quarta-feira, 12 de agosto de 2015

sobre os incovenientes da linguagem...

"Não sei o que estou dizendo, tudo se suja quando digo..."

(Júlio Cortázar)
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(e se eu continuasse, sujaria ainda mais e mais)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Algumas linhas sobre "O Último Poema do Rinoceronte"


Esteticamente lindo e envolvente, "o último poema do rinoceronte" baseia-se na vida do poeta curdo-iraniano Sadegh Kamangar que, quando da Revolução Iraniana de 1979 (que implicou na derrubada do xá e na tomada de poder pelo aitolá Khomeini) foi injustamente preso, acusado de escrever poemas de cunho político e condenado a longos anos de cárcere, tendo sido inclusive declarado morto para sua família. 

O foco da história é Sadegh Kamangar já liberto, 30 anos depois, quando vai em busca de sua esposa e descobre que ela se casou novamente e saiu do país, indo para Turquia. Os acontecimentos do passado e seus desdobramentos vão sendo revelados pouco a pouco, através de suas lembranças, que se alternam com o tempo presente. Além disso, o filme conta com construções visuais belíssimas que retratam cenários vazios e cores esmaecidas, que transbordam a poesia de Kamangar para a tela.

É um filme essencialmente triste. O próprio protagonista parece carregar em seu rosto as marcas e o peso do passado dos quais ele não parece ser capaz de se livrar. Não há salvação possível e a própria felicidade se coloca como algo que ficou distante, perdido no passado.

Já tinha tido algum contato com esse contexto histórico (da Revolução Iraniana) com a HQ e o filme de "Persépolis", então achei ainda mais interessante o tema, principalmente pela delicadeza com que são abordados os dramas pessoais que surgem a partir de acontecimentos políticos. É aterrador pensar em quantas vidas são destroçadas por conta de diferenças ideológicas e lutas pelos poder.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Uma coisa sobre Victor Hugo

"Pensar no prolongamento das coisas defuntas e no governo dos homens por embalsamamento, restaurar os dogmas em mau estado, tornar a dourar a caixa de relíquias, renovar os claustros, tornar a benzer relicários, reviver as superstições, reabastecer o fanatismo, colocar novos cabos nos sabres e nos aspersórios, reconstituir o monaquismo e o militarismo, crer na salvação da sociedade pela multiplicação dos parasitas, impor o passado ao presente, tudo isso parece estranho. No entanto, há teóricos para essas teorias. Esses teóricos, aliás pessoas de espírito, têm um procedimento bem simples, aplicam ao passado um reboco a que dão o nome de ordem social, direito divino, moral, família, respeito pelos antepassados, autoridade antiga, tradição santa, legitimidade, religião; e vão gritando: 'Vejam! Tomem isso, homens de bem!'. Essa lógica também era conhecida dos antigos. Cobriam de cal uma novilha preta, e diziam: "É branca"."

(HUGO, Victor; Os Miseráveis, p. 557)
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Impressionante como Victor Hugo escreveu essas linhas há mais de 150 anos e se encaixam PERFEITAMENTE na nossa realidade! Em pleno ano de 2015 (não que isso faça muita diferença) vemos crescer de maneira generalizada os brados acalorados pelo militarismo e, se não pelo monaquismo (vida em retiro, totalmente consagrada a Deus no silêncio, na penitência e no trabalho), pelo menos por algum tipo muito peculiar e ferrenho de "religiosidade" que tem na bancada evangélica do congresso nacional a sua mais alta e perigosa representação. Há uma tentativa recorrente e cada vez mais forte de se "impor o passado ao presente". Temos lido sobre isso quase todos os dias nas páginas que cobrem a política e o comportamente e não há nenhuma previsão de melhora.
Ainda mais certeira é a maneira como Victor Hugo analisa o procedimento desses "teóricos", que aplicam ao passado um reboco a que chamam de ORDEM SOCIAL, MORAL, FAMÍLIA, DIREITO DIVINO, exatamente como é feito hoje em dia. Depois vendem esse passado para o indignado "homem de bem", que sedento por "tornar a dourar a caixa de relíquias", atribui os males do mundo ao distanciamento de valores que se perderam. Defendem que "bom era antigamente" e clamam por mais moral, por mais família, por mais direito divino. Pegue qualquer um desses assuntos relevantes e polêmicos da atualidade (homofobia, aborto, tolerância religiosa, maioridade penal, descriminalização das drogas...) e constate que eles estão, afinal, pautados pelos "teóricos das coisas defuntas" através das ideologias citadas acima e de um tempo pra cá isso tem se tornado ainda mais perceptível e preocupante.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sozinhos somos...

