quarta-feira, 16 de novembro de 2011

pra não esquecer

doze meses e lá se vai um ano...
muita coisa, eu sei, vai cair num buraco escuro de esquecimento... fatos pra sempre perdidos (a gente sempre esquece datas e nomes...). não lamento, porém. não estão tão perdidos assim. eu sei, por certo, que tudo que eu vivi e esqueci faz parte de mim de alguma forma e para sempre. eu não vou saber dizer, mas vou sentir. não vou conseguir explicar, mas você vai entender.

ainda assim eu gosto e tento lembrar de tudo. procuro sempre capt(ur)ar o momento. numa foto, numa frase. evidências de que eu estive ali... todas as sensações misturadas: um cheiro que me faz sentir em casa, um som que remete àquele dia, um gosto que faz com que eu queira mais... passar a limpo, saber apreciar o que foi bom, agradecer as oportunidades. sim, porque me espanta a ideia de que nada precisava ser assim e poderia não ter sido! e dá medo pensar nas coisas dessa forma. e faz com que eu me sinta privilegiado em saber que por doze meses (até agora) eu pude ter você ao meu lado, a sua dedicação, sua companhia, os seus cuidados...

e mesmo sem perceber vou inventando uma história que de tempos em tempos paro pra contar pra mim mesmo (e para quem quiser ouví-la). uma colcha de retalhos que se forma das nossas vidas. coisas (muitas) que eu não esqueço nunca!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

escrevo do lado de cá ainda, quando uma grande coisa vai acontecer, mas ainda não aconteceu, então só dá pra imaginar como será...

ir morar em outra casa, na minha, sozinho, o único responsável para resolver todas as coisas, pagar as contas, comprar o que é necessário, limpar, cuidar, providenciar, é algo que eu espero já há alguns anos. faço planos, faço contas e agora boto a mão na massa, mas acho que eu vou estranhar muito. chegar em casa no fim do dia e ver que tudo está exatamente do jeito que deixou, não ouvir barulhos, nem conversas deve ser estranho de início.

claro que sempre fica um sentimento de saudade de tudo que fica pra trás, afinal, as coisas nunca mais serão como foram até então (e olha que foram boas), mas chega uma hora em que é necessário mudar, expandir, querer mais, experimentar coisas novas. enfim, seguir em frente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

(...)

e agora eu ia começar a ler as obras completas do sr. fulano de tal, mas fiquei com preguiça...
preguiça daquelas compridas e arrastadas
de início de tarde dominical.
do gato deitado ao sol.

não, não há vergonha em haver preguiça!
antes a preguiça do que milhares (ou uma dúzia, não importa) de linhas pesando nos olhos.
o português culto de pessoas cultas num rococó pós-moderno.
ideias absurdas rondando minha mente, criando alucinações e distorcendo minha visão...
se eu lesse um parágrafo que fosse daquelas histórias (o labirinto discursivo) iria achá-las pretensiosas e só. iria preferir ir lá pra fora, olhar as nuvens.
e me daria tédio a celebração do intelecto superior, da alma sensível do artista.

desculpe-me, não queria soar grosseiro, sr. fulano de tal.
é só preguiça da sua mania de saber muita coisa e da sua pulsão criativa, que cria coisas belas e ocas. é preguiça de qualquer coisa, ainda mais daquelas que demandam esforço inútil. de todos os textos que começam com um "senhoras e senhores, um minuto de vossa atenção pois venho-lhes trazer a revelação universal", ainda que implicitamente. você sabe que é isso que pensa quando põe-se a bater dedos num teclado ou quando ataca furiosamente a folha branca com sua tinta esferográfica.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

the bike days are back!

depois de quase três anos ensaiando, criei ânimo e voltei a andar de bicicleta.
quer dizer, foi um dia só (hoje) e eu quase morri de cansaço, mas espero continuar animado. evitar a "lotação lotada" de cada dia já é um belo ganho. chegar mais rápido no meu destino é outro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

você está satisfeito com seu trabalho?

essa pergunta surgiu despretensiosamente numa conversa e me fez pensar a ponto de escrever algo sobre ela.

primeiro de tudo, nunca tive um sonho, um objetivo quanto ao que fazer profissionalmente. isso se refletiu na minha escolha pra faculdade (ciências sociais), algo que eu dificilmente levaria adiante como ganha-pão. desde o dia que eu escolhi esse curso entre tantos outros (de maneira quase aleatória) meu pensamento sempre foi "o que será que eu quero aprender?" e não "com o que eu quero trabalhar?"...

