vivo de repente uns picos inexplicáveis de felicidade. um frio na barriga, uma fúria de abocanhar o mundo. como se lá fora algo de muito bom estivesse me esperando e eu acabasse de ficar sabendo. fico ansioso, quero tudo! essa sensação (orgásmica!?) dura uns quinze segundos. logo passa e o que fica é a mesma indiferença morna de antes, por todo o corpo. a vida que pinga em conta gotas... de onde surge essa estranha felicidade? tento entender. parece que por alguns momentos tudo faz sentido e chego a conclusão que a vida é boa. não que não seja. é! só que pensando assim é só mais um pensamento estéril, acomodado. o que muda nesses quinze segundos, então? não sou nem mais nem menos do que no instante anterior ou no seguinte. sou o mesmo. um corvarde que faz da racionalidade escudo contra a dor da vida e que dessa forma se priva do êxtase. ou talvez um místico, que à sua própria maneira (tergiversando sempre!) suplica pela interseção do sobrenatural. continuo no ensaio, no rascunho, não crio coragem para gritar "valendo". não me arrisco muito, nem dou a cara a tapa. acabo sempre descrendo da cara e do tapa. não peça pra levar a sério. tenho vontade de rir quando vejo tanta gente se matando por esse algo a mais, pelo pote de ouro que eles acreditam que há no final do arco-íris. talvez o melhor mesmo seja somente crer no arco-íris.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Algumas linha sobre "Dossiê Drummond"
Ainda assim, meu fascínio por Carlos Drummond de Andrade é evidente. O gauche itabirano, para recorrer a um clichê ou o "burocrata que fazia versos", segundo a sua própria (e injusta) definição é sem dúvida um dos grandes autores do século XX e que ainda ecoa pelo nosso tempo, ao contrário do que previa, a dizer que "em vinte anos estaria esquecido". Não está e não fosse o português língua marginal, Drummond teria reconhecimento mundial. Independente disso, lê-lo, para mim, é uma experiência pessoal inigualável e muito representativa de fases da minha vida. Abrir algum de seus livros (o "Alguma Poesia" ou o "Sentimento do Mundo", por exemplo) é correr o risco de encontrar algo de mim mesmo ali naquelas páginas. Um sentimento quase adolescente de profunda identificação.
Tive a oportunidade de ler recentemente "Dossiê Drummond", de Geneton Moraes Neto, que traz um apanhado de pequenas revelações sobre sua vida e obra. Principalmente sua vida, que era bem pouco conhecida por mim. O livro é dividido em partes, que incluem uma longa entrevista com o autor (a última), até então conhecido por ser avesso à entrevistas e outras formas de exposição midiática. Depois vários "retratos falados", declarações e "causos" interessantes de amigos e admiradores. Vale citar também a transcrição de uma fita que ele gravou com sua "namorada", Lygia Fernandes, na qual discorrem longamente, entre gracejos e chamegos, sobre alguns pontos da obra de Drummond e sobre a própria relação deles, num tom despretensioso.
Vemos emergir das páginas do dossiê uma figura muito humana, com suas idiossincrasias, limitações, defeitos e virtudes. Chama a atenção a sua descrição como um homem em geral tímido, discreto, avesso aos contatos sociais, modesto em relação a sua produção poética, metódico em sua organização pessoal e profissional. Por outro lado é considerado espirituoso e falante com os mais chegados, ainda que mantendo certa reserva.
Tive a oportunidade de ler recentemente "Dossiê Drummond", de Geneton Moraes Neto, que traz um apanhado de pequenas revelações sobre sua vida e obra. Principalmente sua vida, que era bem pouco conhecida por mim. O livro é dividido em partes, que incluem uma longa entrevista com o autor (a última), até então conhecido por ser avesso à entrevistas e outras formas de exposição midiática. Depois vários "retratos falados", declarações e "causos" interessantes de amigos e admiradores. Vale citar também a transcrição de uma fita que ele gravou com sua "namorada", Lygia Fernandes, na qual discorrem longamente, entre gracejos e chamegos, sobre alguns pontos da obra de Drummond e sobre a própria relação deles, num tom despretensioso.
