segunda-feira, 23 de maio de 2011

22/05

um tempo sumido e agora um ano mais velho...
sim, essas contagens de tempo me impressionam, me fazem pensar (e escrever). quem der uma fuçada pelas linhas anteriores vai perceber isso.
é sempre a ideia (um tanto assustadora) da areia do tempo escorrendo pelas mãos e a gente indo, indo, sem saber muito bem pra onde. um acúmulo de incertezas, lembranças e esquecimentos.

mas não é sobre isso que quero e devo falar agora. a hora é de agradecer as pessoas presentes, as horas passadas, as boas risadas, os abraços sinceros (de quem estava sumido e de quem está sempre por aqui)... vocês sabem, tudo isso faz muito a diferença.
e agradecer mais ainda quem te tira da cama logo cedo num domingo e ainda te faz gostar disso. quem, por um momento (e por muitos) te faz sentir a pessoa mais especial do mundo e isso se traduz em tudo, numa coxinha, num café ou num "eu te amo".
é o que sei, que este é o momento de prestar atenção na pequena felicidade (simples, quase óbvia) que se consegue construir num dia qualquer (como ontem, por exemplo). percebe?

e se alguém não é capaz de captá-la, só posso lamentar... talvez essa vida seja um pouco mais chata e difícil de viver...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

sobre uma banda


puxa, bem uns dez anos que eu me considero um curioso por música e acredita que ainda não tinha parado pra ouvir ramones com a atenção que eles merecem? um pouco por pé atrás mesmo; bandas e músicos assim, muito acima de qualquer suspeita, acabam entediando e cheirando a charlatanismo, já que muita gente diz que gosta, paga de camisetinha por aí e nem sabe o que é.

claro, impossível não conhecer meia dúzia de música deles, afinal são a influência de dezenas de bandas da atualidade, mas foi a primeira vez que peguei um cd específico e ouvi algumas vezes do começo ao fim. no caso o rocket to russia.

ah, eu achei bem legal, mais até do que pensei que acharia... o som deles me passou uma certa espontaneidade e ingenuidade juvenil (estão mesmo preocupados em se divertir), talvez porque seja bem direto, cru, com um alto astral e uma energia autênticas. bem à moda punk mesmo, mas talvez menos pretensioso (na temática das músicas e na postura dos caras) que o the clash, sex pistols ou dead kennedys, por exemplo. ainda vou ouvir mais, procurar alguns outros cds, mas a minha primeira impressão foi bem positiva.

"Do you, do you, do you, do you wanna dance?"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

182 dias

seis meses atrás era quarta-feira também... dia normalmente bem sem-graça (meio de semana!), mas com certeza menos quando recebemos convites inesperados à 1 da tarde. ou quando passamos a tarde ansiosos pela noite... será que você consegue se lembrar de cada detalhe? do que foi dito e do que ficou subentendido?
puxa vida, um piscar de olhos e lá se vão seis meses. quanta coisa mudou! quanta coisa ainda vai mudar (tenho certeza).
hoje também é 27, também é quarta-feira. mas quando der 1 hora eu que vou ligar pra você.

(é como eu disse antes, parece que foi ontem, parece que foi sempre...)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

sobre umas bandas...

ouvindo frequentemente um tal de the drums...
nunca tinha ouvido falar dessa banda, até saber que eles tocaram aqui em são paulo (e agora sei que são definidos como indies e são de nova iorque). como sou curioso baixei uma músicas (sei lá, talvez o nome tenha me chamado a atenção). não saberia definir muito bem ou tecer comentários sobre o som deles. no máximo que o som deles é bonitinho, tem um toque dançante, com uns arranjos animadinhos, meio anos 80 (e agora procurando coisas na internet descobri que os comparam com the smiths e joy division). destaque para let's go surfing e don't be a jerk, johnny.

...

tem também o holger, banda nacional ainda mais desconhecida (até porque é nacional...). baixei o cd deles, "sunga", confesso que achei um pouco estranho no começo, mas depois, no dia seguinte, deu vontade de ouvir de novo e de novo...
eles cantam em inglês, tinham tudo pra cair num som pasteurizado, mas tem uma sonoridade bem própria. as músicas são contagiantes, a bateria, na maioria das músicas se destaca (podem prestar atenção nela, quase sempre numa levada mais solta, menos rock) e ajudam a dar um clima meio "festivo" às músicas. juntando a isso riffs de guitarra espertos e bem construídos (muitas vezes de maneira original) e um baixo "presente", chega-se num resultado diferente (no qual se percebem muitas influências, ainda que seja difícil de identificá-las de todo) e muito agradável.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

algumas linhas sobre "50 anos a mil"


tem um tempo já que eu li esse livro, nem sei por que agora que resolvi escrever um pouco sobre ele. aliás, por que não escrevi antes? gostei muito, me fez admirar ainda mais o lobão e passei um bom tempo me divertindo com seu meio século de aventuras. o cara com certeza foi e é um porra-louca, polêmico, não poupa nada, nem ninguém, fala o que pensa (e geralmente são coisas muito interessantes, que se eu não concordo, pelo menos valorizo pela contundência e a coragem).

