"mas que bobagem pensar nessas coisas. será que não entendes, finalmente, que o passado é pura doença?"
"sim, eu sei. o velho maranhense, em um de seus inúmeros versos me disse exatamente isso e eu fui capaz de acreditar... realmente tenho andado muito aflito, sinto-me profundissimamente hipocondríaco. revivo a queda e o horror a cada instante, a morte da minha última quimera. a iminência do desastre me arrepia. sinto que este é o último suspiro e eu não quero morrer, não quero apodrecer no poema!"
"ora, ora, sossegue, meu caro, esqueça... o momento agora é de calma extrema. deixar-se estar descrente e sereno... cinicamente sereno. estar atento e manter-se frio. não creia, não ore, não peça nada, desconfie do que se supõe ver."
"o seu discurso requentado não convence... estou cansado de tentar entender o que deveria ser, esse sempre ensaiado ritual ridículo de auto-multilação simbólica! a verborragia na qual me desmancho e com a qual me violento... não tenho forças e nem desejo ter, só quero que os dias passem e que eu passe . acho que afinal tornei-me melhor homem-medíocre do que imaginava."
"sinceramente, não me importo no que você se tornou ou acha que se tornou... não tenho paciência pra essa sua lamentação ensaiada. o mau cheiro que exala a sua auto-piedade não é movimento crítico! meu irmão, aposte todas as suas fichas na vida e esteja pronto pra morrer!. você não sairá vivo daqui. aceite lirismo do esmagamento da alma e não hesite em revidar a ferocidade com que o mundo te golpeia! encare como uma dádiva as centenas de milhares de seres humanos esperando pela oportunidade de te apedrejar, escarrar-lhe a boca! essa é a beleza, é o universo bruto pulsante! fascinante e assustador! não há escapatória, estamos sempre por um triz e o empurrão derradeiro vem exatamente de onde menos se espera. a armadilha é o refúgio e o refúgio é a armadilha. saiba guardar o rancor do teu irmão e deixe que ele molde o teu espírito, mas não perca nunca o ritmo da música e o humor. o beijo, meu amigo, é a véspera do escarro e da traição! "
"não me venha com as ideias roubadas desse paraibano mórbido! dispenso seus conselhos e sua beliche de egoísmos, sou mera ficção e tenho frio. refuto o mundo, não tenho forças...enquanto tarda o abismo e o silêncio quero estar sozinho."
"hahaha, fala de mim, mas parafraseia constrangedoramente um louco inventado por outro louco... realmente, você se deixou levar pela covardia e a pobreza de espírito. perdeu-se até o furor literário. não há nada o que fazer a não ser tocar logo de uma vez o maldito tango argentino e pedir perdão pelo que se fez. beijo-te a face como judas o fez. odeie-me fraternalmente, pelo menos isso. chega, me canso dos seus comentários, quero te bater ou te abraçar..."
"... o que você achar melhor."
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Cinema em 2012!
Fui pouco ao cinema em 2012, muitos filmes preferi esperar pra ver em casa, inclusive pelo preço abusivo dos ingressos. Ainda assim, acho que alguns deles merecem ser citados aqui, até como forma de relembrar:
Os Vingadores: gosto muito de filmes de super-heróis e ver um monte deles juntos na tela arrebentando tudo foi bem divertido. Nada de novo, óbvio, mas estava na expectativa há alguns anos e não me decepcionei.
Flores do Oriente: Se passa na China e trata da guerra sino-japonesa e dos esforços de um americano, a princípio meio insensível, de proteger algumas jovens que viviam numa igreja, contando com a ajuda inesperada de prostitutas que também buscam abrigo na igreja. História contada de uma maneira bela e tocante, como não poderia deixar de ser.