Com tanta delicadeza
Reordena minhas ideias
Muda a ordem dos capítulos
Me relê de trás pra frente

Traz sentido para as partes em que nem eu me entendo
Traz leveza para as tardes em que nem eu me suporto, não.

Há um risco inerente
Nesses corpos que se chocam
Mas você tira de letra
E corrige a minha rota

Talvez eu me perca no argumento
Ou descubra o infinito

Num rascunho inacabado de uma noite de novembro
Na obra definitiva que ainda não escrevemos, não, não...

Deixa o sim sair, assim, sereno.
O céu é seu, é o sol surgindo
Sei não há saudade que resista
Sozinhos somos a multidão

Tem aqui.
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Porque "trás pra frente" pode acabar sendo a ordem certa.
E entre o rascunho e a obra definitiva a gente vai perdendo os argumentos e descubrindo o infinito...

sábado, 13 de junho de 2015

Uma coisa sobre Arthur Schopenhauer

"Ele [Schopenhauer] entendeu que se pudermos reconhecer que nossa separação do universo é essencialmente uma ilusão (porque as vontade individuais e a Vontade do universo são uma única coisa) podemos descobrir uma empatia com o mundo e tudo o mais, e a bondade moral pode surgir de uma compaixão universal."

(O Livro da Filosofia)
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às vezes me perguntam no que eu acredito, metafisicamente falando. penso bastante sobre o assunto, mas acho que acredito mesmo em muito pouca coisa. não consigo deixar de perceber, aqui e ali, a limitação e a fragilidade dos grandes sistemas cosmológicos, o absurdo das explicações do universo e das revelações religiosas. principalmente não acredito nos homens que as professam.

mas se tem um raciocínio que me é particularmente instigante é o de Schopenhauer, acima. a ideia de que cada um de nós, enquanto indivíduos, estamos essencial e irreversivelmente ligados uns aos outros, e mais, ligados ao universo como um todo, me parece fazer bastante sentido. estamos todos no mesmo barco, não temos pra onde fugir, carregamos entre nós muito mais identidades do que diferenças. enquanto espécie, compartilhamos os mesmos vícios e virtudes em potencial e funcionamos de um jeito muito parecidos, através da vontade, diria Schopenhauer, essa força indefinida presente em tudo e que leva o homem a desejar e a buscar sempre mais.

o que são todas as tragédias humanas, lutas, guerras, injustiças, opressões, sofrimento, que não, de uma forma ou de outra a intolerância, a negação do outro e a busca quase irrefreável por algo mais? acreditamos que somos diferentes, que estamos mais certos/ mais iluminados/ mais escolhidos por deus e que devemos fazer valer essa diferença, nos auto afirmar e nos impor sobre o outro, exercer domínio, quando na verdade o que temos é uma origem, um destino e um fim basicamente comuns.

não que eu compre tais ideias necessariamente como Verdade absoluta, acho que se simplifica em alguns pontos e acaba beirando ao misticismo. Também não nego a condição propriamente conflituosa das relações humanas, mas acho, sim, que é essa uma interpretação muito menos belicosa e destrutiva, ainda que utópica, de nos esforçarmos para criar pontos de tolerância, empatia e identificação com o outro (seja seu vizinho, seja o País no outro lado do mundo) e que de alguma forma arrefeçam (ou escancarem quão ridícula e vazia é) essa gana humana pelo exercício de supremacia e dominação.


terça-feira, 19 de maio de 2015

Woody Allen, a falta de sentido da vida e uma música da década passada...

