"bem, senhor fulano de tal, tenho por dever informá-lo que analisamos detidamente todo o seu histórico, suas declarações anteriores, o testemunho de pessoas de vosso convívio, os arquivos contidos em nosso bancos de dados e podemos afirmar com toda a certeza que o senhor é um grandessíssimo idiota."
_________________
"mas, não há nada que eu possa fazer!?"
"não senhor, sinto muito... o que está feito, está feito"
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
daquela noite em que tocava "moose the mooche"
era quase madrugada e isso não importava,
nenhum barulho lá fora, a não ser um carro ou outro passando
da janela, uma grande lua branca testemunhava minha decadência
aquela casa era minha, os meus tijolos, minhas paredes, mas eu era um estranho
talvez os pensamentos não fossem meus...
e apesar de haver um indefinível gosto amargo na minha boca,
àquela altura eu não me lembrava de coisa alguma
charlie parker improvisava ensandecido em seu sax
e isso pra mim bastava no momento.
concentrei-me na sucessão vertiginosa de notas
as imaginei rodopiando pelo ar
tudo era som, afinal.
"talvez eu tivesse sido um bom músico de jazz;
tocaria com os melhores e morreria aos 34".
"sim", respondeu um interlocutor imaginário,
talvez tivesse sido um bom músico,
ou escritor, desenhista, cientista, ou qualquer coisa...
mas não poderia ser melhor homem-medíocre,
para isso você tem talento inigualável.
espantei-me com aquela resposta,
fiz um esforço para que a música que ecoava
abafasse qualquer tentativa daquela voz de continuar
"afinal, tudo é som".
pelo menos naquela noite deveria ser.
nenhum barulho lá fora, a não ser um carro ou outro passando
da janela, uma grande lua branca testemunhava minha decadência
aquela casa era minha, os meus tijolos, minhas paredes, mas eu era um estranho
talvez os pensamentos não fossem meus...
e apesar de haver um indefinível gosto amargo na minha boca,
àquela altura eu não me lembrava de coisa alguma
charlie parker improvisava ensandecido em seu sax
e isso pra mim bastava no momento.
concentrei-me na sucessão vertiginosa de notas
as imaginei rodopiando pelo ar
tudo era som, afinal.
"talvez eu tivesse sido um bom músico de jazz;
tocaria com os melhores e morreria aos 34".
"sim", respondeu um interlocutor imaginário,
talvez tivesse sido um bom músico,
ou escritor, desenhista, cientista, ou qualquer coisa...
mas não poderia ser melhor homem-medíocre,
para isso você tem talento inigualável.
espantei-me com aquela resposta,
fiz um esforço para que a música que ecoava
abafasse qualquer tentativa daquela voz de continuar
"afinal, tudo é som".
pelo menos naquela noite deveria ser.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Apologia
Cheirava e beijava todos os seus poros
todos os seus orifícios
decorei em tempo recorde
as maneiras com que ficava arrepiada
girava e girava-a sem descanso
puxava seus cabelos
descompasso
passo a passo
fiz um pedido
“me morde”
ela se fez de desentendida
abriu os olhos
percebi que se passou algo
comigo e com ela
não fomos os mesmos desde então
nunca mais
http://bassbassbass.blogspot.com/2011/06/apologia.html
________________________________
Cheirava e beijava todos os seus poros
todos os seus orifícios
decorei em tempo recorde
as maneiras com que ficava arrepiada
girava e girava-a sem descanso
puxava seus cabelos
descompasso
passo a passo
fiz um pedido
“me morde”
ela se fez de desentendida
abriu os olhos
percebi que se passou algo
comigo e com ela
não fomos os mesmos desde então
nunca mais
http://bassbassbass.blogspot.com/2011/06/apologia.html
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
"o socialismo para mim não é o nome de um tipo particular de sociedade. é, sim, exatamente como o postulado de Marx de justiça social, uma dor aguda e constante de consciência que nos impulsiona a corrigir ou remoer variedades sucessivas de injustiça. não acredito mais na possibilidade (e até no desejo) de uma 'sociedade perfeita', mas acredito numa 'boa sociedade', definida como a sociedade que recrimina sem cessar por não ser suficientemente boa e não estar fazendo o suficiente para se tornar melhor."