Vemos emergir das páginas do dossiê uma figura muito humana, com suas idiossincrasias, limitações, defeitos e virtudes. Chama a atenção a sua descrição como um homem em geral tímido, discreto, avesso aos contatos sociais, modesto em relação a sua produção poética, metódico em sua organização pessoal e profissional. Por outro lado é considerado espirituoso e falante com os mais chegados, ainda que mantendo certa reserva.
Tomamos conhecimento de episódios da sua biografia, principalmente a vida cotidiana. Seu breve envolvimento com a política (quando fez parte de um jornal comunista), seu trabalho como chefe de gabinete do Ministro da Educação no governo de Getúlio Vargas, suas opiniões sobre determinados fatos da época, seus gostos e desgostos. A própria relação que ele tinha com a sua obra chama a atenção por ser marcadamente crítica, relutando em reconhecer sua inegável importância.
Dois fatos me parecerem mais relevantes. O primeiro, bastante conhecido, é a devoção que o poeta tinha pela sua filha única, Maria Julieta, a pessoa que mais amou na vida. Além de se sentir muito conectada com ela, enquanto amiga e confidente, a considerava sua herdeira intelectual. Drummond ficou extremamente abalado com sua morte, morrendo alguns dias depois que ela. O outro, até então desconhecido por mim, é a existência de uma amante em sua vida ao longo de 36 anos. Seu nome é Lygia Fernandes. Ambos se conheceram quando Lygia foi trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde Drummond já trabalhava. Ela tinha 24 anos e ele 49. Se apaixonaram, ficando juntos até o fim da vida, porém sem que Drummond largasse a esposa "oficial", num caso curioso e inesperado de bigamia. Ao que parece, foi ela seu grande amor. A parte em que ambos falam numa gravação é muito bonita, e demonstra a existência de uma cumplicidade profunda e muito afeto entre eles.
Enfim, o livro como um todo é a grata oportunidade de espiar, mesmo que vagamente, o poeta pr'além da sua poesia. Ainda que continue achando que o que vale é a "verdade de um poema", no sentido de que o autor é secundário diante de sua obra, achei muito interessante poder "ouvir" o que Drummond tinha a dizer ou o que tinham a dizer sobre ele.
Dois fatos me parecerem mais relevantes. O primeiro, bastante conhecido, é a devoção que o poeta tinha pela sua filha única, Maria Julieta, a pessoa que mais amou na vida. Além de se sentir muito conectada com ela, enquanto amiga e confidente, a considerava sua herdeira intelectual. Drummond ficou extremamente abalado com sua morte, morrendo alguns dias depois que ela. O outro, até então desconhecido por mim, é a existência de uma amante em sua vida ao longo de 36 anos. Seu nome é Lygia Fernandes. Ambos se conheceram quando Lygia foi trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde Drummond já trabalhava. Ela tinha 24 anos e ele 49. Se apaixonaram, ficando juntos até o fim da vida, porém sem que Drummond largasse a esposa "oficial", num caso curioso e inesperado de bigamia. Ao que parece, foi ela seu grande amor. A parte em que ambos falam numa gravação é muito bonita, e demonstra a existência de uma cumplicidade profunda e muito afeto entre eles.
Enfim, o livro como um todo é a grata oportunidade de espiar, mesmo que vagamente, o poeta pr'além da sua poesia. Ainda que continue achando que o que vale é a "verdade de um poema", no sentido de que o autor é secundário diante de sua obra, achei muito interessante poder "ouvir" o que Drummond tinha a dizer ou o que tinham a dizer sobre ele.
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segunda-feira, 31 de março de 2014
vhils
Dias atrás passei por uma exposição na Caixa Cultural, "Street Art - Um Panorama Urbano". Apesar de ter umas coisas muito legais, foi meio decepcionante por ser bem reduzida. Devo ter demorado uns 20 minutos pra ver todos os trabalhos que tinha ali e senti que ficou inacabado.
Deixando isso de lado, além do Banksy que é um artista sensacional, me impressionou a obra de um cara que eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Vhils. É um português de 20 e tantos anos que tem um jeito meio inusitado de criar. Pelo pouco que pude perceber, consiste basicamente em formar desenhos em muros através da "destruição". Utilizando-se de marreta, talhadeira e sei lá mais o quê, o cara vai quebrando e descascando as paredes, fazendo buracos de tamanhos variados, expondo tijolos e reboco, para, no final, fazer surgir rostos super realistas.
