me prendesse ao mundo, à vida como a conhecemos. seja um lado ou outro da moeda. por favor, alguém, não quero o escuro abismal, atemporal que me ronda!
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é tudo verdade...
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
sobre como nós temos tendência a sermos uns bostas
sabe o mais foda das pessoas? é que de maneira geral elas se acham muito mais do que realmente são. incrível você transitar por diversos ambientes e perceber que elas se consideram superiores porque são do jeito que são. e dá-lhe estigmas para diminuir o outro e para disseminar seus preconceito e ignorância.
o tempo todo é gente falando mal dos outros, por aquilo que eles gostam de ouvir, ver, fazer, por pensar como pensam ou porque preferem não pensar em nada... aí se reúnem em pequenos grupelhos de masturbação coletiva que acha o resto do mundo desprezível e idolatram determinados usos e costumes. esse tipo de comportamento é até compreensível em pré-adolescentes, que ainda não sabem muita coisa da vida, mas depois disso se torna irritante... e nem passa pela cabeça dessas pessoas que, pra quem vê de fora elas também podem parecer babacas.
acho que a gente deveria seguir minimamente uma cartilha de "relativização cultural" (ou seja, parar com a porra de querer achar que o centro do sistema solar é no seu umbigo ou no centro da rodinha que você forma com seus amigos super legais), que nos permitisse ver o outro de maneira um pouco mais madura, prestando atenção no fato de que estamos no mesmo barco e as diferenças que constatamos são mais na forma do que na essência.
o começo de tudo seria pensar que "cada um vive a vida à sua maneira". isso não significa que você precisa GOSTAR, nem que você não possa DISCORDAR e DISCUTIR sua ideias sobre os diversos temas com pessoas que estejam DISPOSTAS a isso. mas partir do princípio de que cada um vive a vida do jeito que melhor lhe convém, na medida em cabe só a ela decidir, já significa que há uma maior tolerância e até valorização à diversidade. e isso pra tudo, desde gosto musical até política e religião. no caso do primeiro, por exemplo, eu não gosto de funk, nunca gostei, mas acho que eu gosto menos ainda das pessoas arrogantes que se acham melhores por que não gostam de funk. aí, dá-lhe falar que é música de bandido, de vagabundo, de favelado e blá blá blá. esses podem ser bons critério para VOCÊ não ouvir funk ou pra não querer que seus filhos ouçam, mas não serve pra querer defender a censura ao funk (nem a coisa nenhuma). aí o cara gosta de rock e se acha foda por isso, ou gosta de jazz e se acha mais refinado ou de samba e mais descolado, mas se esquecem que esses estilos já sofreram com marginalização (por coincidência, três estilos musicais que vieram das camadas populares e para os quais as elites torciam o nariz). e no final das contas sempre vai ter um pra falar "ai credo, você gosta disso!? isso é coisa de retardado/ nerd/ maloqueiro/ mauricinho/ maconheiro/ velho" (a lista é imensa...).
transfira esse exemplo da música para outras questões da vida que você vai ter bem o retrato de como funcionamos. tentamos legitimar o nosso, deslegitimando o do outro, a gente quer que o nosso comportamento (ou aquele que tentamos atingir, muitas vezes sem sucesso) seja o mais legal, em detrimento do dos outros, e estamos sempre com um tomate na mão esperando que alguém fora do nosso padrão surja para tacarmos nele. "aí, ele é isso, ele é aquilo", mas, peraí, será que, aos olhos dos outros (e pelos seus mesmo, se você tiver um pouco de auto-crítica) você também não é "isso" ou "aquilo". será que não somos todos (e cada a sua maneira) seres humanos deploráveis, tentando dar sentido a vidinhas medíocres?
sei lá, acho que pensando assim (dando a cara a tapa) pelo menos podemos ser menos cuzões e mais tolerantes com as diferenças alheias e quem sabe até seres humanos melhores.