Para Roma com Amor: Woody Allen! Só isso já justificaria minha ida ao cinema. Definitivamente não é o meu preferido do diretor, mas isso não importa... é um ótimo filme, tem aquela atmosfera agradável e tão característica, ótimos diálogos, personagens carismáticos, situações inusitadas e cômicas. Divide-se em quatro histórias, todas elas com a cidade de Roma como pano de fundo.
Batman: Cavaleiro das Trevas Ressurge: Sou muito fã desse batman do Nolan e esperei pacientemente o desfecho da trilogia. Gosto da profundidade da trama e do personagem, construído a partir do trauma e da dor, fazendo surgir um herói mais sombrio e humano. Como pontos negativos estão o excesso de voltas que a história dá (tornando-se prolixo) e o teor excessivamente caótico dos acontecimentos, que desviam um pouco o foco do batman com o qual estava acostumado. mas isso acho que é reflexo do meu excesso de expectativa.
007 - Operação Skyfall: Acho James Bond uma figura interessantíssima, um clássico, ainda que me entedie um pouco a fórmula exaustivamente repetida de seus filmes por 50 anos. Justamente por isso me agradou este novo filme da franquia, que traz um 007 mais taciturno, um veterano tendo que provar mais uma vez o seu valor. Gostei também da relação mais próxima com a M. De resto, tiros, espionagem e a elegância caracterísitica do James Bond.
Os Vingadores: gosto muito de filmes de super-heróis e ver um monte deles juntos na tela arrebentando tudo foi bem divertido. Nada de novo, óbvio, mas estava na expectativa há alguns anos e não me decepcionei.
Flores do Oriente: Se passa na China e trata da guerra sino-japonesa e dos esforços de um americano, a princípio meio insensível, de proteger algumas jovens que viviam numa igreja, contando com a ajuda inesperada de prostitutas que também buscam abrigo na igreja. História contada de uma maneira bela e tocante, como não poderia deixar de ser.
Para Roma com Amor: Woody Allen! Só isso já justificaria minha ida ao cinema. Definitivamente não é o meu preferido do diretor, mas isso não importa... é um ótimo filme, tem aquela atmosfera agradável e tão característica, ótimos diálogos, personagens carismáticos, situações inusitadas e cômicas. Divide-se em quatro histórias, todas elas com a cidade de Roma como pano de fundo.
Batman: Cavaleiro das Trevas Ressurge: Sou muito fã desse batman do Nolan e esperei pacientemente o desfecho da trilogia. Gosto da profundidade da trama e do personagem, construído a partir do trauma e da dor, fazendo surgir um herói mais sombrio e humano. Como pontos negativos estão o excesso de voltas que a história dá (tornando-se prolixo) e o teor excessivamente caótico dos acontecimentos, que desviam um pouco o foco do batman com o qual estava acostumado. mas isso acho que é reflexo do meu excesso de expectativa.
007 - Operação Skyfall: Acho James Bond uma figura interessantíssima, um clássico, ainda que me entedie um pouco a fórmula exaustivamente repetida de seus filmes por 50 anos. Justamente por isso me agradou este novo filme da franquia, que traz um 007 mais taciturno, um veterano tendo que provar mais uma vez o seu valor. Gostei também da relação mais próxima com a M. De resto, tiros, espionagem e a elegância caracterísitica do James Bond.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
I.
eu sei, você me queria morto...
meu corpo estendido no chão seria poesia
sua obra-prima, tão pungente e pessoal.
cada membro compondo uma estrofe,
vísceras e sangue numa rima perfeita
o lirismo atormentado que só você veria
nos olhos muito abertos e vazios
na boca congelada num sorriso
na pele lívida de quem, entediado,
se prepara para ser defunto e fantasma
você lamentaria pela morte prematura?
ou por não poder me infligir uma dor renovada?
saber que descansarei eternamente cínico,
enquanto você sofreria de remorso e impotência?
(apreciaria uma vez mais a obra que tanto desejou?)
II.
leio o desejo de crime em teu semblante
capto a luxúria homicida a me espreitar
você hipnotizada ao imaginar o meu cadáver
enrubescida, excitada pelo pensamento mórbido...