(caderno Mais! Folha de S. Paulo, 19 de outubro de 2003)
sim, claro! pura ilusão (uma cegueira engessante) acreditar em sociedades perfeitas, isso só nos leva à arrogância e ao fundamentalismo ortodoxo. temos que ser realistas o bastante para admitir que elas não existem e que o processo que nos leva a melhorias no bem-estar de todos deve ser constante. a justiça social não virá de manuais, não há receita pronta. devemos, isso sim, estar em alerta o tempo todo.
esse fragmento tava aqui perdido como rascunho há alguns meses, mas ao reler senti vontade de postar. afinal parte de um pressuposto simples, mas que faz toda a diferença. talvez deveríamos começar aceitando que somos falhos e limitados, individual e coletivamente, na nossa capacidade de tornar as coisas melhores, mas que justamente isso nos torne mais empenhados em melhorar e lapidar a reflexão sobre o que queremos e a nossa auto-crítica.
(caderno Mais! Folha de S. Paulo, 19 de outubro de 2003)
sim, claro! pura ilusão (uma cegueira engessante) acreditar em sociedades perfeitas, isso só nos leva à arrogância e ao fundamentalismo ortodoxo. temos que ser realistas o bastante para admitir que elas não existem e que o processo que nos leva a melhorias no bem-estar de todos deve ser constante. a justiça social não virá de manuais, não há receita pronta. devemos, isso sim, estar em alerta o tempo todo.
esse fragmento tava aqui perdido como rascunho há alguns meses, mas ao reler senti vontade de postar. afinal parte de um pressuposto simples, mas que faz toda a diferença. talvez deveríamos começar aceitando que somos falhos e limitados, individual e coletivamente, na nossa capacidade de tornar as coisas melhores, mas que justamente isso nos torne mais empenhados em melhorar e lapidar a reflexão sobre o que queremos e a nossa auto-crítica.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Terras das Oportunidades parte 2 - Manderlay
manderlay segue a proposta estética de dogville em sua quase ausência de cenário (lembrando muito nesse ponto uma peça teatral) e segue a história do anterior basicamente de onde ela parou. ainda estão presentes a mesma maneira de divisão do filme por capítulos e um narrador irônico que acompanha todo o desenrolar da história. um ponto negativo para mim foi mudança da atriz da personagem .
dessa vez o tema do qual se parte é mais específico (a escravidão nos EUA) e talvez por isso mesmo menos impactante inicialmente, apesar de podermos expandir seus resultados e nos surpreender com eles.
após sair de dogville, grace se depara com uma fazenda na qual a escravidão dos negros ainda perdura, 70 anos após sua abolição. ela se indigna com aquilo e, com a morte da senhora dona dos escravos ela os declara livres. receando que não soubessem o que fazer com aquela liberdade recém conquistada e convicta de que poderia fazer algo por eles, ela acaba decidindo ficar no lugar para ensiná-los a se auto-organizarem e cultivarem sua liberdade como algo positivo.
claro que nem tudo sai como ela planeja, uma série de problemas surgem na comunidade quando a relação senhor e escravo é rompida. o que nos leva a pensar que, por mais que eles estivessem numa condição anteriormente de sujeição, ainda assim havia uma lógica social em funcionamento, uma acomodação na qual ambos os lados estavam inseridos. podemos perceber de maneira clara o quanto uma relação de dominação, a partir da interiorização do status quo, pode ser dupla, desejada por ambos. E não só desejada, já que ela só pode se manter através da aceitação geral. grace só percebe isso após muito tempo, o que nos sugere a ingenuidade ou ineficiência de sua ideia de liberdade a qualquer preço, antes da emancipação do pensamento.