isso me levou a encarar a faculdade de uma maneira muito diferente do que a grande maioria das pessoas fazem. pra mim, ir pra faculdade, me envolver com temas e disciplinas foi mais uma questão de realização pessoal, de me interessar por algo que me agregasse e não de ascensão pessoal. logo, fazer a faculdade foi muito mais importante do que me formar. quase todo mundo vai pra "facul" seguindo aquela lógica de diploma = ter um emprego melhor. pra mim, pelo contrário, estudo e trabalho foram duas coisas em esferas diferentes da minha vida.

desde que eu comecei a pensar em trabalhar, meu ideal de trabalho era aquele que me estorvasse o mínimo e que me propiciasse  o máximo em retorno. sério, sempre naquela lógica madruganiana de "não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", cheguei a conclusão que eu deveria ter um emprego razoavelmente bom e tranquilo pra que eu pudesse me dedicar a outras coisas importantes para mim. emprego é relação de mercado e tentei o máximo possível fugir um pouco de ser formatado enquanto um produto (sempre detestei entregar currículo e fazer entrevista, por exemplo) e outra, bom emprego pra mim estava (e está) muito relacionado a como você se sente no ambiente de trabalho, se é bem acolhido, respeitado, se dá bem com as outras pessoas e isso não se consegue optando por essa ou aquela profissão.

acho que posso chegar a conclusão de que, sim, estou satisfeito com meu trabalho. não porque ele me dignifica (como diz aquele ditado estúpido) ou por algum sentimento de realização, satisfação ou amor ao labor (uma ideia que eu acho meio tosca), mas porque gosto de vir todos os dias para cá, não me queixo das minhas atribuições, me dou bem com todos de maneira geral e (pelo menos por enquanto) acho que o que ganho está de bom tamanho. simples assim.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

acabei de reler esse livro depois de 13 anos. estranho pensar que já faz todo esse tempo,  mas a tendência é essa mesmo, eu usar números cada vez maiores para indicar coisas que fiz no passado... ganhei ele no meu aniversário de 12 anos, quando estava começando a me interessar por música e principalmente rock nacional dos anos 80. a primeira banda a realmente me interessar foi a legião urbana. muitas outras eu só fui realmente conhecer no decorrer dos anos (tipo ouvir com atenção alguns cds, procurar outras referências) e era comum eu pegar o livro pra consultar o capítulo que falava dela. de lá pra cá, acabei me interessando por engenheiros do hawaii, nenhum de nós, plebe rude, ira!, barão vermelho, paralamas do sucesso e lobão.

claro que ler em 98 e em 2011 foram duas experiências completamente diferentes. pensando agora todo esse tempo maturou e ampliou muito meu gosto musical, mas sem dúvida esse livro representa um pontapé inicial, o momento em que eu comecei a gostar de maneira mais sólida de algo do mundo adulto. lembro que cada linha do livro era uma imensa novidade. conhecer nomes, bandas, discos, histórias. eu não sabia nada e por isso era bem empolgante. muita coisa passava batida como as citações de bandas estrangeiras e estilos, como dead kennedys, the clash, ac/dc, rock progressivo, new wave, pós-punk, entre muitos outros, mas bem ou mal foi o primeiro contato e me fez querer conhecer um pouco mais. agora o legal é perceber que consigo entender quase a totalidade do livro (bom, no mínimo eu sei do que o autor está falando).
em 200 e poucas páginas o autor condensa o surgimento do rock no brasil, fazendo uma preparação de terreno com o que aconteceu nos anos anteriores (jovem guarda e tropicalismo, po exemplo) até o surgimento de bandas que realmente foram os pilares do rock brasil e que fizeram a estética e a atitude do rock ser levada a sério no mainstream, como legião, titãs, paralamas, barão vermelho. pela primeira vez grupos de rock nacionais lotavam casas de show e vendiam milhões de discos. claro que não se resume a isso e nem acho que seja o mais importante, mas reconheço o quanto isso foi um divisor de águas. dezenas de bandas médias e pequenas, que por um motivo ou outro não chegaram a fazer tanto sucesso (de crítica, público ou ambos), mas que ainda assim eram a prova de que algo novo e forte estava acontecendo no cenário musical do brasil.

fica nisso, um misto de nostalgia pessoal ao retomar histórias que estão na base do meu gosto musical e o gosto por informações e histórias interessantes.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

noturno

deita aqui, com a cabeça no meu peito.
eu afago seus cabelos e você me conta histórias.
seu rosto distraído, sonolento, me encanta.
o corpo perto me conforta. sou feliz.

parado, o universo gira ao seu redor.
fixo meu olhar no rosa dos seus lábios,
no desenho que eles formam em cada sílaba,
me arrebata o hálito que eu inspiro fundo.