(desarmo-te, avanço, toco a pele em brasa.)
entrega-se, trêmula, sussurra uma confissão.
convenço-te a, pelo menos esta noite,
desistir da pulsão poético-homicída
e aceitar feliz a vida que brota em mim
e te sequestra indecorosa e te domina.
________________________________
"ah, mas isso era antes"
eu sei, você me queria morto...
meu corpo estendido no chão seria poesia
sua obra-prima, tão pungente e pessoal.
cada membro compondo uma estrofe,
vísceras e sangue numa rima perfeita
o lirismo atormentado que só você veria
nos olhos muito abertos e vazios
na boca congelada num sorriso
na pele lívida de quem, entediado,
se prepara para ser defunto e fantasma
você lamentaria pela morte prematura?
ou por não poder me infligir uma dor renovada?
saber que descansarei eternamente cínico,
enquanto você sofreria de remorso e impotência?
(apreciaria uma vez mais a obra que tanto desejou?)
II.
leio o desejo de crime em teu semblante
capto a luxúria homicida a me espreitar
você hipnotizada ao imaginar o meu cadáver
enrubescida, excitada pelo pensamento mórbido...
(desarmo-te, avanço, toco a pele em brasa.)
entrega-se, trêmula, sussurra uma confissão.
convenço-te a, pelo menos esta noite,
desistir da pulsão poético-homicída
e aceitar feliz a vida que brota em mim
e te sequestra indecorosa e te domina.
________________________________
"ah, mas isso era antes"
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
"som na caixa e cera na sola!" v. 2013
um ciclo de 12 meses terminado, outro que começa... a vida se repetindo e a gente esperando coisas novas (e melhores). pura ilusão! é o cachorro que corre atrás do próprio rabo. e "no fim das contas ninguém sai vivo daqui.
mas, vamos com calma"... ainda vale a pena, então, toca o barco! a sucessão alucinada de dias até que de repente papai noel e suas luzes piscantes e bregas voltam pra encher o saco e me lembrar que o mesmo ciclo está para recomeçar.
o que eu quero de 2013? talvez mais bailarinas de coturnos. mais mágica no absurdo. mais equilíbrio e movimento. esse tipo de coisa que a gente desaprende a querer e que nos ensina a querer mais...
que se renove o impasse, o dilema. a deliciosa sensação de incerteza que nos acelera o coração e nos obriga a apostar a alma numa mesa de jogo. fora isso viver é chato, estar certo de tudo é estar morto!
e vamos para o sétimo ano dessa porra (porque eu sou assim e não aprendo nunca!).
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
A Dança?
"Você é tão MODERNO
Se acha tão MODERNO
Mas é IGUAL a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.
Você com as suas DROGAS
E as suas TEORIAS
E a sua REBELDIA
E a sua SOLIDÃO
Vive com seus EXCESSOS
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra FUGA
SAIR de casa então
Então é OUTRA festa
É OUTRA sexta-feira
Que SE DANE o futuro
Você tem a vida INTEIRA
Você é tão ESPERTO
Você está tão certo
Mas você NUNCA dançou
Com ÓDIO de verdade."
________________________
se tem um comportamento que me irrita profundamente é o das pessoas que, deslumbradas com a seu modo de vida e suas ideias, supostamente avançadas, constestadoras, (revolucionárias?) entre outras, acabam simplesmente repetindo comportamentos cristalizados e clichês do seu grupinho. na tentativa de se destacar, acaba sendo mais um a seguir uma velha cartilha imaginária...