podemos expandir as conclusões que o tema traz e refletir justamente sobre como funcionam a dinâmica entre dominantes e dominados em qualquer relação social (seja entre classes inteiras ou entre indivíduos). a partir do momento em que o mundo como nós o conhecemos faz todo sentido e molda profundamente a identidade dos seres humanos e a maneira como devem se relacionar, fica extremamente difícil sair daquela condição. e isso é que grace e nós descobrimos de maneira amarga no decorrer do filme. a escravidão é desejável para aquelas pessoas na medida em que tal condição os insere no mundo a partir de uma ideologia já conhecida e tornada legítima. é o oprimido que muitas vezes que ratifica e cristaliza sua condição. quase como que dizendo que a vida é mais fácil de ser vivida daquela maneira (acho até que falam algo de ser mais fácil viver culpando os outros pelo mal do que a si mesmo). e perder a senhora a quem deviam obediência os desnorteia e os faz desejarem tentar recuperar a situação perdida. tanto é que eles acabam usando a assembléia e votação (instrumentos democráticos que grace se esforça para introduzir na comunidade) para escolherem quem seria sua nova senhora, responsável para manter a lei conforme sempre foi.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Terra das Oportunidades parte 1 - Dogville
pude ver no último final de semana dois ótimos filmes do polêmico diretor lars von trier: dogville (2003, que eu já tinha visto uns dois anos atrás) e manderlay (2005). ambos surgiram inicialmente como parte de uma trilogia que tem como tema central os EUA (USA: Lands of Opportunities), apesar da terceira parte (Wasignton) nunca ter sido lançada.
sou fã do diretor, principalmente pelo seu tom provocativo, apesar dos filmes deles me causarem um certo mal-estar indefinido. acho que têm em comum (pelo menos os que eu vi) um pessimismo intrínseco, uma perversão e crueldade do ser humano, por mais indefinível que isso possa parecer.
no caso específico desses dois filmes, o grande diferencial está no fato de eles praticamente não terem cenário, se resumindo a linhas marcadas no chão e alguns poucos móveis. não sei dizer ao certo qual a intenção do diretor (e nem se há de fato uma intenção clara), só sei dizer que pra mim essa peculiaridade soa como uma tentativa raio-x, que foca os personagens em seu íntimo e em suas relações, em detrimento de todo o resto, que poderia ser interpretado como superficial; uma desmontagem daquilo que não importa, quase que desnudando os indivíduos ali presentes e narrativa da qual fazem parte.
no primeiro filme, a história gira em torno dos "amáveis cidadãos" de um pobre e pacato vilarejo perdido no meio-oeste americano, que ao serem surpreendidos com uma fugitiva em seus domínios precisam escolher se arriscam e lhe dão abrigo ou se a entregam para os gângsters que estavam em sua busca. a princípio, Grace, a moça fugitiva é aceita e tem duas semanas para se integrar à comunidade e convencer os cidadão de dogville de que seria bem vinda ali e para tanto ela passa a se oferecer para ajudar os outros habitantes. o que inicialmente parece uma boa estratégia se torna a sua perdição. é através desse estado de servidão e complacência que dogville começa a mostrar suas presas. ela se torna escrava de sua situação, passa a ser ameaçada e acaba se sujeitando as mais humilhantes situações. mesmo assim, a garota acaba justificando o comportamento dos cidadãos, culpando as circunstâncias em que vivem. claro que há uma grande reviravolta em sua maneira de ver as coisas, depois de uma espetacular conversa com seu pai e, depois de uma profunda crise moral ela chega a conclusão de que o mundo seria um lugar melhor sem a existência de dogville.
se sobressai e choca acompanharmos a ideia de que bastou a oportunidade para que aqueles bons indivíduos mostrassem seu lado sombrio e perverso, escravizando a garota, destituindo-a de sua humanidade, de maneira que ela passou a ser tratada como um objeto ou animal, útil às suas necessidades e só. sempre amparados por argumentos hipócritas e cínicos os habitantes de dogville "absorvem" aquele ser forasteiro de maneira mesquinha e egoísta.
sou fã do diretor, principalmente pelo seu tom provocativo, apesar dos filmes deles me causarem um certo mal-estar indefinido. acho que têm em comum (pelo menos os que eu vi) um pessimismo intrínseco, uma perversão e crueldade do ser humano, por mais indefinível que isso possa parecer.
