"deveríamos ser tolerantes com qualquer tipo de estupidez, falha e vício, pensando que o que está diante de nós é tão-somente nossa própria estupidez falha e vício, já que esses são erros da humanidade, na qual também nos incluímos, e consequentemente temos também todas as falhas, até mesmo aquelas que nos causam indignação, apenas porque, neste momento, não as manifestamos."
(A. Schopenhauer)
_____________________________________
"Sou humano, e nada que é humano me é estranho"
"ei, amigo, aonde vai? não sabe que estamos todos no mesmo barco e que ele afunda lenta e irremediavelmente?"
[mas isso é tão difícil de colocar em prática, não é mesmo? a primeira coisa que fazemos é dividir o mundo inteiro em nós e os outros, certos e errados, inocentes e culpados, bons e maus. acho revigorante a ideia de que essa dualidade está em cada um de nós. se há algo para mudarmos no mundo deve ser o que há por trás dos olhos.]
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
acho que ainda não me acostumei com seu sorriso.
poderia ficar horas a fio só a olhá-lo fixamente e sentir essa meninice inexplicável brincar em mim.
o frio na barriga que sobe até garganta e se transfigura num sorriso-resposta tolo.
estranho pensar que exatamente agora é pra mim que ele se exibe, doce, radiante.
o sorriso que nasce nos olhos, escorre pelas bochechas e morre (renasce) nos lábios, num fluxo infinito... esforço-me pra decorar cada um dos dentes que você me mostra.
atônito, comovido, tento em vão captar a essência íntima (a poesia) que transborda da tua boca e escorre pela minha.
(tento me guardar em mim, mas você sabe, sempre, exatamente onde estou.)
_________________________
...
poderia ficar horas a fio só a olhá-lo fixamente e sentir essa meninice inexplicável brincar em mim.
o frio na barriga que sobe até garganta e se transfigura num sorriso-resposta tolo.
estranho pensar que exatamente agora é pra mim que ele se exibe, doce, radiante.
o sorriso que nasce nos olhos, escorre pelas bochechas e morre (renasce) nos lábios, num fluxo infinito... esforço-me pra decorar cada um dos dentes que você me mostra.
atônito, comovido, tento em vão captar a essência íntima (a poesia) que transborda da tua boca e escorre pela minha.
(tento me guardar em mim, mas você sabe, sempre, exatamente onde estou.)
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
sobre os três dias que virão...
"E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar."
(Último Romance)
___________________________
Por que a gente não troca toda essa burocracia (essa tv...) por duas (ou três, sei lá) noites no deserto?
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar."
(Último Romance)
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Por que a gente não troca toda essa burocracia (essa tv...) por duas (ou três, sei lá) noites no deserto?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Com seus pássaros
(ou a lembrança dos seus pássaros)
Com seus filhos
(ou a lembrança dos seus filhos)
Com seu povo
(ou a lembrança de seu povo)
Todos emigram...
De uma pátria à outra do templo
De uma praia à outra do atlântico
De uma serra à outra das cordilheiras
Todos emigram...
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o último tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre
Todos emigram...
(Cordel do Fogo Encantado)
_______________________
lembrança
lembrança
lembrança
do corpo...
do coração...
do último tempo
e da primeira dose
hei de partir
para dentro
(ou para todos)
"Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade."
(M. Bandeira)
(ou a lembrança dos seus pássaros)
Com seus filhos
(ou a lembrança dos seus filhos)
Com seu povo
(ou a lembrança de seu povo)
Todos emigram...
De uma pátria à outra do templo
De uma praia à outra do atlântico
De uma serra à outra das cordilheiras
Todos emigram...
Para o corpo de berenice
Ou o coração wall street
Para o último tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre
Todos emigram...
(Cordel do Fogo Encantado)
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lembrança
lembrança
lembrança
do corpo...
do coração...
do último tempo
e da primeira dose
hei de partir
para dentro
(ou para todos)
"Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade."