______________________________
(acho que é um assunto com uma abordagem semelhante a post passados, mas é que eu continuo sendo parecido com o que eu era antes e certas coisas continuam me irritando...tipo, o que você sabe do outro pra ficar falando dele?)
o tempo todo é gente falando mal dos outros, por aquilo que eles gostam de ouvir, ver, fazer, por pensar como pensam ou porque preferem não pensar em nada... aí se reúnem em pequenos grupelhos de masturbação coletiva que acha o resto do mundo desprezível e idolatram determinados usos e costumes. esse tipo de comportamento é até compreensível em pré-adolescentes, que ainda não sabem muita coisa da vida, mas depois disso se torna irritante... e nem passa pela cabeça dessas pessoas que, pra quem vê de fora elas também podem parecer babacas.
acho que a gente deveria seguir minimamente uma cartilha de "relativização cultural" (ou seja, parar com a porra de querer achar que o centro do sistema solar é no seu umbigo ou no centro da rodinha que você forma com seus amigos super legais), que nos permitisse ver o outro de maneira um pouco mais madura, prestando atenção no fato de que estamos no mesmo barco e as diferenças que constatamos são mais na forma do que na essência.
o começo de tudo seria pensar que "cada um vive a vida à sua maneira". isso não significa que você precisa GOSTAR, nem que você não possa DISCORDAR e DISCUTIR sua ideias sobre os diversos temas com pessoas que estejam DISPOSTAS a isso. mas partir do princípio de que cada um vive a vida do jeito que melhor lhe convém, na medida em cabe só a ela decidir, já significa que há uma maior tolerância e até valorização à diversidade. e isso pra tudo, desde gosto musical até política e religião. no caso do primeiro, por exemplo, eu não gosto de funk, nunca gostei, mas acho que eu gosto menos ainda das pessoas arrogantes que se acham melhores por que não gostam de funk. aí, dá-lhe falar que é música de bandido, de vagabundo, de favelado e blá blá blá. esses podem ser bons critério para VOCÊ não ouvir funk ou pra não querer que seus filhos ouçam, mas não serve pra querer defender a censura ao funk (nem a coisa nenhuma). aí o cara gosta de rock e se acha foda por isso, ou gosta de jazz e se acha mais refinado ou de samba e mais descolado, mas se esquecem que esses estilos já sofreram com marginalização (por coincidência, três estilos musicais que vieram das camadas populares e para os quais as elites torciam o nariz). e no final das contas sempre vai ter um pra falar "ai credo, você gosta disso!? isso é coisa de retardado/ nerd/ maloqueiro/ mauricinho/ maconheiro/ velho" (a lista é imensa...).
transfira esse exemplo da música para outras questões da vida que você vai ter bem o retrato de como funcionamos. tentamos legitimar o nosso, deslegitimando o do outro, a gente quer que o nosso comportamento (ou aquele que tentamos atingir, muitas vezes sem sucesso) seja o mais legal, em detrimento do dos outros, e estamos sempre com um tomate na mão esperando que alguém fora do nosso padrão surja para tacarmos nele. "aí, ele é isso, ele é aquilo", mas, peraí, será que, aos olhos dos outros (e pelos seus mesmo, se você tiver um pouco de auto-crítica) você também não é "isso" ou "aquilo". será que não somos todos (e cada a sua maneira) seres humanos deploráveis, tentando dar sentido a vidinhas medíocres?
sei lá, acho que pensando assim (dando a cara a tapa) pelo menos podemos ser menos cuzões e mais tolerantes com as diferenças alheias e quem sabe até seres humanos melhores.
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(acho que é um assunto com uma abordagem semelhante a post passados, mas é que eu continuo sendo parecido com o que eu era antes e certas coisas continuam me irritando...tipo, o que você sabe do outro pra ficar falando dele?)