no caso específico desses dois filmes, o grande diferencial está no fato de eles praticamente não terem cenário, se resumindo a linhas marcadas no chão e alguns poucos móveis. não sei dizer ao certo qual a intenção do diretor (e nem se há de fato uma intenção clara), só sei dizer que pra mim essa peculiaridade soa como uma tentativa raio-x, que foca os personagens em seu íntimo e em suas relações, em detrimento de todo o resto, que poderia ser interpretado como superficial; uma desmontagem daquilo que não importa, quase que desnudando os indivíduos ali presentes e narrativa da qual fazem parte.
no primeiro filme, a história gira em torno dos "amáveis cidadãos" de um pobre e pacato vilarejo perdido no meio-oeste americano, que ao serem surpreendidos com uma fugitiva em seus domínios precisam escolher se arriscam e lhe dão abrigo ou se a entregam para os gângsters que estavam em sua busca. a princípio, Grace, a moça fugitiva é aceita e tem duas semanas para se integrar à comunidade e convencer os cidadão de dogville de que seria bem vinda ali e para tanto ela passa a se oferecer para ajudar os outros habitantes. o que inicialmente parece uma boa estratégia se torna a sua perdição. é através desse estado de servidão e complacência que dogville começa a mostrar suas presas. ela se torna escrava de sua situação, passa a ser ameaçada e acaba se sujeitando as mais humilhantes situações. mesmo assim, a garota acaba justificando o comportamento dos cidadãos, culpando as circunstâncias em que vivem. claro que há uma grande reviravolta em sua maneira de ver as coisas, depois de uma espetacular conversa com seu pai e, depois de uma profunda crise moral ela chega a conclusão de que o mundo seria um lugar melhor sem a existência de dogville.
se sobressai e choca acompanharmos a ideia de que bastou a oportunidade para que aqueles bons indivíduos mostrassem seu lado sombrio e perverso, escravizando a garota, destituindo-a de sua humanidade, de maneira que ela passou a ser tratada como um objeto ou animal, útil às suas necessidades e só. sempre amparados por argumentos hipócritas e cínicos os habitantes de dogville "absorvem" aquele ser forasteiro de maneira mesquinha e egoísta.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sobre as pobres mulheres ricas
não que esse seja um assunto relevante, por isso pretendo ser breve. é que ontem eu assisti por uns 10 minutos o "polêmico" "mulheres ricas. """"reality show""" que mostra o dia-a-dia de algumas mulheres cheias de dinheiro. bom, pelo menos é o que deveria mostrar, mas pra mim pareceu algo muito forçado, encenado (espero que seja mesmo, se aquelas senhoras forem na vida real exatamente como demonstraram ser no programa a coisa deve ser mais preocupante do que eu imaginava).
diferente de uma grande parcela dos pobres e remediados, nunca fui deslumbrado com essa coisa de dinheiro, muito menos de fazer parte da alta sociedade e compatilhar de seu estilo de vida refinado, depois que eu as vi fiquei com menos vontade ainda... me pareceram mulheres fúteis, sem graças e artificiais. sério, não é despeito de um descamisado. elas estavam comendo num restaurante e eu tive a certeza de que nunca iria querer estar ali dividindo a mesa com elas. achei tudo aquilo muito entediante.
aí o pessoal fica indignado pelo teor do programa. num país com uma das piores distribuições de renda do mundo essas senhoras esbanjando em rede nacional é quase um tapa na cara. sei lá, até concordo, mas confesso que não vi grandes vantagens em ser rico. pior, sem querer ser moralista, percebi que temos muito a melhorar, mais do que simplesmente as condições de vida da população em geral. qual é a grande vantagem de ser um idiota com um casaco de pele ao invés de um moleton surrado? juro que não percebi.
se o objetivo do programa era mostrar o glamour das endinheiradas acho que eles estão fazendo isso errado...