"eu te amo". penso, mas não falo.
não ouso romper a harmonia que se forma
quero só me esconder e te espiar.

voz baixa, língua lenta. piscadas demoradas
até que numa delas, súbito, o sono te vence
beijo seu rosto. cubro seu ombro. durmo também.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

dez anos do ataque aos eua


o assunto nem me interessa tanto, ou não da maneira como é abordado por grande parte da imprensa. fico incomodadocom a maneira como esse acontecimento é retratado, criando-se uma narrativa na qual os eua são a grande vítima de pessoas intolerantes, radicais e que só agem motivadas pelo ódio. por mais que isso fosse verdade, não concordo em colocar os eua (e o dito "ocidente") por outro lado como país inocente, virtuoso, preocupado em levar a paz e a """democracia""" para o resto do mundo. menos hipocrisia, por favor. essa coisa de cançãozinho bonita, um minuto de silência, homenagens e chororô público é bonito pra aparecer na tv, mas é tão perigosamente irreal, quanto separar o mundo entre bons e maus. uma vida dedicada à arrogância imperialista e à unilateralidade na maneira de se lidar com o resto do mundo (o islâmico principalmente) acabaram por criar algumas antipatias.

certo, que eles chorem seus mortos. que lamentem o ataque que sofreram (ainda que haja teorias da conspiração que considerem o ataque uma ação orquestrada pelo governo americano... vai saber) e se preocupem com sua segurança. afinal pessoas inocentes morreram e isso nunca é legal. maaaaas, não me venham com síndrome de coitadismo, os eua não são o mocinho dessa história. as 3.000 vidas americanas perdidas em 11/09/01 não são mais importantes que milhões de outras vidas perdidas de maneira semelhante, muitas inclusive por ações militares dos eua e aliados.

só pra ficar em um exemplo mais fácil, desde que os grande cruzados da democracia e da segurança mundial invadiram o iraque, um tal de "Iraq Body Count Project (IBC) documentou 73.264 a 79.869 mortes de civis não combatentes desde o princípio da guerra até 20 de Setembro de 2007." (wikipedia). qual é a motivação para essas mortes? são tão injustas quanto as que aconteceram em solo americano. e não há NENHUM ARGUMENTO nesse mundo que as justifique. a invasão do iraque se deu por um motivo falso (possível existência de armas químicas naquele país), CONTRA a posição da ONU  (se é que aquela porra serve pra algo mais que reunir líderes mundiais pra um papinho descompromissado e um bom café...).  alguém pode dizer que o saddam hussein era um cuzão e que merecia sair do governo iraquiano. eutudo bem, diga isso pra família desses mais de 70.000 CIVIS mortos (isso numa estimativa baixa).  também achava o bush um cretino e nem por isso quis tirá-lo a força do poder... só mesmo pessoas muito ingênuas não imaginariam que o que os americanos queriam no iraque era o rico petróleo deles.

enfim, que se respeite a morte dessas 3.000 pessoas, mas não me venham com essa história hipócrita de que não foram eles os próprios causadores do ódio que culminaram naqueles acontecimentos. os mortos deles não justificam os mortos dos outros e não os absolvem também. eles mataram muita gente ao redor do mundo somente por seus interesses e continuam fazendo isso até hoje. são um país conservador, belicista e preconceituoso.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

por que eu moro em são paulo?