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
sobre opressores e oprimidos
“Se você não tiver cuidado os jornais vão ensinar a odiar os oprimidos e amar os opressores” é uma frase que as pessoas adoram compartilhar no facebook atualmente. ótimo, também acho que esse é risco real e recorrente. concordo que há mecanismos ideológicos e de controle que legitimam o tal opressor e criminalizam o oprimido que acaba sendo marginalizado e tratado de forma estigmatizada.
mas eu quero falar sobre outra coisa, que me incomoda bastante: o fato de que, de certa forma e em graus variáveis, somos todos opressores e oprimidos ao mesmo tempo. não raro os militantes de certas causas, colocam seu grupo social como vítima da "sociedade injusta e preconceituosa", mas ao mesmo tempo têm comportamentos discriminatórios ou ideias que reduzem o outro.
um cara pode ser discriminado porque é gay, e sem se dar conta, discriminar um outro por ser nordestino, que oprime a sua mulher por questões de gênero. as feministas na sua luta por seus direitos podem por sua vez serem particularmente intolerantes aos evangélicos, que são contra os seguidores de religiões afro-brasileiras. é um círculo que não acaba mais e com inúmeros fios soltos.
historicamente os cristãos foram massacrados em determinadas épocas e lugares e igualmente massacraram em outras épocas e lugares. os comunistas, perseguidos em alguns países foram os perseguidores em outros. os índios, dizimados pelo colonizador europeu tinham, naturalmente, relações belicosas entre si (afinal, eram diversas etnias diferentes) e muitas até ajudaram o "homem branco" em conflitos. e é claro que isso não condena nem absolve ninguém de antemão.
qual é meu objetivo ao constatar isso? acho que simplesmente descaracterizar essa ideia ingênua de bem contra o mal. a vida em sociedade não é feita de vítimas e malfeitores. quer dizer, não de início. exemplo: se você é de esquerda não pode apoiar INCONDICIONALMENTE outras pessoas ou grupos só porque eles também são de esquerda. isso é dar um cheque em branco pra outra pessoa fazer o que quiser tendo como escudo o rótulo de "somos do mesmo grupo". tais rótulos servem A PRINCÍPIO, mas depois podem acabar se tornando um álibi para desmandos de canalhas. qual comunista com um mínimo de discernimento pode apoiar incondicionalmente Stálin? quer dizer, você pode até querer enfatizar pontos positivos, de acordo com o seu viés político, mas nunca o todo.
devemos ter consciência de que todos temos preconceitos e a pré-disposição de discriminar e até oprimir pessoas diferentes (até porque, o que é diferente não raro nos assusta ou vai de encontro aos nosso princípios e valores). a nossa luta, deve ser mais ampla, não pelos direitos desse ou daquele grupo, mas pela dignidade e respeito de toda e qualquer pessoa. você não merece ser respeitado porque é negro, você merece ser respeitado porque é um ser humano. e não digo que isso seja simples, mas mudar o a postura e a proposta individual já é um grande começo.
a gente cresce aprendendo a ver a história como a relação entre coitadinhos e filhos da puta. concordo que muitas vezes esses rótulos caem bem (quem não se indigna ao aprender na escola sobre o genocídio indígena na época da colonização?), mas não vamos por favor reduzir o mundo entre bom e mau, opressores e oprimidos. vale mais saber analisar o contexto e ter em mente de que somos todos seres humanos, carregando potencialmente os mesmo defeitos...
mas eu quero falar sobre outra coisa, que me incomoda bastante: o fato de que, de certa forma e em graus variáveis, somos todos opressores e oprimidos ao mesmo tempo. não raro os militantes de certas causas, colocam seu grupo social como vítima da "sociedade injusta e preconceituosa", mas ao mesmo tempo têm comportamentos discriminatórios ou ideias que reduzem o outro.
um cara pode ser discriminado porque é gay, e sem se dar conta, discriminar um outro por ser nordestino, que oprime a sua mulher por questões de gênero. as feministas na sua luta por seus direitos podem por sua vez serem particularmente intolerantes aos evangélicos, que são contra os seguidores de religiões afro-brasileiras. é um círculo que não acaba mais e com inúmeros fios soltos.
historicamente os cristãos foram massacrados em determinadas épocas e lugares e igualmente massacraram em outras épocas e lugares. os comunistas, perseguidos em alguns países foram os perseguidores em outros. os índios, dizimados pelo colonizador europeu tinham, naturalmente, relações belicosas entre si (afinal, eram diversas etnias diferentes) e muitas até ajudaram o "homem branco" em conflitos. e é claro que isso não condena nem absolve ninguém de antemão.