diferente de uma grande parcela dos pobres e remediados, nunca fui deslumbrado com essa coisa de dinheiro, muito menos de fazer parte da alta sociedade e compatilhar de seu estilo de vida refinado, depois que eu as vi fiquei com menos vontade ainda... me pareceram mulheres fúteis, sem graças e artificiais. sério, não é despeito de um descamisado. elas estavam comendo num restaurante e eu tive a certeza de que nunca iria querer estar ali dividindo a mesa com elas. achei tudo aquilo muito entediante.
aí o pessoal fica indignado pelo teor do programa. num país com uma das piores distribuições de renda do mundo essas senhoras esbanjando em rede nacional é quase um tapa na cara. sei lá, até concordo, mas confesso que não vi grandes vantagens em ser rico. pior, sem querer ser moralista, percebi que temos muito a melhorar, mais do que simplesmente as condições de vida da população em geral. qual é a grande vantagem de ser um idiota com um casaco de pele ao invés de um moleton surrado? juro que não percebi.
se o objetivo do programa era mostrar o glamour das endinheiradas acho que eles estão fazendo isso errado...
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Fermentação
Perdi a linha de raciocínio
desconcentrei-me
o vinho tinto marcou seus lábios
me induzindo a uma hipnose
meu poder cognitivo se foi
acho que até mesmo Aristóteles
não entenderia a lógica desses versos
talvez a razão tenha ido fumar um cigarro lá fora
para piorar, as luzes dos automóveis
rompiam o vidro que nos separava da rua
encharcando sua pela branca
evidenciando suas bochechas rosadas de embriaguez
um gole
uma risada roxa
também ri
era o meu argumento
(http://bassbassbass.blogspot.com/2011/07/fermentacao.html)
____________________
"...e de repente o telefone toca
e é você do outro lado me ligando
devolvendo minha insônia, minhas bobagens
Pra me lembrar que eu fui a coisa
Mais brega que pousou na tua sopa.
me perdoa (a vida é doce)"
mais uma vez o gosto amargo das palavras mal digeridas.
na minha "boca fria", no meu "coração gelado"
(que esconde um precípicio e o sentimento do mundo...)
mas disso você não quer saber
Perdi a linha de raciocínio
desconcentrei-me
o vinho tinto marcou seus lábios
me induzindo a uma hipnose
meu poder cognitivo se foi
acho que até mesmo Aristóteles
não entenderia a lógica desses versos
talvez a razão tenha ido fumar um cigarro lá fora
para piorar, as luzes dos automóveis
rompiam o vidro que nos separava da rua
encharcando sua pela branca
evidenciando suas bochechas rosadas de embriaguez
um gole
uma risada roxa
também ri
era o meu argumento
(http://bassbassbass.blogspot.com/2011/07/fermentacao.html)
____________________
"...e de repente o telefone toca
e é você do outro lado me ligando
devolvendo minha insônia, minhas bobagens
Pra me lembrar que eu fui a coisa
Mais brega que pousou na tua sopa.
me perdoa (a vida é doce)"
mais uma vez o gosto amargo das palavras mal digeridas.
na minha "boca fria", no meu "coração gelado"
(que esconde um precípicio e o sentimento do mundo...)
mas disso você não quer saber
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
um pouco sobre cinema em 2011
acho que o ano que passou foi um pouco mais fraco em relação aos lançamentos de filmes, apesar de eu também não poder afirmar isso com muito certeza, já que acabei não vendo muitos que me interessaram (como "melancolia" e "a pele que habito", por exemplo)...
mas se eu tivesse que destacar alguns, sem pensar muito já citaria "cisne negro" e "meia- noite em paris" (sobre os quais já falei aqui e aqui). sem dúvida foram os mais impactantes e cada um a sua maneira são muito cativantes e bonitos...