Estava lendo sobre o novo filme do Woody Allen, que estreou no festival de Cannes semana passada (Irrational Man) e numa de suas respostas me deparei com um pensamento que, apesar de bastante recorrente em sua obra, me pegou mais uma vez:
"Como artista, você tem que passar ao público a ideia de que a vida tem um sentido. Mas você está trapaceando, porque não tem nenhum sentido. Qualquer coisa que você criar vai desaparecer, assim como o Sol, a Terra, Shakespeare, os Beatles. Tudo o que você pode fazer na vida é se distrair e ter alguns bons momentos, se manter ocupado. É o que farei até o dia em que eu for velho... Num futuro muito distante" (W. Allen) 
É isso! A arte com um refúgio, um argumento, ainda que fugidio e limitado, para a vida. A possibilidade de criar sentido, de encantar o mundo, de fazer rir e chorar... ainda que se saiba que de forma temporária, frágil e sem nos levar a lugar algum. Afinal, não há lugar aonde ir, o nosso lugar é aqui mesmo.

Confesso que, particularmente, sou partidário dessa forma de ver as coisas. Não creio que o universo enquanto tal possua um sentido em si, absoluto. Não há pote de ouro no fim do arco-íris. Em breve tudo irá desaparecer. Não importa quão grandioso ou aparentemente definitivo, irá desmoronar... Outros gigantes já viraram pó antes e nós mesmos estamos fadados ao esquecimento. Seremos sucedidos por outros e outros, num ciclo a perder de vista. 

Mas veja, essa não é exatamente uma negação da vida e só a princípio soa pessimista. Pelo contrário, se soubermos conviver com isso, ao nos livrarmos do peso excessivo da continuidade, da linearidade, do definitivo, podemos ser mais livres para criar e recriar, para sermos nós mesmos. Não somos (enquanto civilização ou indivíduos) o centro do universo, muito pelo contrário. Ainda bem! 

Nesse sentido, o niilismo pode ser um belo ponto de partida para a leveza, o bom humor e a capacidade de "entendimento". A partir do momento em que não podemos fugir da nosso própria insignificância, temos que nos valer dela própria para nos situarmos no mundo. Pintar, escrever, atuar (ou tomar uma cerveja no bar com um amigo) acabam se tornando tarefas mais humanas, expressões ao mesmo tempo limitadas e poderosas da nossa existência e de como compartilhamos isso uns com os outros, enquanto é tempo.

Talvez tenha ficado abstrato demais, pretensioso. Só queria mesmo dizer que essa referida falta de sentido da vida pode ser libertadora, divertida e um tanto quanto mais honesta intelectualmente. 

Quando li a declaração, me lembrei imediatamente de "Suportar", a sexta música do disco "Sublime Mundo Crânio" do Lasciva Lula, banda que, se não me engano, já não existe mais, mas que, com pouquíssimas palavras também consegue tratar do caráter incerto e fugaz da vida:

"suportar
 ocupar o tempo 
 suportar 
 ocupar o tempo 
 como estepe, manter 
 talvez tentar ser feliz  
 nada mais."

Sei que acaba por adquirir um teor um pouco desiludido, mas gosto da maneira crua e sem subterfúgios com que se enfrenta a questão: é suportar, ocupar o tempo e talvez tentar ser feliz. Acho que esses pontos, por si só, já nos mantêm suficientemente ocupados na nossa busca por "viver". E é isso que me faz imensamente grato pelo Sr. Woody Allen continuar lançando anualmente ótimos filmes, de forma ajudar a ocupar meu tempo da melhor maneira que posso imaginar. Até quando formos bem velhinhos.
Nada mais...




segunda-feira, 27 de abril de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

Na Enseada de Botafogo

Como estou só: Afago casas tortas,
Falo com o mar na rua suja...
Nu e liberto levo o vento
No ombro de losangos amarelos.

Ser menino aos trinta anos, que desgraça
Nesta borda de mar de Botafogo!
Que vontade de chorar pelos mendigos!
Que vontade de voltar para a fazenda!

Por que deixam um menino que é do mato
Amar o mar com tanta violência?
 
