segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"Como isso aconteceu nem ele mesmo sabia, mas de repente alguma coisa pareceu o impelir e lancá-lo aos pés dela. Ele chorava e lhe abraçava os joelhos. No primeiro momento ela levou um terrível susto, e todo o seu rosto ganhou uma palidez mortal. Ela se levantou de um salto e põs-se a fita-lo trêmula. Mas de imediato, no mesmo instante ela compreendeu, e para ela já não havia dúvida, que ele a amava, a amava infinitamente, e que enfim chegara esse momento...


"Eles quiseram falar mas não conseguiram. As lágrimas estavam em seus olhos. Os dois eram pálidos e magros. mas nesses rostos doentes e pálidos já raiava a aurora de um futuro renovado, pleno de ressurreição e vida nova. O amor ressucitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro.


"Decidiram espera e suportar. Ainda lhes restavam sete anos; mas até então, quanto suplício insuportável e quanta felicidade sem fim! Mas ele ressucitara, e o sabia, sentia todo o seu ser plenamente renovado, e ela - bem, ela vivia só da vida dele."


(Dostoiévski, Fiódor. Crime e Castigo; págs. 558 e 559. Trad. Paulo Bezerra. Ed. 34)

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"Hoje eu acordei mais leve, nem li o jornal. Tudo deve estar suspenso, nada deve pesar..."

(Ilex Paraguariensis)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

nota

estou hibernando.
durante todo esse tempo de raras aparições tenho me mantido afastado e isso é estar perto demais, a ponto de não consegui me perder em subjetividades e nas formas que elas tomam (ou talvez ainda me perca, mas de maneira diferente).
acho que é isso.

o próximo passo agora é assistir ao jornal nacional e reclamar do preço do feijão...

sábado, 13 de dezembro de 2008

"quanta chuva que não me acerta".

foi isso que pensei enquanto andava seco...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

... e tudo que se pode ver foi a falta do que dizer.

ou será que do tanto que se tinha não saiu palavra alguma?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

monólogo conclusivo [em frente ao espelho]

- ...
- é, você não sabe, mas tem sido difícil pra mim também!

sábado, 8 de novembro de 2008

quanto espaço há nessa cama?
maior que meus dois braços abertos,
nessa enorme cama de solteiro
só meu sono parece não caber.

onde estão as noites bem dormidas?
o meu corpo tinha início, meio e fim
e era junto daquele outro corpo
que não via o fim amanhecer.

lá fora a noite é grande e venta na janela,
me cubro de razão até o pescoço
mas a cabeça, pra fora, sente frio.
está fria e enxerga tudo claro

(coisas que não vão querer saber)

ser franco? só consigo ser cínico...
ponho tudo a perder quando paro pra pensar:
quanto de solidão há num quarto de dormir?
quanto de egoísmo numa cama de solteiro?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

... e ontem o céu, como de costume, chorou pelo dia dos mortos.
e eu, pelo que há de vivo...

domingo, 2 de novembro de 2008

pouca flor
murcha, quase morta
mas ainda assim tão cheirosa...
ainda tão altiva
quase dona de si mesmo.

tão seu cheiro...
em toda minha respiração.

num sussurro
a flor que não é minha,
nasce murcha,
maria-sem-vergonha
que desabrocha no jardim
a me olhar
e a rir de mim


e se voasse?
se voasse seria borboleta
e pousaria na janela.
vermelha, traria mau agouro
mas ainda assim me encantaria.
num vôo delicado
que aperta o peito
e deixa triste...

diálogo reciclado [e inconclusivo]

- eu?
- tudo que sei é que você quis partir.
- eu?
- quis partir você, tirar você de mim.
- eu?
- demorei pra encontrar um lugar [ um lugar onde você não me machucasse mais].
- eu?
- com você por perto gostava de mim.

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excertos de La Nuova Gioventú

sábado, 1 de novembro de 2008

me encanta como o tempo nos mostra com novos olhares o que já é antigo; essa capacidade de se supreender com o que já se presumia como superado.
escrevo isso com um cd na cabeça, que já estava arquivado há algum como de "menor importância". mas hoje não. ele disse exatamente o que eu esperava ouvir e me mostrou certas nuances escondidas nos arranjos ou no refrão que me pareceram inteiramente novas e sinceras. deram aquela rara sensação de "ei! isso é legal". inclusive, muito do que perdura no meu gosto musical de início me causa um certo estranhamento, enquanto outras músicas que se mostram mais facilmente assimiláveis enjoam mais fácil.
assim é com muitas outras coisas. com lugares, filmes, atividades, pessoas. pessoas! e dá aquela vontade de dizer: "poxa, incrível que só agora eu percebi o quanto você é legal" e confessar entre risos que antes ela parecia muito chata/metida/sem graça ou qualquer coisa assim e mostrar como tudo mudou.

claro que acontece o contrário e o tempo que passa também pode nos mudar pra pior. mas sobre isso eu não quero falar...