(M. Bandeira)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
algumas linhas sobre "tropa de elite 2"
assisti novamente ao filme esse sábado (merecia ser revisto) e talvez tenha agora um pouco mais de clareza sobre as impressões que fiquei dele. desde que soube que tropa de elite teria continuação fiquei com muitas expectativas e com a proximidade da estreia a ansiedade só aumentou. sou muito fã do primeiro, por motivos semelhantes pelos quais adorei sua continuação.
primeiro de tudo que o filme é fortíssimo, tem uma trama muito bem estruturada que prende do início ao fim (pelo menos não lembro de ouvir opiniões ao contrário) e que de certa forma incomoda. a partir do ponto de vista do coronel nascimento, nos vemos afundando num mar de lama do qual é quase impossível sair. o "sistema" vai engolindo a tudo e a todos, dando a sensação de que não há muita escapatória.
se no primeiro as atenções se voltavam para a violência em sua expressão mais direta e a dinâmica microssocial que ela supunha (a tensa relação entre o bope, a policia, os traficantes e segmentos da sociedade de modo geral), a sequência nos traz um cenário mais amplo, que faz a violência das ruas desembocar no gabinete do governador (e por que não lá em brasília, conforme sugere uma das últimas cenas?) mostrando o quanto tal situação é movida por interesses políticos. ou seja, nós é exposto de maneira clara o quanto as ações de aparelhos do Estado (como o Bope ou o serviço de inteligência, nos exemplos do filme) são movidas por politicagem e não necessariamente por um "sentimento de dever". achei interessante essa noção (óbvia, mas nem sempre escancarada) de que toda bala tem por trás de si um histórico, um tenso jogo de interesses e de luta por poder. a indústria de violência e da corrupção tem raízes muito mais profundas do que pode-se supor num primeiro momento.
em ambos os filmes gosto da maneira como a questão da violência (e seus desdobramentos) é tratada. nunca de maneira superficial ou maniqueísta. não há nada simples, não há o certo e o errado indubitável. as situações, conforme se apresentam, são justificáveis por alguns e condenáveis por outros. o próprio "herói" do filme tem seus excessos e seus desvios de caráter. ele não está lá para ser celebrado como salvador da pátria. ele próprio se angustia e cria problemas para si nas relações com as pessoas que gosta. apesar de extramente cativante, é um personagem complexo, que nos expõe de maneira clara que ele é mais um dentro daquele intenso jogo, da relação quase caótica entre diversos grupos. ele próprio reconhece que muitas de suas ações não são exatamente elogiáveis ou que, no mínimo trazem desdobramente problemáticos. é impossível legitimarmos e defendermos todas as ações ou posições ideológicas do protagonista ou da "tropa de elite". ambos estão inserido num contexto do qual ninguém tem uma visão ampla e isenta. cada um está ali pra defender o seu. é um retrato um tanto quanto cru e cruel, mas, na minha opinião, muito bem feito, na medida em que nos instiga a pensar de maneira complexa no todo.
bom, desnecessário falar que tecnicamente o filme é muito bem feito e não é à toa que tem levado tantas pessoas ao cinema.é um bom filme de ação (mas espero que esse seja só um dos muitos aspectos a serem levados em conta ao se assistí-lo). além disso merece ser sublinhada a excelente atuação do wagner moura no papel de um coronel nascimento treze anos mais velho, cansado e sob constante tensão.
primeiro de tudo que o filme é fortíssimo, tem uma trama muito bem estruturada que prende do início ao fim (pelo menos não lembro de ouvir opiniões ao contrário) e que de certa forma incomoda. a partir do ponto de vista do coronel nascimento, nos vemos afundando num mar de lama do qual é quase impossível sair. o "sistema" vai engolindo a tudo e a todos, dando a sensação de que não há muita escapatória.