É interessante demais o processo pelo qual ele faz suas obras. Elas passam ao mesmo tempo uma sensação de ruína e de beleza. Esculpindo a parede, quebrando-a, ele vai formando
rostos que chamam a atenção pelos detalhes e que, ao se chegar perto
não são mais do que velhas paredes destruídas. Não há cores vibrantes, somente os tons esmaecidos, próprios do concreto e da cidade. Não há formas além daquelas que surgem da depredação da parede. O que forma o desenho é aquilo que se destrói, o escombro. Mais "urbano" impossível.
Sua arte surge da decomposição. Não se põe nada ali além do que já existe. Nenhuma cor ou nenhum material além. Os rostos, estão sempre sérios e observam a cidade. Impregnados no cinza do muro duro me soam como almas esquecidas. Algo que sempre esteve ali, só faltava alguém que tivesse o trabalho (ou a audácia) de mostrar.
quinta-feira, 20 de março de 2014
conservadores lunáticos e a saudade da ditadura
Sou um profundo defensor do direito que as pessoas têm em serem imbecis, em acreditarem e propagarem qualquer tipo de ideia estapafúrdia. Qualquer um tem o direito de jogar seu respeito e credibilidade intelectual no lixo. Mas tem alguns momentos que não dá pra simplesmente deixar passar, como se não fosse nada.
Ultimamente leio aqui e ali umas aberrações defendendo a volta da ditadura militar, como uma solução mágica e infantil de nossos problemas enquanto sociedade. Nós, seres humanos, somo assim, aguardamos ansiosamente uma solução mágica, um herói que nos livrará de todo o mal, colocar ordem na casa, uma figura paterna severa, que tomará para si a tarefa de educar seus filhos e tomar todas as decisões por eles. Pode reparar, esses "amantes da ditadura" não pedem por mais poder de decisão para si e para os outros, não pedem mais eficiência das instituições democráticas. Elas querem é que um ente superior resolva todos os seus problemas através da concentração do poder. Querem continuar confortavelmente na sua alienação mediocre de quem não tem nenhuma responsabilidade".
Isso é irreal. Dá pena de quem pensa assim. Não existe ditadura boa, todas elas são ruins porque não aceitam questionamento, oposição, não se curvam a nenhum poder superior a elas. Confiar somente nas boas intenções dos detentores desse poder centralizado é arriscado demais. E isso aconteceu na na nossa ditadura militar. Setores da sociedade e da imprensa, que a principio regojizaram pelo golpe foram pouco a pouco sentido o baque, foram percebendo que liberdades e direitos garantidos pelo Estado são importantes e fazem falta quando perdemos. Bem ou mal neste país, estamos tentando fazer com que o poder político soberano respeite a lei, que é feita pelos legisladores, que são eleitos pelo povo. Ok, esse modelo funciona muito mal, está cheio de vícios. Mas ainda assim é melhor do que alguém que use da força e da coação como preferir.
Os governos militares a partir de 1964 foram tão ou mais corruptos do que os pós-reabertura. Muita gente enriqueceu ilicitamente, a máquina estatal era aparelhada e servia aos interesses do governo, decisões políticas e econômicas desastrosas foram tomadas, não havia quase nenhum respeito às "regras do jogo". A oposição servia de enfeite. Pior, perseguia-se, matava-se opositores políticos, censurava-se a imprensa. Como que alguém, em são consciência consegue concluir que uma situação dessas é melhor do que a que temos hoje (e a que podemos alcançar amannhã)? Foi um regime imoral, medonho, indefensável sobre todos os ângulos.
Fala-se tanto do "mensalão", como um exemplo de falência das instituições, mas vocês acham que se fosse numa
ditadura, tal esquema de corrupção teria sido denunciado? Investigado?
Julgado? Ou que algum agente público teria sido condenados? Podemos
discordar de muitas coisas sobre o processo, podemos amar ou odiar os
réus e os "PTralhas", mas não podemos negar que esse julgamento foi histórico,
impossível de ter acontecido no tempo passados. E, repito, pode ter
certeza que muita coisa pior acontecia naquela época.
Chego a conclusão que, de maneira geral, esses saudosistas da ditadura não sabem o que estão falando. Assistem o Datena e leem a Veja e têm alguns rompantes reacionários e autoritários. Concluem em suas cabecinhas quase ocas que está tudo uma porcaria e que a solução é acabar de uma vez com nossa frágil democracia. Não, não é.
