terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Partir dos 'falsos objetos' e 'acontecimentalizá-los'; reduzí-los a singularidades que se dissolvem em uma multidão de proveniências históricas e de emergências sociopolíticas. Toda singularidade remete, pois, a uma multiplicidade causal, e as objetivações históricas são raras, como diz Paul Veyne: seu caráter de necessidade aparente é um efeito a posteriori do conjunto de práticas que as produziu."
"Essa objetivação crítica é obtida justamente através do efeito de historicização e acontecimentalização acima evocado. Nada havendo de natural ou eterno no mundo humano, tudo é objeto de uma crítica possível."

(GOLDMAN, Marcio. Objetivação e subjetivação no último Foucault in Alguma Antropologia, págs. 69 e 71; Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1999)
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Não sei o quanto se torna obscuro ler essas duas passagens separadas do contexto, mas elas elucidam bem uma maneira de ver as coisas com a qual eu concordo.

Primeiro de tudo, a necessidade de desnaturalização de "falsos objetos", que se apresentam como formas pré-estabelecidas e, de certa forma, imutáveis. Deve-se trazê-los para o plano da ação humana, elucidando o caráter sociopolítico desses objetos, mostrá-los como fruto de de uma série acontecimentos. Não há nada eterno no mundo humano, o que há são produto de contigências históricas, sendo que, inclusive a aparente necessidade pela qual sua existência se justifica não é mais do que a decorrência de sua formação. Tudo poderia ser diferente, se é como se vê, é simplemente pelo aleatório agindo.

Com isso, torna-se possível a crítica, a análise arqueológica e genealógica (ou seja dos saberes e dos poderes constituídos) desses objetos, contribuíndo (creio eu) para a elucidação de sua constituíção histórica e por conseguinte a ação política e de ruptura com tais objetos (ou seus reflexos nos dias atuais).


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