qual é meu objetivo ao constatar isso? acho que simplesmente descaracterizar essa ideia ingênua de bem contra o mal. a vida em sociedade não é feita de vítimas e malfeitores. quer dizer, não de início. exemplo: se você é de esquerda não pode apoiar INCONDICIONALMENTE outras pessoas ou grupos só porque eles também são de esquerda. isso é dar um cheque em branco pra outra pessoa fazer o que quiser tendo como escudo o rótulo de "somos do mesmo grupo". tais rótulos servem A PRINCÍPIO, mas depois podem acabar se tornando um álibi para desmandos de canalhas. qual comunista com um mínimo de discernimento pode apoiar incondicionalmente Stálin? quer dizer, você pode até querer enfatizar pontos positivos, de acordo com o seu viés político, mas nunca o todo.
devemos ter consciência de que todos temos preconceitos e a pré-disposição de discriminar e até oprimir pessoas diferentes (até porque, o que é diferente não raro nos assusta ou vai de encontro aos nosso princípios e valores). a nossa luta, deve ser mais ampla, não pelos direitos desse ou daquele grupo, mas pela dignidade e respeito de toda e qualquer pessoa. você não merece ser respeitado porque é negro, você merece ser respeitado porque é um ser humano. e não digo que isso seja simples, mas mudar o a postura e a proposta individual já é um grande começo.
a gente cresce aprendendo a ver a história como a relação entre coitadinhos e filhos da puta. concordo que muitas vezes esses rótulos caem bem (quem não se indigna ao aprender na escola sobre o genocídio indígena na época da colonização?), mas não vamos por favor reduzir o mundo entre bom e mau, opressores e oprimidos. vale mais saber analisar o contexto e ter em mente de que somos todos seres humanos, carregando potencialmente os mesmo defeitos...
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
todo mundo sempre tem algo de importante a dizer...
às vezes eu grito junto, outras eu me calo.
o fato é que me impressiona essa quantidade enorme de opiniões desencontradas, baseadas em informações incompletas, fatos duvidosos, convicções sisudas e inflexíveis.
as conclusões quase sempre são precipitadas. lê-se o título e já tem-se uma opinião formada sobre o texto todo.
e olha que não estou tirando meu corpo fora. estou disposto a dar a cara a tapa, rever meus pontos de vista e expô-los a (auto)crítica. não porque eles sejam frouxos, mas sim porque não são absolutos.
tenho minha opinião e gosto de tê-la como forma de me posicionar no mundo, como ponto de partida e não de chegada. pensar coisas faz com que eu exista, compartilhá-las num processo duplo de falar e ouvir me torna humano.
acho que deveria ser assim. a política por exemplo, não deveríamos pensá-la de forma tão maniqueísta, entre pares opostos... isso nos torna muito mais vulneráveis a nos deixar levar de maneira ingênua por ideias que não são realmente as nossas. ou pior, justificamos condutas que não aprovamos pelo simples fatos de terem sido postas em práticas por um grupo pelo qual temos simpatia ou que carrega uma mesma bandeira que (julgamos ser) a nossa.
só aceito polarizações radicais no futebol (e ainda assim para fins lúdicos). no mais, acho que há tantas nuances e detalhes escorregadios em qualquer acontecimento que é quase impossível resumir sua opinião num mero "concordo" ou "discordo" e condenar todo o resto à fogueira...