não só me irrita, isso é pouco, me faz pensar muito em quanto as pessoas criam um ficção de si, para si e acreditam nela tanto a ponto de usá-la para criar uma falsa dualidade de nós e os outros. rogas, teorias e rebeldia que no final das contas te tornam exatamente aquilo que você diz não ser. você não é diferente, você não é contestador, você não traz nenhuma grande mudança para o mundo e nem para o seu entediante comportamente juvenil. pior: você reforça o status quo ao ocupar o lugar que te permitem ocupar. Como um cachorrinho que late no quintal... Você é igual a seus pais, talvez mais conservador e enfadonho que eles quando jovens. E pior que isso, a ideia que você tem de ser mais e melhor não te permite ver o quanto você é limitado. muito provavelmente mais um caretinha.
comportamentos juvenis são constrangedoramente repetitivos e bobinhos. principalmente quando estão em bando e precisam dele pra se auto-afirmarem e moldarem sua identidade. o pretenso inconformismo, sua relação com as drogas, os pequenos delitos (muitas vezes acompanhando de frágeis ideais libertários) são velhos clichês, aprendidos e propagados como algo genuíno.
esqueça, a rebeldia (como nós a conhecemos e como ainda vendem na tv) morreu, hoje em dia ela é vendida nas lojas, está totalmente absorvida e adaptada ao mainstream e ao mercado. garotos e garotas brincam de ser rebeldes e se acham fodas porque consideram que estão virando as costas para o velho mundo. eu penso diferente: acho que eles estão fazendo exatamente aquilo que se espera que eles façam, estão brincando de pirata no playground do condomínio. mas nunca dançaram com ódio de verdade...
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Jovens sendo revolucionários.
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diálogo,
falando nisso...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
das mesuras
perdoai o verso
que eu não fiz
e ainda mais o que eu fiz,
marcando a pele à lâmina
ou fingindo fazê-lo
perdoai a fraude,
a fuga impossível
o culto à alma, quando
eu nem mesmo acredito no corpo!
(ou no verbo)
as pequenas canalhices
o deboche com que ofereço
suor, sangue, lágrimas,
mas entrego-lhe a folha fria
(não creia)quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
"Todos os homens e mulheres são distintos, mesmo os gêmeos univitelinos. Aos nos relacionarmos com qualquer um deles, no entanto, fazemos isso por meio do seu tipo: branco, preto, capixaba, francês, pobre, rico, e assim por diante. Não fosse assim, a relação seria inimaginável. Não interagimos com coisas e seres singulares, esta possibilidade não está dada ao ser humano."
________________________________
foda chegar a essa conclusão: nós simplesmente não temos acesso ao outro ser ou coisa, não entramos em contato com ele de maneira plena. quando o fazemos é só de maneira muito limitada, por meio da nossa subjetividade, da nossa visão de mundo, sensações, sentimentos e inevitavelmente de nossos preconceitos... e tudo isso é muito pouco e quase falso (apesar de tão humano!).
conhecer uma pessoa é antes de tudo situá-la no (meu) mundo, é compará-la com o que eu já conheço e reduzí-la a algumas informações. nome, idade, onde mora, onde nasceu... dá pra perceber o quanto isso já é esteriotipar aquele ser? tentamos apreender um ser único e complexo através de um punhado de informações socialmente compartilháveis.
claro que existe uma enorme gama de outros estímulos que recebemos do outro (comunicação não-verbal, aquilo que é só sentido, intuido a "impressão" que nos passa...), mas ainda assim, CONHECER O OUTRO É CONHECÊ-LO ATRAVES DE VOCÊ MESMO. Não conseguimos escapar desse fato...
o mundo vasto, infinito com os bilhões de pessoas que estão lá fora estão irremediavelmente fora de nosso alcance. não os atingimos, não os alcançamos enquanto realidades objetivas...
isso me lembra muito o MITO DA CAVERNA de platão. nós conseguimos tão somente perceber umas poucas sombras na parede e achamos que isso é a realidade... não interagimos com os seres singulares, mas tão somente (e em graus variados) com as informações que recebemos e conseguimos "processar" (e a sombra é um ótima metáfora para isso). e é a partir dessas informações que definimos como vemos aquela pessoa e como vamos interagir com ela... e isso vai desde uma simples passada de olho, até a convivência por anos, o fato é que SEMPRE vamos estar reduzindo aquela pessoa, simplificando-a de forma que consigamos racionalizá-la. Em uma palavra, TIPIFICANDO-A.