como toda biografia (as que eu conheço, pelo menos), essa conta a história do cara desde a infância até os tempos mais recentes. confesso que me interessei mais pela parte que trata especificamente do momento em que a música começa a fazer efetivamente parte da vida dele. histórias familiares, com exceção dos escândalos e dos absurdos parecem distantes e pacatas, aindas que de suma relevância para quem conta. interessante também notar como uma pessoa a princípio tímida e retraída, vai se tornando mais expansiva, rodeada por pessoas, atuante e envolvida em projetos.

aliás, como a vida dele é cheia de capítulos intensos! assim, de cabeça, lembro dele narrando quando deu uma surra enorme no pai dele, o relacionamente problemático e as tentativas de suicídio da mãe (e a derradeira, bem sucedida), seus dias na prisão (preso por porte de drogas), as amizades e encontros com figuras ímpares, as suas próprias tentativas de suicídio, a vida boêmia e intensa (regada a muita droga)... enfim, muitos "causos" que já se perderam nesses meses desde que terminei de lê-lo, mas que fizeram crer que realmente seus 50 anos foram a mil.

incrível como a trajetória dele como músico é um bom pedaço da história da música brasileira e do rock principalmente. fez parte do Vímana, banda com, entre outros, Ritchie e Lulu Santos; ajudou a fundar a Blitz (e pulou do barco antes de seu estrondosso sucesso), se apresentou no rock in rio, tocou com muita gente interessante, peitou a indústria fonográfica (defendendo a criminalização do "jabá" e pela numeração dos cds), se aventurou pelo mercado da música independente (inclusive com um projeto que eu gostei muito enquanto durou que foi a revista outracoisa, que lançou ótimos cds como do bidê ou balde, cachorro grande, b negão, wander wildner, plebe rude e do próprio lobão) e claro, teve, desde 1982 até agora um carreira solo muito profícua e sólida (se não tanto mercadologicamente, o que nunca foi seu forte, pelo menos na composição e produção de novos discos).

claro que isso, da minha parte, é também uma opinião de fã. tirando os grandes sucessos (dos quais eu gosto, mas acho menos interessantes em comparação com o que veio depois), acho muito bom o que ele produziu na sua fase independente. o primeiro cd que eu ouvi com afinco e empolgação foi o "canção dentro da noite escura", de 2005. depois dele vieram o ótimo, mas espantosamente mal sucedido em vendas, acústico mtv (acho que de 2007), um ao vivo, que não me chamou muito a atenção e o "a vida é doce" (com toques de música eletrônica, que a princípio não me agradam muito, mas que nesse caso corroboraram para um clima pesado e sofrido em músicas como na que dá nome ao cd), comprado num sebo por aí. por fim, curioso pelo que li sobre a composição e produção dos cds (e com a facilidade de se baixar os cds inteiros da internet) tive curiosidade de ouvir coisas mais do início da carreira ("cena de cinema" e "ronaldo foi pra guerra"), que sinceramente me soaram datados e não chegaram a me empolgar (quem sabe numa próxima ouvida...). o último que eu baixei foi o "uma odisséia no universo paralelo", de 2001. esse sim me pegou de jeito.

ah, era pra falar mais sobre o livro em si, mas como se trata de um músico, nada mais natural casar o que se lê com o que se ouve. ainda assim, e para além de seus "dotes musicais" (que talvez não tenha tantos adeptos por aí), vale muito frisar a sacadas geniais (e engraçadas) do cara, que tem uma língua enorme e atira pra todo lado, sempre com fundamentos. gosto muito de ouvir a opinião dele sobre diversos assuntos, porque, mesmo que eu discorde dele, o acho inteligente, bem articulado e dou muita risada de sua irreverência e do teor cáustico de suas colocações (como em relação aos novos nomes do rock nacional, por exemplo). procurem no youtube que tem um monte de coisa.

fica por último uma frase do livro dele que eu gostei muito e resolvi pegar pra mim (e que espero que possa me acompanhar vida afora): "(...) o melhor ainda está por vir". acho que não poderia haver maneira melhor de amarrar uma biografia do que com essa frase... afinal, nada de considerá-la encerrada antes da hora, mas sim na expectativa de que os melhores capítulos são que virão a seguir.