Sim, ela é corrupta, ela funciona mal, é fisiologista, corporativista, demagógica, mas ainda assim é a nossa pouca garantia que as coisas não possam ser ainda piores. Pelo menos eu sei que posso falar mal e discordar do governo, eu sei que bem ou mal há uma oposição lá no congresso fiscalizando o governo, sei que tenho alguns direitos fundamentais que ninguém pode me tirar e que justamente por serem violados todos os dias é que temos lutar cada vez mais por eles.
Sério, vão por mim, é mais seguro e garantido viver numa sociedade na qual o Estado não tenha o poder de te ameaçar, entrar na sua casa a qualquer hora do dia, te torturar para conseguir informação, ou te matar e dizer que você se suicidou. É melhor quando a gente sabe, através de umas letrinhas escritas no papel (também chamadas de lei) exatamente quais são nossos deveres e nossos direitos e que os representantes do Estado também tem que seguir aquelas letrinhas. A ditadura que enrabar o outro pode muito bem acabar enrabando você...
Sinto que estamos perdendo um tempo enorme tratando fantasiosamente de coisas absurdas, como se fossem as coisas mais naturais do mundo. Sinto que eu estou perdendo meu tempo com lunáticos. Faça um favor para você mesmo pueril e delirante adorador de ditaduras, mantenha-se calado e evite que as pessoas saibam o tamanho da sua imbecilidade.
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os dias
quinta-feira, 13 de março de 2014
Então, adeus...
Gostava quando você tossia. Alguma coisa em mim se animava ao ouvir aquele "cof, cof" (na falta de onomatopéia melhor...). Era você de volta. Era eu me apegando a qualquer coisa passada que me trouxesse um pouco de comforto. Um gesto tão inequivocamente seu, que eu sentia que você estava de volta. A mesma tosse que há muito tempo atrás vinha da cozinha e eu ouvia deitado no sofá da sala. A leveza por saber que você estava lá e que tudo estava bem. Nós sempre estamos nos gestos mais despretensiosos e corriqueiros: um jeito de apertar os lábios ou de ajeitar os óculos, de rir fechando os olhos, de andar devagar.
Às vezes me lembro... Uma lembrança débil, nebulosa, confusa, que se esforça pra se fazer presente. Me assusto com o fato de que cada vez menos consigo me lembrar de como era antes, lá atrás. Sinto dificuldade em aceitar que você não é mais e que, com isso, eu também sou menos. Porque a gente nunca é só a "gente" mesmo. Eu sou também o que os outros fazem de mim. E eu gostava tanto do que você me fazia ser...
Aí eu percebo que viver é sempre pela última vez. Percebe? Sou eu me fazendo e desfazendo continuamente. Às vezes na porrada! E sempre que eu ia embora e voltava você me jogava essa verdade inconveniente na cara. Ao não me chamar pelo nome, ao não me olhar nos olhos, ao não fazer o que você sempre fez, você negava um pouco a minha própria existência. Por isso era importante reconhecer e me apegar àquele seu pequeno gesto. Era eu sabendo que, afinal não estava perdido por completo. E eu pensava em você e no resto das coisas e de alguma forma percebia que é sempre pela última vez. No fundo eu sabia que partir é só uma questão de quando e que não me seria permitido ensaiar despedidas. Se assoprarmos a camada de rotina e fixidez que nos cobre e nos acalenta podemos perceber que é sim, sempre sobre adeus.
Então, adeus.
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solilóquio
sexta-feira, 7 de março de 2014
não te canto,
não te conto
verdade inteira,
toda encanto
etérea, terrena
nem te corto
ou te escondo
na tristeza da tinta
que turva e teima
(traição suprema!)
posto que a vibração
da sua presença
entorpece já
meu desatino
gotejado túmido
em tantas folhas
não te canto
toda, em cantos
tímidos, escondidos
na existência incerta
que compartilhamos,
seres que se tocam
e se repelem,
forças que se inflamam
e tentam a busca
do último retiro
(...sou torto,
não sei dançar
teu tango)
não te conto
verdade inteira,
toda encanto
etérea, terrena
nem te corto
ou te escondo
na tristeza da tinta
que turva e teima
(traição suprema!)