às vezes eu grito junto, outras eu me calo.
o fato é que me impressiona essa quantidade enorme de opiniões desencontradas, baseadas em informações incompletas, fatos duvidosos, convicções sisudas e inflexíveis.
as conclusões quase sempre são precipitadas. lê-se o título e já tem-se uma opinião formada sobre o texto todo.
e olha que não estou tirando meu corpo fora. estou disposto a dar a cara a tapa, rever meus pontos de vista e expô-los a (auto)crítica. não porque eles sejam frouxos, mas sim porque não são absolutos.
tenho minha opinião e gosto de tê-la como forma de me posicionar no mundo, como ponto de partida e não de chegada. pensar coisas faz com que eu exista, compartilhá-las num processo duplo de falar e ouvir me torna humano.
acho que deveria ser assim. a política por exemplo, não deveríamos pensá-la de forma tão maniqueísta, entre pares opostos... isso nos torna muito mais vulneráveis a nos deixar levar de maneira ingênua por ideias que não são realmente as nossas. ou pior, justificamos condutas que não aprovamos pelo simples fatos de terem sido postas em práticas por um grupo pelo qual temos simpatia ou que carrega uma mesma bandeira que (julgamos ser) a nossa.
só aceito polarizações radicais no futebol (e ainda assim para fins lúdicos). no mais, acho que há tantas nuances e detalhes escorregadios em qualquer acontecimento que é quase impossível resumir sua opinião num mero "concordo" ou "discordo" e condenar todo o resto à fogueira...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
pra não esquecer (excertos)
meu:
LEMBRAR-SE
Escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se me lembrasse. Com um esforço de "memória", como se eu nunca tivesse nacido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.
(Clarice Lispector)
dela:
A EXPERIÊNCIA MAIOR
Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.
(Clarice Lispector)
p'ra ela:
QUEM ELA ERA
- (Eu te amo)
- (É isso então o que sou?)
- (Você é o amor que eu tenho por você)
- (Sinto que vou me reconhecer... estou quase me vendo. Falta tão pouco)
- (Eu te amo)
- (Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro)
(Clarice...)
LEMBRAR-SE
Escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se me lembrasse. Com um esforço de "memória", como se eu nunca tivesse nacido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.
(Clarice Lispector)
dela:
A EXPERIÊNCIA MAIOR
Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.
(Clarice Lispector)
p'ra ela:
QUEM ELA ERA
- (Eu te amo)
- (É isso então o que sou?)
- (Você é o amor que eu tenho por você)
- (Sinto que vou me reconhecer... estou quase me vendo. Falta tão pouco)
- (Eu te amo)
- (Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro)
(Clarice...)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
pra não esquecer
doze meses e lá se vai um ano...
muita coisa, eu sei, vai cair num buraco escuro de esquecimento... fatos pra sempre perdidos (a gente sempre esquece datas e nomes...). não lamento, porém. não estão tão perdidos assim. eu sei, por certo, que tudo que eu vivi e esqueci faz parte de mim de alguma forma e para sempre. eu não vou saber dizer, mas vou sentir. não vou conseguir explicar, mas você vai entender.
ainda assim eu gosto e tento lembrar de tudo. procuro sempre capt(ur)ar o momento. numa foto, numa frase. evidências de que eu estive ali... todas as sensações misturadas: um cheiro que me faz sentir em casa, um som que remete àquele dia, um gosto que faz com que eu queira mais... passar a limpo, saber apreciar o que foi bom, agradecer as oportunidades. sim, porque me espanta a ideia de que nada precisava ser assim e poderia não ter sido! e dá medo pensar nas coisas dessa forma. e faz com que eu me sinta privilegiado em saber que por doze meses (até agora) eu pude ter você ao meu lado, a sua dedicação, sua companhia, os seus cuidados...
e mesmo sem perceber vou inventando uma história que de tempos em tempos paro pra contar pra mim mesmo (e para quem quiser ouví-la). uma colcha de retalhos que se forma das nossas vidas. coisas (muitas) que eu não esqueço nunca!