segunda-feira, 28 de março de 2011

alguma linhas bobas sobre um e-mail em power point

Normalmente eu costumo apagar direto os spams que recebo por e-mail, em especial esses com mensagens de auto-ajuda, espirituais, de "amor e luz" e blá blá blá. Tudo muito tosco, mal-feito, inoportuno e piegas pro meu gosto... Mas, puxa, dessa vez eu recebi um que eu achei muito legal, por casar com muita coisa que penso, quase que diariamente, sobre a vida (a minha especificamente). É um cara supostamente entrevistado pela revista IstoÉ, não chequei a veracidade, até por que não me importa.

"Pergunta: Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus, isso é verdade?

Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade: A primeira, é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, ou por não ter comprado isto ou aquilo, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida. Todos, na hora da morte.... "dizem se arrepender de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.”... aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas”.

Eu penso exatamente assim sobre essas quatro "loucuras" e me impressiona o quanto uma está tão intimamente ligada à outra. As pessoas de forma geral adoram considerar e impor uma única maneira de agir e se comportar (o jeito "certo") e normalmente ele passa por ter sucesso e comprar muitas coisas, com o objetivo (suposto e vão) de ser "feliz", como se a vida fosse um caminho reto, pré-definido.

Quem acompanha minhas postagens há algum tempo sabe o quanto esses assuntos rondam meus pensamentos e o quanto eles me incomodam... ninguém é feliz porque tem sucesso, ninguém é feliz por poder comprar muitas coisas e definitivamente, ninguém é feliz todos os dias (ainda bem!). Essa vida que querem nos vender não existe e no máximo vai nos fazer perder o tempo em que poderíamos aproveitar as nossas próprias e nos tornar infelizes e desgostosos pelo que não temos, por mais que consigamos coisas estaremos sempre em busca de algo mais, que não está lá e por isso é inalcansável... Acredito, como foi colocado acima, numa coisa muito menor, mais palpável e recompensadora. Acredito na pluralidade de caminhos, todos eles por descobrir, passo a passo (aquela coisa clichê, mas tão verdadeira de "o caminho se faz ao caminhar"). Acredito na imensa felicidade que contém momentos triviais, que poderia passar desapercebido no turbilhão do dia-a-dia; uma tarde no cinema, um jantar agradável, uma mesa de bar, acordar ao lado de alguém especial, a sensibilidade de poder desfrutar a parte que nos cabe da melhor maneira... enfim, não quero soar sentimentalóide (comercial de margarina!), mas é isso. Pra saber que, por mais que coloquemos para nós um objetivo e lutemos para alcancá-lo, não é isso que vai nos tornar plenos, satisfeitos, não nos tornaremos pessoas melhores asssim (se é que é esse o objetivo).

E que fique claro que não significa que eu não dê importância às coisas que podemos comprar ou aos benefícios em ter uma vida bem sucedida (seja lá o que isso signifique e ainda acho que pra cada um signifique uma coisa).Sei lá, ainda tem muitas coisas que eu espero poder desfrutar e que eu possa proporcionar às pessoas que eu gosto, muitas delas materiais ou que dependem de uma condição financeira razoável, mas de maneira nenhuma é isso que me move, não é o que eu espero levar da vida e nem quero que seja essa a imagem que as pessoas façam de mim. E mais além, que eu tenha paciência e discernimento pra saber superar momentos infelizes que eu sei que terei, justamente pra poder valorizar o que vier de felicidade...

quarta-feira, 23 de março de 2011

preciso te contar uma coisa

, é que tem horas que eu simplesmente não sei o que dizer, nem como, aí eu me calo. ou arrisco alguns assuntos superficiais.
na verdade eu tenho muito o que falar, mas eu guardo, por princípios,  pudor ou preguiça. há ouvidos e ouvidos, cabeças e cabeças... e pra algumas eu simplesmente não gostaria, não faço questão de dizer o que penso (ou dispenso todo o trabalho). pra essas ocasiões eu tenho sempre um sorriso amarelo e um leve balançar de cabeça.

mas pra você... pra você eu arrisco, me exponho, entrego ingenuamente meu melhor e meu pior (na expectativa de que seja o melhor que se sobresaia). inundo teu ouvido com uma infinidade de palavras, um desencontro de ideias, opiniões e pensamentos (e piadas, claro). e como uma criança, preciso da tua aprovação, preciso que você escute, inclusive com os olhos, as bobeiras que eu tenho pra dizer e que pra mim são muito importantes (preciso que você diga que meu desenho é bonito!). preciso que você me admire e me ache uma pessoa especial... mesmo eu sendo só mais um.
veja bem, meu bem, eu não quero SER uma pessoa especial, mas queria parecer assim. que você fosse cega o suficiente pra me achar especial...
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sabe como é, né?