se no primeiro as atenções se voltavam para a violência em sua expressão mais direta e a dinâmica microssocial que ela supunha (a tensa relação entre o bope, a policia, os traficantes e segmentos da sociedade de modo geral), a sequência nos traz um cenário mais amplo, que faz a violência das ruas desembocar no gabinete do governador (e por que não lá em brasília, conforme sugere uma das últimas cenas?) mostrando o quanto tal situação é movida por interesses políticos. ou seja, nós é exposto de maneira clara o quanto as ações de aparelhos do Estado (como o Bope ou o serviço de inteligência, nos exemplos do filme) são movidas por politicagem e não necessariamente por um "sentimento de dever". achei interessante essa noção (óbvia, mas nem sempre escancarada) de que toda bala tem por trás de si um histórico, um tenso jogo de interesses e de luta por poder. a indústria de violência e da corrupção tem raízes muito mais profundas do que pode-se supor num primeiro momento.
em ambos os filmes gosto da maneira como a questão da violência (e seus desdobramentos) é tratada. nunca de maneira superficial ou maniqueísta. não há nada simples, não há o certo e o errado indubitável. as situações, conforme se apresentam, são justificáveis por alguns e condenáveis por outros. o próprio "herói" do filme tem seus excessos e seus desvios de caráter. ele não está lá para ser celebrado como salvador da pátria. ele próprio se angustia e cria problemas para si nas relações com as pessoas que gosta. apesar de extramente cativante, é um personagem complexo, que nos expõe de maneira clara que ele é mais um dentro daquele intenso jogo, da relação quase caótica entre diversos grupos. ele próprio reconhece que muitas de suas ações não são exatamente elogiáveis ou que, no mínimo trazem desdobramente problemáticos. é impossível legitimarmos e defendermos todas as ações ou posições ideológicas do protagonista ou da "tropa de elite". ambos estão inserido num contexto do qual ninguém tem uma visão ampla e isenta. cada um está ali pra defender o seu. é um retrato um tanto quanto cru e cruel, mas, na minha opinião, muito bem feito, na medida em que nos instiga a pensar de maneira complexa no todo.
bom, desnecessário falar que tecnicamente o filme é muito bem feito e não é à toa que tem levado tantas pessoas ao cinema.é um bom filme de ação (mas espero que esse seja só um dos muitos aspectos a serem levados em conta ao se assistí-lo). além disso merece ser sublinhada a excelente atuação do wagner moura no papel de um coronel nascimento treze anos mais velho, cansado e sob constante tensão.
sábado, 6 de novembro de 2010
do momento
o momento agora, meu filho, é de calma extrema (respire... respire...).
a profunda calma de sentí-lo em toda a sua leveza (invente-a!).
a serenidade desentranhada com força, deseperadamente, do insólito...
deixar-se estar descrente e sereno... cinicamente sereno (de uma serenidade displicente)
esperar pelo processo de depuração, sem esperar mais nada (não há o que esperar)
é o momento meu filho...
de ser mínimo, mas resoluto. estar atento e manter-se frio (a verdade agridoce...).
é a véspera do mistério e da revelação, a véspera de qualquer outra coisa (evite sorrisos).
faça todas (todas!) as perguntas do mundo, mas não (e aqui cabe a súplica de um pai enternecido),
de forma alguma espere respostas. não é o momento de respostas (há lodo nos lábios),
não creia, não ore, não peça nada, desconfie do que se supõe ver (há lodo nos olhos),
aproxime-se lentamente, meça seus passos, flutue (há lodo no chão e em todo lugar).
é o momento meu filho...
de beber dessa garrafa, destampada, em cima da mesa (um grande e vigoroso gole)
é tempo de contrição, de reservas, manter-se sabiamente ignorante, silenciar deus e o diabo
esperar e duvidar do exato segundo (ainda por vir) de confluência dos opostos (caótica, natural)
desejar intensamente, com todos os dedos da mão, com toda a força da alma (duvide da alma!!!)
manter-se inerte, irredutível. ter a calma (novamente ela) de violentar os próprios sonhos.
há todo um corpo, de sensações, de sentimentos. fuja dele, busque-o furiosamente. respire...
meu filho (tolo como o pai), pode ser que amanhã não, mas hoje deve-se manter a janela fechada (espie com cautela).