posto que a vibração
da sua presença
entorpece já
meu desatino
gotejado túmido
em tantas folhas
não te canto
toda, em cantos
tímidos, escondidos
na existência incerta
que compartilhamos,
seres que se tocam
e se repelem,
forças que se inflamam
e tentam a busca
do último retiro
(...sou torto,
não sei dançar
teu tango)
sábado, 1 de março de 2014
quatro tentativas perdidas (e recuperadas por uma garota insolente)
I. "Me vi mil vezes saindo por aquela porta...
Por força da inércia acabei ficando, mas minha alma saiu e me fez mais ausente do que qualquer um lá fora".
II. "Quis dizer tudo o que há muito já estava em minha cabeça. Pensamentos revolucionários, megalomaníacos, ousados
Grandes demais para uma vida
(ou duas)
Calei-me
(Talvez a grande rebeldia seja se calar)"
III."Faço tudo que de mais previsível e explícito poderia fazer. E me suponho como dono de uma discrição sem igual. Afinal, você sabe tudo o que eu penso e que digo sim ao dizer não e usa isso contra mim.
Ou não!"
IV. "Uma folha em branco e te faço tão branca como a folha.
Tão folha quanto linda
Tão minha...
Bola de papel que vai p/ o lixo."
...: Não foi.
Nunca folha em branco.
(Lá de 2007)
Por força da inércia acabei ficando, mas minha alma saiu e me fez mais ausente do que qualquer um lá fora".
II. "Quis dizer tudo o que há muito já estava em minha cabeça. Pensamentos revolucionários, megalomaníacos, ousados
Grandes demais para uma vida
(ou duas)
Calei-me
(Talvez a grande rebeldia seja se calar)"
III."Faço tudo que de mais previsível e explícito poderia fazer. E me suponho como dono de uma discrição sem igual. Afinal, você sabe tudo o que eu penso e que digo sim ao dizer não e usa isso contra mim.
Ou não!"
IV. "Uma folha em branco e te faço tão branca como a folha.
Tão folha quanto linda
Tão minha...
Bola de papel que vai p/ o lixo."
...: Não foi.
Nunca folha em branco.
(Lá de 2007)
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
breve consideração sobre um parágrafo...
"(...) o homem contemporâneo, estimulado por uma série de cirscunstâncias, deu grande relevo às necessidades e aos interesses de natureza econômica, obtendo-se um extraordinário crescimento nessa área, praticamente em todo mundo. Entretanto, para obtenção desse resultado, vêm sendo deixado para trás setores inteiros da sociedade, constatando-se, então, que o crescimento, que é apenas o aumento das quantidades, não é acompanhado por um desenvolvimento, que exige melhoria qualitativa. Em outras palavras, esse inegável crescimento econômico não é o produto da utilização adequada dos recursos sociais, no sentido de atendimento do bem comum, revelando-se, portanto, absolutamente inútil e, às vezes, até prejudicial para esse fim"
(DALARI, Dalmo de Abreu; Elementos de Teoria Geral do Estado, p. 16. Ed. Saraiva)
______________________
Sempre me causou certa estranheza e descontentamento esse tipo de ideologia e esse modo de governar voltado basicamente para o crescimento econômico, se limitando a melhorar a todo o custo os indicadores (aumentar o PIB, reduzir o desemprego, exportar mais, alcançar metas de superávit...) como se o nosso objetivo enquanto nação e sociedade fosse basicamente produzir mais e consumir mais, num ciclo eterno, um fim em si mesmo que se cala sobre tantas outras questões que deveriam ser colocadas na pauta. Esquecemos de nos perguntar por quê, pra quê e até que ponto desejamos essa maior circulação de riquezas.
Não que deixe de ser importante que o país mantenha-se economicamente saudável (e aqui me abstenho de entrar no mérito sobre o que exatamente seria isso), mas Dalari toca no ponto quando questiona se, no final das contas, essa corrida cega e irracional não acaba por colocar em segundo plano outros objetivos sociais que também deveriam ser considerados essenciais. Por exemplo o direito a um meio ambiente saudável, que tem sido desde sempre ignorado por uma lógica que persegue o crecimento econômico doe a quem doer (e a gente sabe em quem doi...). A maioria de nós, brasileiros, vivemos em cidades hostis, violentas, poluídas e que de maneira geral não nos dá qualidade de vida.