quinta-feira, 10 de março de 2011

veja bem, meu bem

"(...) Se felicidade é brinquedo? Em potencial talvez seja, mas que graça haveria num brinquedo que já contém em si toda a brincadeira?
Eu quero agir, movimentar, montar, mexer (com você, em você).
É brinquedo nas mãos de gente grande (nas minhas, nas tuas), essa gente que perde o jeito da coisa... e será que nós ainda sabemos brincar? E ver encanto em uma bolinha de sabão, graça em andar sem pisar nas linhas dos desenhos das calçadas, e se divertir pulando em uma poça d'água, e se molhar, e tudo bem se isso acontecer. Será que conseguimos?
Afinal, não é isso mesmo que o brinquedo vende? A brincadeira, a felicidade em se brincar... (...) brincar de construir, blocos de montar, peça por peça, cuidadosamente para não desabar, e se acontecer, paciência, sentar e construir tudo de novo.

Já havia escrito isso há alguns dias, porém pareceu-me muito acertado voltar aos rascunhos e reorganizar, e voltar a pensar, e fazendo isso percebi que tudo vem muito ao encontro do que conversamos outro dia (conversa calorosa), de valorizar as coisas pequenas, as possibilidades, e achar graça nisso, e não cobrar tanto de si e dos outros para que as coisas sejam mais do que podem ser, essa mania de gente grande (e tola) de querer sempre mais, e as vezes perder o encanto, talvez singelo encanto, daquilo que é fundamental, e por assim ser, passa desapercebido.
(...) É assim que deve ser, é assim de há de ser comigo, com você, e esta certo, pois é isso, é fundamental.
E que a gente continue "se brincando".
(e muito mais...)"

* excertos de uma carta encontrada dentro de uma garrafa à deriva no mar ou de frases pixadas pelos muros da cidade ou psicografadas por um médium ou ainda rabiscadas nas linhas de um caderno (ou será que eu sonhei?)... vai saber.
a autoria talvez eu saiba, mas não ouso dizer... e o que ela sabe que eu não sei?
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"Felicidade...felicidade é brinquedo, é um quebra-cabeça espalhado no teu corpo, tua boca, teu gosto, as palavras, os sorrisos, os olhos, o olhar, a pele, os cravos, os pelos, o cheiro, o formato dos joelhos quando está sentado, teu jeito de andar, de falar, de pensar, de fazer...
A junção de todas essas peças...você...e talvez também a peça que me faltava..."

sigo assim.

sexta-feira, 4 de março de 2011

repisando folhas mortas

“Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cale-se!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cale-se!)

“Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cale-se!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno”

(C. Buarque)
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há infinitas maneiras de viver e de morrer... que eu invente as minhas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

algumas linhas sobre "cisne negro"

confesso que fui assistir a esse filme com um pouco de preguiça, achando que não corresponderia as expectativas que muitos comentários me fizeram ter. o fato é que não sabia o que esperar, mas o que eu encontrei foi de tirar o fôlego.

o grande tema aqui é a busca obssessiva pela perfeição, reinventar-se, ultrapassar limites fisicos e psicológicos em favor da arte e o processo doloroso e auto-destrutivo que isso se torna. Mais ainda, a beleza estética e artística está muito mais próxima do que se imagina do horripilante, do insano. Sem querer entrar em detalhes quanto ao roteiro, o cisne negro representa de certa forma o oposto de Nina (e do cisne branco presente também no balé e no filme) e para ela, assumir tal papel é também deixar de ser quem ela é.
 
a história  tem uma atmosfera constantemente tensa e assustadora, que incomoda e absorve. parece o tempo todo que algo está para acontecer. me senti realmente imerso na psicologia da personagem principal, com suas angústias e obsessões no espaço sufocante no qual ela se insere (a extrema cobrança de si mesmo em ser perfeita, a inveja das outras bailarinas, a vida que se resume entre casa e o balé, uma mãe superportetora...). e acho que é desnecesário dizer que a natalie portman tem uma atuação empolgante.
 
enfim, há uma infinidade de pontos que eu nem de longe toquei aqui (a sexualidade de Nina e sua relação com os outros personagens, principalmente Lily e o Thomas, o diretor, por exemplo), mas fica aqui o registro de quanto o filme me absorveu.

(ah, a cena em que ela finalmente dança o cisne negro é simplesmente maravilhosa, arrepiante!)
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"eu senti. foi perfeito."