quarta-feira, 12 de agosto de 2015

sobre os incovenientes da linguagem...

"Não sei o que estou dizendo, tudo se suja quando digo..."

(Júlio Cortázar)
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(e se eu continuasse, sujaria ainda mais e mais)

3 comentários:

[eneá-tê] disse...

É.
Tudo parece se sujar por onde eu passo, não importando muito o que faço. Às vezes é preciso não continuar.

Me pergunto até que ponto as pegadas são evidências de uma presença, pistas de um crime ou apenas traquinagem de criança sujando a casa - justamente depois da faxina.

Talvez seja bom adquirir o hábito de lavar os pés. Talvez as mãos e a cabeça também.

fernando disse...

Sim, creio que essas sejam praticas salutares. A não ser que se queira impressionar o mundo com as marcas de sua sujeira.
"às vezes é preciso não continuar". Há sabedoria nessa frase... Poucos acertam a sintonia fina entre ir em frente e deixar pra lá.

Creio que, pior do que "sujar enquanto passa" é a sujeira que se impregna quando se diz. Supomos ingenuamente que estamos a salvo na palavra e quando até o exercício da linguagem enquanto instrumento da razão se mostra asfixiante, labiríntico e inócuo não podemos mais fugir da "sujeira" que gostaríamos de esconder embaixo do nosso tapete.

[eneá-tê] disse...

Pois é, tem sempre alguém pra te lembrar daquela sujeira que escondemos debaixo do tapete; ainda que essa pessoa seja você mesmo =P.