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
escrevo do lado de cá ainda, quando uma grande coisa vai acontecer, mas ainda não aconteceu, então só dá pra imaginar como será...
ir morar em outra casa, na minha, sozinho, o único responsável para resolver todas as coisas, pagar as contas, comprar o que é necessário, limpar, cuidar, providenciar, é algo que eu espero já há alguns anos. faço planos, faço contas e agora boto a mão na massa, mas acho que eu vou estranhar muito. chegar em casa no fim do dia e ver que tudo está exatamente do jeito que deixou, não ouvir barulhos, nem conversas deve ser estranho de início.
claro que sempre fica um sentimento de saudade de tudo que fica pra trás, afinal, as coisas nunca mais serão como foram até então (e olha que foram boas), mas chega uma hora em que é necessário mudar, expandir, querer mais, experimentar coisas novas. enfim, seguir em frente.
ir morar em outra casa, na minha, sozinho, o único responsável para resolver todas as coisas, pagar as contas, comprar o que é necessário, limpar, cuidar, providenciar, é algo que eu espero já há alguns anos. faço planos, faço contas e agora boto a mão na massa, mas acho que eu vou estranhar muito. chegar em casa no fim do dia e ver que tudo está exatamente do jeito que deixou, não ouvir barulhos, nem conversas deve ser estranho de início.
claro que sempre fica um sentimento de saudade de tudo que fica pra trás, afinal, as coisas nunca mais serão como foram até então (e olha que foram boas), mas chega uma hora em que é necessário mudar, expandir, querer mais, experimentar coisas novas. enfim, seguir em frente.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
(...)
e agora eu ia começar a ler as obras completas do sr. fulano de tal, mas fiquei com preguiça...
preguiça daquelas compridas e arrastadas
de início de tarde dominical.
do gato deitado ao sol.
não, não há vergonha em haver preguiça!
antes a preguiça do que milhares (ou uma dúzia, não importa) de linhas pesando nos olhos.
o português culto de pessoas cultas num rococó pós-moderno.
ideias absurdas rondando minha mente, criando alucinações e distorcendo minha visão...
se eu lesse um parágrafo que fosse daquelas histórias (o labirinto discursivo) iria achá-las pretensiosas e só. iria preferir ir lá pra fora, olhar as nuvens.
e me daria tédio a celebração do intelecto superior, da alma sensível do artista.
desculpe-me, não queria soar grosseiro, sr. fulano de tal.
é só preguiça da sua mania de saber muita coisa e da sua pulsão criativa, que cria coisas belas e ocas. é preguiça de qualquer coisa, ainda mais daquelas que demandam esforço inútil. de todos os textos que começam com um "senhoras e senhores, um minuto de vossa atenção pois venho-lhes trazer a revelação universal", ainda que implicitamente. você sabe que é isso que pensa quando põe-se a bater dedos num teclado ou quando ataca furiosamente a folha branca com sua tinta esferográfica.
preguiça daquelas compridas e arrastadas
de início de tarde dominical.
do gato deitado ao sol.
não, não há vergonha em haver preguiça!
antes a preguiça do que milhares (ou uma dúzia, não importa) de linhas pesando nos olhos.
o português culto de pessoas cultas num rococó pós-moderno.
ideias absurdas rondando minha mente, criando alucinações e distorcendo minha visão...
se eu lesse um parágrafo que fosse daquelas histórias (o labirinto discursivo) iria achá-las pretensiosas e só. iria preferir ir lá pra fora, olhar as nuvens.
e me daria tédio a celebração do intelecto superior, da alma sensível do artista.
desculpe-me, não queria soar grosseiro, sr. fulano de tal.
é só preguiça da sua mania de saber muita coisa e da sua pulsão criativa, que cria coisas belas e ocas. é preguiça de qualquer coisa, ainda mais daquelas que demandam esforço inútil. de todos os textos que começam com um "senhoras e senhores, um minuto de vossa atenção pois venho-lhes trazer a revelação universal", ainda que implicitamente. você sabe que é isso que pensa quando põe-se a bater dedos num teclado ou quando ataca furiosamente a folha branca com sua tinta esferográfica.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
the bike days are back!
depois de quase três anos ensaiando, criei ânimo e voltei a andar de bicicleta.
quer dizer, foi um dia só (hoje) e eu quase morri de cansaço, mas espero continuar animado. evitar a "lotação lotada" de cada dia já é um belo ganho. chegar mais rápido no meu destino é outro.
quer dizer, foi um dia só (hoje) e eu quase morri de cansaço, mas espero continuar animado. evitar a "lotação lotada" de cada dia já é um belo ganho. chegar mais rápido no meu destino é outro.
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