________________________________
“Eu não devia te dizer
mas essa lua,
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”
(Carlos Drummond de Andrade)
"e lá vai deus sem sequer saber de nós. saibamos pois, estamos sós."
a profunda calma de sentí-lo em toda a sua leveza (invente-a!).
a serenidade desentranhada com força, deseperadamente, do insólito...
deixar-se estar descrente e sereno... cinicamente sereno (de uma serenidade displicente)
esperar pelo processo de depuração, sem esperar mais nada (não há o que esperar)
é o momento meu filho...
de ser mínimo, mas resoluto. estar atento e manter-se frio (a verdade agridoce...).
é a véspera do mistério e da revelação, a véspera de qualquer outra coisa (evite sorrisos).
faça todas (todas!) as perguntas do mundo, mas não (e aqui cabe a súplica de um pai enternecido),
de forma alguma espere respostas. não é o momento de respostas (há lodo nos lábios),
não creia, não ore, não peça nada, desconfie do que se supõe ver (há lodo nos olhos),
aproxime-se lentamente, meça seus passos, flutue (há lodo no chão e em todo lugar).
é o momento meu filho...
de beber dessa garrafa, destampada, em cima da mesa (um grande e vigoroso gole)
é tempo de contrição, de reservas, manter-se sabiamente ignorante, silenciar deus e o diabo
esperar e duvidar do exato segundo (ainda por vir) de confluência dos opostos (caótica, natural)
desejar intensamente, com todos os dedos da mão, com toda a força da alma (duvide da alma!!!)
manter-se inerte, irredutível. ter a calma (novamente ela) de violentar os próprios sonhos.
há todo um corpo, de sensações, de sentimentos. fuja dele, busque-o furiosamente. respire...
meu filho (tolo como o pai), pode ser que amanhã não, mas hoje deve-se manter a janela fechada (espie com cautela).
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“Eu não devia te dizer
mas essa lua,
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”
(Carlos Drummond de Andrade)
"e lá vai deus sem sequer saber de nós. saibamos pois, estamos sós."
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dialética do aborrecimento,
versos inventados
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
(...)- você, sua imagem me assusta...
- haha! não, você é que tem medo de tudo (até de sentir medo)! pensa cinquenta vezes antes de dar o mínimo passo, supondo que isso é viver bem, ser cauteloso. sei que, fosse outro e não eu, o medo seria o mesmo.
- ...
- infelizmente o teu cérebro, a tua celebrada consciência (conscienciosidade) não vai te salvar... o máximo que você faz é sofrer por antecipação e deixar de aproveitar a parte boa que lhe cabe. por que você nunca pensa que o copo está meio cheio? por que esse pessimismo tão entranhado?
- acho que é algum tipo de doença da alma ou da mente, mas foda-se. quem você pensa que é pra vir me dizer essas coisas!? eu não ajo assim porque quero! sou eu que passo noites em claro com a cabeça latejando em angústias! é o meu e não o seu peito que tem que aguentar as marteladas de um coração que se desfaz com o vento!
- hahaha, você é um sarro mesmo! pensa mesmo que é só o seu? acha que, por acaso, aguenta em si toda a sensibilidade do mundo? não, meu caro. somos todos companheiros de infortúnio. todos nós carregamos o peso de uma vida inteira. nesta cidade há 10 milhões de solitários e insatisfeitos. a diferença é que alguns, como você, pensam que nisso como um grande problema.
- não sei, não sei... acho que tô velho pra essas coisas, não sei por quanto tempo ainda aguento. talvez eu só queira um lugar tranquilo pra descansar... um par de braços abertos, meia dúzia de palavras bonitas. é difícil mergulhar de cabeça no espaço vazio, sabendo que não há pára-quedas e nem perspectivas.