Não sei (e não sabemos) exatamente o que é esse tal de "bem comum", mas se ele envolve minimamente as diversas aspirações dos seres humanos, devemos logo de saída nos questionar sobre a necessidade de repensar e reinventar nossas metas e estratégias enquanto sociedade.
Não sei (e não sabemos) exatamente o que é esse tal de "bem comum", mas se ele envolve minimamente as diversas aspirações dos seres humanos, devemos logo de saída nos questionar sobre a necessidade de repensar e reinventar nossas metas e estratégias enquanto sociedade.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Algumas linhas sobre "Beleza e Tristeza"
Não sei ao certo por que escrever sobre esse livro. Não foi o melhor que li na minha vida, talvez nem mesmo no ano (e estamos apenas no segundo mês!).
Arrisco dizer que há nele algo de marcante que eu não havia encontrado antes em nenhum outro, uma força intrínseca que é de fato ao mesmo tempo bela e triste. Sei, isso é demasiadamente vago. Terei condições de me explicar melhor?
Não quero falar muito sobre o enredo em si. Mas adianto que o cerne é um doloroso caso de amor de um homem caso com uma jovem. Eles se afastam, mas as feridas permanecem indeléveis em cada um. Ninguém está totalmente imune aos acontecimento; é o que os une e os afasta e o que determina a maneira como eles se relacionam entre si e consigo mesmos. Como um fantasma que está sempre presente e do qual não se consegue escapar. Logo todos estão sufocados em sentimentos como remorso, amor, solidão, vingança, ciúmes... Presos ao passado o mundo se torna um lugar amargo e difícil. Há uma leve e permanente camada de melancolia sobre todos a trajetória deles. Não é possível ser feliz, deixar o passado para trás.
Não quero falar muito sobre o enredo em si. Mas adianto que o cerne é um doloroso caso de amor de um homem caso com uma jovem. Eles se afastam, mas as feridas permanecem indeléveis em cada um. Ninguém está totalmente imune aos acontecimento; é o que os une e os afasta e o que determina a maneira como eles se relacionam entre si e consigo mesmos. Como um fantasma que está sempre presente e do qual não se consegue escapar. Logo todos estão sufocados em sentimentos como remorso, amor, solidão, vingança, ciúmes... Presos ao passado o mundo se torna um lugar amargo e difícil. Há uma leve e permanente camada de melancolia sobre todos a trajetória deles. Não é possível ser feliz, deixar o passado para trás.
Mas é desse estado melancólico que surge a beleza aludida no título, sempre acompanhada de um certo amargor, mas ainda assim plena. Os protagonistas canalizaram a sua dor na arte. Ele, um famoso escritor, tem nos relatos de suas memórias sua obra-prima, ela uma talentosa pintora, encontra nas artes plásticas uma maneira de recomeçar sua vida. Ambos carregam esse pesado fardo de uma maneira digna, constrita, silenciosa. Aceitam a tragédia e a dor indissociável de suas trajetórias, não renegam, mas criam, a partir delas, coisas belas. Não ha escapatória possível, os sentimentos que nutrem é o que os fazem ser quem são, é o que os impossibilita de ser feliz.
A própria maneira como a história se desenrola é sutil, contemplativa. Lenta e delicadamente o autor vai construindo uma rica pintura, em longas descrições das paisagens japonesas, de sua natureza e seus antigo templos, o que acabou me remetendo a delicadas pinturas de tons suaves. O movimento ambíguo dos personagens, seus diálogos, a forma ora frágil, ora pungente como interagem entre si e com o ambiente, tudo ali guarda uma grande beleza, que misturada à inescapável melancolia que permeia toda a história, acaba por causar no leitor uma sensação de deslumbramento e vazio.
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
bobagens...
Falta
alguma coisa
Quero
carregar a vida na mala
Oras pois,
quando viajo,
parto para
nunca mais voltar.
Parte de
mim vai embora
e outras
simplesmente surgirão
A menina
que vai não é o mesma que volta
Meu partir
é transformação
- Eu, Bob e a bagunça. Muita bagunça
______________________
porque quando o silêncio é demais, a gente para pra ouvir ao redor...
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