cada dia mais penso em por que vivo (e vivemos) em são paulo.
é uma cidade que te oprime em todos os sentidos. é suja, feia, poluída, degradada e tem problemas sociais gravíssimos.
ser pobre nessa cidade é pedir para sofrer diariamente em áreas básicas como saúde, educação, transporte e lazer. se você tem uma condição social melhor, vai morrer de medo de ser assaltado, sequestrado, assassinado. aí acaba se escondendo atrás de um muro alto ou dos vidros do carro. tanto para os ricos quanto para os pobres a questão é desconfiar de tudo e de todos e sobreviver.
é feia sim. não tem como falar que são paulo é uma cidade bonita. as marginais são o cartão-postal de quem chega. um esgotão a céu aberto (como eu gostaria de poder ver os rios de são paulo despoluídos um dia!) margeado por asfalto e milhares de carros. só de olhar eu me sinto mal, parece que a cidade grita "não queremos você aqui!". pra todo lado a cor predominante é o cinza do concreto e da fumaça.
o centro e diversas outra áreas são depósitos de pessoas excluídas que a gente passa por cima e finge que não vê (alguém que conhece a cracolândia ou a várzea do glicério vai discordar?). as periferias estão apinhadas de favelas, milhares de barracos espremidos com gente (sobre) vivendo de forma precária.
o paulistano quase sempre mora bem longe do trabalho e leva duas horas pra chegar a ele, extremamente apertado, ou estressado atrás de um volante, como é de praxe. e mesmo que more a dez minutos, com o trânsito, o trajeto será quatro vezes mais demorado. vai respirar bastante fumaça a ponto de desenvolver problemas respiratórios.
lazer é outra área totalmente problemática. paulistano adora falar que aqui tem de tudo, você pode fazer praticamente qualquer programa a qualquer hora do dia ou da noite. bares, restaurantes, cinemas, teatros, shows, baladas e uma série de eventos que só acontecem nas maiores cidades do mundo. tem sim, se você estiver disposto a torrar uma bela grana com isso. tudo aqui é muito caro. estacionar o carro é mais caro que andar com ele, ingresso pra qualquer evento é um absurdo, comer e beber então, nem se fala. além das filas e dos aborrecimentos comuns a lugares onde há muita gente. experimente ir ao cinema no sábado à noite, por exemplo. experimente querer imaginar em ir ao show de um grande artista... conclusão, ou você tem o mínimo de recursos pra bancar programas na cidade, ou vai acabar na televisão ou no computador mesmo.
querer morar num imóvel seu é luxo só para os mais abastados. qualquer apartamentozinho de dois quarto na periferia da periferia tem valores por volta de R$ 200 mil.
claro que muitos desses problemas assolam também muitas outras cidades, mas acho que o tamanho da região metropolitana de são paulo torna todos eles ainda maiores e de difícil solução. tudo aqui é enorme. tanto o luxo quanto a pobreza. são várias cidades numa só.
e olha que tudo que eu levantei aqui faz parte do meu cotidiano. eu sei o que é perder mais de três horas diariamente no trânsito. morei desde sempre afastado do centro e muito próximo de favelas. vou para a região da sé todos os diase convivo com todos seus problemas. se me aventuro a sair no finais de semana sei que, se não tomar cuidar vão me tomar até a roupa do corpo. e tento há alguns anos morar em um imóvel próprio...
a melhor conclusão a que pude chegar é que pagamos pra morar numa cidade de primeiro mundo, mas moramos de fato numa de terceiro.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

algumas linhas sobre anjo negro



quanto mais eu leio nelson rodrigues, mais eu me fascino.

terminei hoje "anjo negro", talvez sua obra mais polêmica (do pouco que eu conheço, com certeza é). tanto que ficou censurado por um bom tempo. afinal, se hoje em dia já é complicado falar de incesto, pedofília, racismo, infanticídio, imagina na década de 40. tudo isso na peculiar aura de morbidez e insanidade que está presente nas relações conjugais e familiares de seus personagens.

a história de anjo negro gira em torno de ismael, um negro com profundo ódio de sua cor (o que o leva inclusive a rejeitar a própria mãe e lutar obstinadamente para ascender socialmente e tornar-se um "negro de alma branca") e sua mulher, virgínia, uma bela e branquíssima moça. desde o começo a relação entre eles se dá de maneira obssessiva, insana, sadomasoquista. a própria união entre eles, como todos os acontecimentos que se sucedem na peça (e que eu estou me segurando pra não contar) se dá numa série de tragédias, violações, sofrimento e morte. tudo adquire (e sente-se nitidamente isso por entre as páginas) um caráter obscuro e grotesco (talvez por isso mesmo feérico e talvez burlesco).

tenho uma impressão geral, que nelson rodrigues sempre mostra e realça o que há por trás das relações trivais, do dia-a-dia (basicamente familiares) e com as quais estamos acostumados desde sempre. máscaras caem e podemos ver um turbilhão de desejos, paixões, imoralidades e mesquinharias, enfim, fantasmas que nos rodeiam mas que não escapam a quem espia pelo buraco da fechadura.

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mas claro, nada disso é tão importante quanto as palavras escritas em caneta azul e que fizeram com que eu me sentisse mais feliz na volta pra casa.