- pára-quedas? por quê!? pra quê!? a própria queda é o objetivo último da vida. quando chegar no final vamos ver o tamanho do buraco que você fez no chão e aí sim saberemos se a sua existência (o teu pulo) valeu a pena... não meu filho (meu irmão, meu pai, minha danação), não queira sair ileso; sua natureza, sua realidade, sua metafísica é a (auto)destruição. ótimo se você é capaz de esfarelar a porra desse seu coração, espalhá-lo por aí pelo mundo, dá-lo a quem é de direito... ainda que doa mais do que qualquer coisa. a cada um a parte que lhe cabe, um choro em silêncio e só. será que você consegue rir disso?
- cala a boca. odeio esse seu ar de superioridade. você é tão cretino quanto eu...
- pode ser... chame o garçom.
______________________________
e não é que eu não valorize os poucos indícios escondidos nas tuas aspas e que colho com tanto custo nos teus olhos de nuvem. não é que eu não dê importância ao que foi dito e ao que ficou subentendido...
acho que o que tenho é só uma doença que vem de vez em quando, mas depois vai (e me deixa vazio, mas contínuo).
"Já não me entendo mais. Meu subconsciente
Me serve angústia em vez de fantasia,
Medos em vez de imagens. E em sombria
Pena se faz passado o meu presente."
(M. Bandeira)
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
raios de sol em dias verde-claros
o que se deu então foi uma terrível queda-de-braço entre nós. e se eu digo "nós", distinguindo um "você" e um "eu", devo esclarecer que é mera formalidade empírica, por estarmos opostos, frente a frente. na verdade a batalha foi entre uma pequena parte de mim, a mais franzina, que ainda insistia em se manter em combate e você (total, indivísivel, de aço) e também contra os meus pedaços, que estavam contra mim, ou simplesmente se eximiam de qualquer posicionamento.
esse é um ponto, aliás, que merece maior atenção. fragmentos da minha "individualidade" (nesse momento já inteiramente dividida) que por motivações diversas (ou ausência delas) estavam em conflito. talvez por sadismo, um perverso gosto por incitar sensações dolorosas e desnorteantes. Ou então por complacência, por querer me desencorajar a tomar atitudes que, no fim, seriam de fato a perdição. Arrisco ainda uma última motivação, que é a da derrota por antecipação, o sentimento já arraigado por completo de que a derrota é certa e, portanto, não há mais o que se fazer. há também aqueles, em mim, que ficam em cima do muro; respondem a tudo com hesitação, o peso de reticências que prostam. pecam pela inércia, pelo sangue amarelo e aguado que lhe (me) corre às veias, pela ausência de pulsão, que constroi e destroi, mas que ainda assim levam a algum lugar. enfim, tal é o enorme esforço que devo fazer para dar o mínimo passo. e que fique bem claro, não é minha intenção justificar eventuais derrotas, mas sim descrever melhor os termos em que se dava esse embate (e os outros).
sustentar-me resoluto em nosso desafio, era aceitar a enorme disparidade de forças estabelecida. era estar em desvantagem logo de saída, pelo simples fato de ser eu. porém, o que devo (e quero) ressaltar é que, ciente de tudo isso, do terror que era estar ali olhando diretamente nos seus olhos de abismo, não movi um dedo. meu braço não tinha (não tem) a mesma força que o seu, que era feito de nuvens, sons, cores e cheiros (a mesma matéria dura com a qual erguem-se edifícios) e seria loucura insistir no desafio. mas continuei por instinto e orgulho. o instinto de auto-preservação que tanto me falta na maioria das vezes, mas que dessa vez aflorava tímido, mas resoluto. e o orgulho, força que de fato me mantia, me impedia de dar o braço a torcer. não assim tão fácil. o mínimo que poderia fazer é manter-me resoluto, criar-lhe tantas dificuldades em ganhar de mim que ainda seria lembrado como um bom adversário. sim, esse é meu braço. por debaixo da minha pele, correndo em minha veias, há (também) orgulho. substância que dá alguma força, que mantém o brilho fraco que há em meus olhos e o sorriso quase morto esculpido na minha cara.