além desses dois que para mim estão bem acima de todos os outros, acho devo citar, os seguintes filmes:
1) "você vai conhecer o homem dos seus sonhos": ótimo filme sobre as idas e vindas dos relacionamentos, bem à maneira das histórias do woody allen. parte da ideia shakesperiana de que "a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, e que não significa nada";
2) "bravura indômita": refilmagem de um clássico western. ótimo filme sobre vingança e obstinação;
3) "x-men: primeira classe": pra mim o melhor filme dos x-men. gostei muito da forma como a história sobre a origem dos grupos de mutantes foi contada, da amizade entre o professor xavier e o magneto à posterior rivalidade que surge, por pensarem diferente;
4) "piratas do caribe 4: navegando em águas misteriosas": apesar de já sentir um pouco desgastada a franquia, pra mim é sempre um bom programa ver o capitão jack sparrow em suas andanças por aí;
5) "o palhaço", uma bela história sobre uma pessoa simples na busca da sua identidade e do seu lugar no mundo. um palhaço melancólico é sempre uma figura interessante. "Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?".
mas se eu tivesse que destacar alguns, sem pensar muito já citaria "cisne negro" e "meia- noite em paris" (sobre os quais já falei aqui e aqui). sem dúvida foram os mais impactantes e cada um a sua maneira são muito cativantes e bonitos...
além desses dois que para mim estão bem acima de todos os outros, acho devo citar, os seguintes filmes:
1) "você vai conhecer o homem dos seus sonhos": ótimo filme sobre as idas e vindas dos relacionamentos, bem à maneira das histórias do woody allen. parte da ideia shakesperiana de que "a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, e que não significa nada";
2) "bravura indômita": refilmagem de um clássico western. ótimo filme sobre vingança e obstinação;
3) "x-men: primeira classe": pra mim o melhor filme dos x-men. gostei muito da forma como a história sobre a origem dos grupos de mutantes foi contada, da amizade entre o professor xavier e o magneto à posterior rivalidade que surge, por pensarem diferente;
4) "piratas do caribe 4: navegando em águas misteriosas": apesar de já sentir um pouco desgastada a franquia, pra mim é sempre um bom programa ver o capitão jack sparrow em suas andanças por aí;
5) "o palhaço", uma bela história sobre uma pessoa simples na busca da sua identidade e do seu lugar no mundo. um palhaço melancólico é sempre uma figura interessante. "Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?".
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
... e era como se eu me esfacelasse, me decompusesse inteiro ante meus olhos e não pudesse fazer nada. desesperado, tentava reter com as mãos os pedaços de mim que eu sentia apodrecer e cair. tanta gente passava, mas distraídos em tantas outras coisas, não me davam atenção e apesar de eu querer alguma ajuda, não fiz barulho algum, tentei mais despercebido. calmo, silencioso.
mas tive medo, claro, como nunca antes. um medo inominável e ilimitado, pois não é deste mundo nem de outro; é do nada, da ausência completa. se eu me tornasse um amontoado no chão da praça da matriz, se eu deixasse de ser quem eu sou pra me tornar algo inimaginável, algo que nunca ninguém inventou, deu nome, classificou seria pior que a morte (afinal, ao morrermos, ainda assim continuamos sendo, em algum grau o que sempre fomos e continuamos fazendo parte de alguma coisa). o horror era imaginar deixar de ser qualquer coisa que fosse. tornar-me um não-ser.
e essa agonia, me fez clamar por um momento por deus e também pelo diabo. algo que me prendesse ao mundo, à vida como a conhecemos. seja um lado ou outro da moeda. por favor, alguém, não quero o escuro abismal, atemporal que me ronda!
________________
é tudo verdade...
mas tive medo, claro, como nunca antes. um medo inominável e ilimitado, pois não é deste mundo nem de outro; é do nada, da ausência completa. se eu me tornasse um amontoado no chão da praça da matriz, se eu deixasse de ser quem eu sou pra me tornar algo inimaginável, algo que nunca ninguém inventou, deu nome, classificou seria pior que a morte (afinal, ao morrermos, ainda assim continuamos sendo, em algum grau o que sempre fomos e continuamos fazendo parte de alguma coisa). o horror era imaginar deixar de ser qualquer coisa que fosse. tornar-me um não-ser.
e essa agonia, me fez clamar por um momento por deus e também pelo diabo. algo que me prendesse ao mundo, à vida como a conhecemos. seja um lado ou outro da moeda. por favor, alguém, não quero o escuro abismal, atemporal que me ronda!
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é tudo verdade...
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