(Manoel de Barros)
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"que desgraça... bem sei"

quarta-feira, 18 de março de 2015

Meus centavos sobre as manifestações de domingo


Domingo, dia 15/03,  houve manifestação em diversas cidades do Brasil para protestar contra o governo federal e a corrupção (do PT) e que reuniram, segundo os organizadores, 3 milhões de pessoas e segundo as PMs 2,4 milhões. Não tenho motivos para acreditar em tais números, mas reconheço que muitas pessoas foram às ruas para reclamar, em mais um episódio da recente crise institucional e de insatisfação com o governo Dilma. Abaixo algumas considerações sobre o tema:

1. Acho espantoso como o PT e o governo como um todo têm conseguido se auto-sabotar. Têm demonstrado falta de habilidade em ouvir e negociar, se isolando cada vez mais, causando estremecimento na "base aliada", desmobilizando sua militância e simpatizantes e dando muita munição para a oposição (inclusive a midiática) com declarações e medidas pouco inteligentes, além da falta de diálogo e de habilidade política. Conseguiu-se erigir uma enorme antipatia pela presidente e seu partido que, ainda que confusa, baseada em preconceitos e insuflada pela mídia, é, em grande parte fruto dos próprios feitos petistas.

2. Pontuada a inegável responsabilidade do PT sobre a atual situação econômica, política e social do País, quero destacar que uma parcela da população foi às ruas no domingo passado após uma descarada e calorosa propaganda da grande midia, que fez questão de vender os protestos da forma mais simpática possível, em tom convocatório. Assisti ao esporte espetacular por meia hora na manhã de domingo e ouvi mais sobre as manifestações do que sobre esporte. A própria maneira como se referiam a elas durante todo o dia tinha o claro objetivo de convidar as pessoas à participarem.

3. Considero que manifestações populares são justas, salutares e necessárias para qualquer regime minimamente democrática. Todo tipo de pessoa pode e deve sair às ruas para dar voz às suas opiniões, por mais que eu me contorça por dentro ao tomar conhecimento de seu conteúdo. Afinal, liberdade para se expressar é fácil, difícil mesmo é liberdade para o outro, que está no lado oposto, poder dizer o que pensa (ou às vezes que não pensa). 

4. Por outro lado, também acho justo, necessário e salutar que discordemos (até veementemente) das opiniões alheias. Se há o direito de expressar, também há o de discordar e contra-argumentar. Ambos se complementam. E é dessa forma que eu me coloco diante das manifestações que ocorreram domingo. Claro que eu acho que o governo precisa ser pressionado, principalmente diante das graves denúncias de corrupção e também quanto às medidas que vêm sendo adotadas, mas não consigo me identificar nem um pouco com um movimento daqueles, que reuniu saudosos da ditadura ("intervenção militar constitucional", hahaha), golpistas e conservadores em geral, numa histeria coletiva raivosa e desinformada. A pauta que se colocava ali, ainda que pulverizada e difusa, não passa nem perto da minha. Pior ainda, quando boçais como Silas Malafaia e Bolsonaro convocam a população para uma manifestação é sinal de que eu definitivamente NÃO tenho nada pra fazer ali...

5. Na MÉDIA, estavam presentes pessoas mais brancas, mais ricas, mais velhas e, principalmente, muito mais conservadoras, expondo o que eu considero um patriotismo ufanista, constrangedor e agressivo que só reforça a polarização e a falta de diálogo. A oposição minimamente coerente e articulada era irrisória diante de tantos "defensores da pátria" com as cores da bandeira e camisas da CBF, segurando faixas e entoando gritos ofensivos e desconexos. A impressão que dava ali é que pouco importava a corrupção em si, o importante era atacar o PT, por ser o PT e nada mais. Aqui em SP não se viu nenhuma plaquinha contra o governo do estado ou contra qualquer outro partido. Todos os males do Brasil parecem ser culpa do PT, numa associação infantilizada. Quando colocamos as coisas desse jeito estamos livrando a cara de todos os outros e virando as costas pr'aquilo que realmente importa.