(...)
você acreditaria se eu confessasse que falo de raios de sol em dias verde-claro?
________________________________
"você é louco!? por que faz uma coisa dessas?"
esse é um ponto, aliás, que merece maior atenção. fragmentos da minha "individualidade" (nesse momento já inteiramente dividida) que por motivações diversas (ou ausência delas) estavam em conflito. talvez por sadismo, um perverso gosto por incitar sensações dolorosas e desnorteantes. Ou então por complacência, por querer me desencorajar a tomar atitudes que, no fim, seriam de fato a perdição. Arrisco ainda uma última motivação, que é a da derrota por antecipação, o sentimento já arraigado por completo de que a derrota é certa e, portanto, não há mais o que se fazer. há também aqueles, em mim, que ficam em cima do muro; respondem a tudo com hesitação, o peso de reticências que prostam. pecam pela inércia, pelo sangue amarelo e aguado que lhe (me) corre às veias, pela ausência de pulsão, que constroi e destroi, mas que ainda assim levam a algum lugar. enfim, tal é o enorme esforço que devo fazer para dar o mínimo passo. e que fique bem claro, não é minha intenção justificar eventuais derrotas, mas sim descrever melhor os termos em que se dava esse embate (e os outros).
sustentar-me resoluto em nosso desafio, era aceitar a enorme disparidade de forças estabelecida. era estar em desvantagem logo de saída, pelo simples fato de ser eu. porém, o que devo (e quero) ressaltar é que, ciente de tudo isso, do terror que era estar ali olhando diretamente nos seus olhos de abismo, não movi um dedo. meu braço não tinha (não tem) a mesma força que o seu, que era feito de nuvens, sons, cores e cheiros (a mesma matéria dura com a qual erguem-se edifícios) e seria loucura insistir no desafio. mas continuei por instinto e orgulho. o instinto de auto-preservação que tanto me falta na maioria das vezes, mas que dessa vez aflorava tímido, mas resoluto. e o orgulho, força que de fato me mantia, me impedia de dar o braço a torcer. não assim tão fácil. o mínimo que poderia fazer é manter-me resoluto, criar-lhe tantas dificuldades em ganhar de mim que ainda seria lembrado como um bom adversário. sim, esse é meu braço. por debaixo da minha pele, correndo em minha veias, há (também) orgulho. substância que dá alguma força, que mantém o brilho fraco que há em meus olhos e o sorriso quase morto esculpido na minha cara.
(...)
você acreditaria se eu confessasse que falo de raios de sol em dias verde-claro?
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"você é louco!? por que faz uma coisa dessas?"
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dialética do aborrecimento,
pra ninguém,
solilóquio
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
vá ser triste (um pouco pelo menos)! entre um cigarro e outro, preste atenção no gosto amargo que fica na boca (tua bile) e te faz sentir remorso. prova cabal de que há vida, ainda que não saiba exatamente o que fazer com ela...
por que não se retira por um momento? nem todas as sextas-feiras têm que ser iguais... tem dia que a bebida simplesmente não desce e a secura na garganta atordoa. aceite esta pausa para o humano arrependimento.
a turba lá fora canta alto, festeja a morte próxima e o silêncio vindouro. mas você não consegue sair de casa, porque a casa está em você (mas ainda assim sente-se um estrangeiro).
________________________________
"Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv, que eu vou de vez,
Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"
(santa chuva)
por que não se retira por um momento? nem todas as sextas-feiras têm que ser iguais... tem dia que a bebida simplesmente não desce e a secura na garganta atordoa. aceite esta pausa para o humano arrependimento.
a turba lá fora canta alto, festeja a morte próxima e o silêncio vindouro. mas você não consegue sair de casa, porque a casa está em você (mas ainda assim sente-se um estrangeiro).
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"Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv, que eu vou de vez,
Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"
(santa chuva)
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
(Vinícius de Moraes)
___________________________
poeta. vagabundo. vinícius.
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