6. Especificamente sobre os delirantes defensores de um regime militar, não preciso dizer o quão ridícula e ultrajante me soa essa ideia. Pior ainda quando clamada pelo "povo" supostamente "ofendido" pelo "mar de lama" que se tornou a política nacional, numa demonstração de que se entende pouco e se fala muito quando o assunto é política. Sem querer soar clichê, mas um governo que censura, cassa adversários, tortura, mata, aliena a população, nunca será a resposta para os nossos problemas. Sim, eu até acredito que a maioria dos presentes não defendia tal bandeira, mas acho estranho não se incomodarem de dar força e visibilidade a esse pessoal...

7. Quanto aos pedidos de impeachment, os considero despropositados e voltados simplesmente para desestabilizar o governo. Se a intenção é melhorar/ moralizar a forma de se fazer política no Brasil, não consigo ver esse caminho como minimamente razoável. Soa como raivinha juvenil ao se focar excessivamente no PT e na Dilma e livrar a barra de todos os outros. Isso me preocupa, pois distorce a realidade, fragiliza ainda mais nossa democracia, acirra os ânimos e demonstra uma preguiça horrível de se pensar um pouco mais além. Simplesmente se contenta em repetir à exaustão que a culpa é do PT e pronto, já temos a bruxa para queimar na fogueira. Porém, veja que ironia: Em outras épocas era o PT (o "arauto" da honestidade e da moralidade na política) que pedia o impeachment do FHC e hoje tem que ouvir tal clamor de cabeça baixa e sem muitos argumentos em sua defesa.

8. Os nossos problemas enquanto Estado e sociedade são muito maiores e mais antigos, não começam e nem terminam na era PT como querem fazer acreditar os nobres defensores da pátria. Diz respeito à nossa cultura política e tanto ao sistema eleitoral quanto ao sistema político. Envolve todos os partidos e a forma como eles se relacionam com o poder.  O financiamento privado de campanha, por exemplo, é um piada em todos os sentidos. Não há NENHUMA justificativa para empresas """doando""" milhões de reais para a campanha de políticos, que culminarão em relação escusas entre os futuros eleitos e essas empresas. A quantidade de partidos e a forma como eles chegam ao poder também é falha e precisa ser mudada urgentemente (a famosa reforma política), pois reforçam o clientelismo, o fisiologismo e a troca de favores.

9. Finalizando, acho que não preciso dizer que sei que o governo atual tem um caminhão de problemas e que, a despeito da atuação parcial da mídia, quero que todos os responsáveis por maus feitos nessa investigação e em outras, sejam duramente responsabilizados e inclusive que o PT sofra o que tiver que sofrer no que tange à sua credibilidade frente ao eleitor. Lembro que o Lula falou no início do seu governo, que o PT não poderia errar. Pois bem, erraram feio e vão ter que pagar a conta...

domingo, 15 de março de 2015

a canção de outros tempos

ouça aqui: https://soundcloud.com/carbonoeamoniaco/a-cancao-de-outros-tempos

por que você não passa aqui?
eu tenho um vinho bom
e podemos conversar
sobre tanta coisa

eu sei que você ri de mim
quando eu começo a gaguejar
por não saber o que dizer
e quase nunca sei

você me pede pra contar
o que eu andei fazendo todo esse tempo
ah, eu desvio o olhar
acho que prefere não saber

você me pede pra cantar
as canções de outros tempos
mas eu já não sou o mesmo
e nunca lembro a letra

por que você não fica mais?
eu passo um café
e a gente espera o sol nascer
sentado na varanda

gosto de te ver assim,
sob a luz branca da manhã
emoldurando o seu rosto
enquanto rói as unhas

e me pede pra contar
o que eu andei fazendo todo esse tempo
você percebe num olhar
acho que não preciso te dizer

você me pede pra cantar
as canções de outros tempo
mas eu já não sou o mesmo
e nunca lembro o refrão
que te pedia pra ficar
um pouco mais que a vida inteira
você diz não acreditar no que se diz numa canção
então esqueça os três minutos
que eu te conto o que passou
e a gente inventa o que será