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domingo, 9 de dezembro de 2012
conversas inflamáveis
separados por um pequeno labirinto,
me canso dos seus comentários
quero te bater ou te abraçar.
um profundo sentimentalismo me acomete,
faz com que eu reaja com ironia...
tenho sempre que me explicar
assim corro o risco de me tornar opaco.
assim corro o risco de me tornar opaco.
aos seus olhos sou pedante
meio enigma, meio fraude
o que me perturba algumas vezes.
o que me perturba algumas vezes.
não sou livre,
nem esperto o bastante...
só levemente piromaníaco
ensaio por fogo nas minhas roupas,
mas não vá embora,
não é o fim,
quero ouvir seus argumentos
enquanto
queimo
só levemente piromaníaco
ensaio por fogo nas minhas roupas,
mas não vá embora,
não é o fim,
quero ouvir seus argumentos
enquanto
queimo
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
a janela em frente me convida ao pulo
queria antes um beijo de boa sorte...
se eu voltasse com vida, seria outro homem
pularia o seu portão, te amaria no seu quintal
talvez você durma a essa hora
ou chore baixinho, com medo do escuro
do alto do nono andar quase posso te ver
com a luz do corredor acessa...
a conversa animada agora se foi
eu sou o antigo, mas me rastejo no presente
acho que eu só queria compaixão e desprezo
o pouco que eu valho, daria pra você contente
há um adeus na palma das mãos
vazias, ensaiam a dissolução do corpo
esfregá-las não adianta...
não adianta sabão, nem lâmina
uma ideia fixa, um gosto vazio na boca
alguns pontos luminosos lá embaixo
o cálice de vinho, amigo que não se foi
juventude sônica fazendo cócegas no meu ouvido...
caralho! eu tento evitar
mas a janela em frente que me convida ao pulo...
por sorte eu tenho o costume de ficar,
até os créditos finais...
queria antes um beijo de boa sorte...
se eu voltasse com vida, seria outro homem
pularia o seu portão, te amaria no seu quintal
talvez você durma a essa hora
ou chore baixinho, com medo do escuro
do alto do nono andar quase posso te ver
com a luz do corredor acessa...
a conversa animada agora se foi
eu sou o antigo, mas me rastejo no presente
acho que eu só queria compaixão e desprezo
o pouco que eu valho, daria pra você contente
há um adeus na palma das mãos
vazias, ensaiam a dissolução do corpo
esfregá-las não adianta...
não adianta sabão, nem lâmina
uma ideia fixa, um gosto vazio na boca
alguns pontos luminosos lá embaixo
o cálice de vinho, amigo que não se foi
juventude sônica fazendo cócegas no meu ouvido...
caralho! eu tento evitar
mas a janela em frente que me convida ao pulo...
por sorte eu tenho o costume de ficar,
até os créditos finais...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
a palavra é um verme
branco e vivo
que rasteja desprezível
onde há um, há muitos
e se apegam, patéticos,
à realidade perecendo
o cheiro da vida em decomposição
é o cheiro da palavra
impregnado nos jornais e nos homens
(até então burgueses e sadios)
há que se comer o verme
com o merecido nojo.
gosma na garganta, ânsia
e adorar o verme
como solução possível
pra que eu não viva sempre
(e não me torne estéril)
branco e vivo
que rasteja desprezível
onde há um, há muitos
e se apegam, patéticos,
à realidade perecendo
o cheiro da vida em decomposição
é o cheiro da palavra
impregnado nos jornais e nos homens
(até então burgueses e sadios)
há que se comer o verme
com o merecido nojo.
gosma na garganta, ânsia
e adorar o verme
como solução possível
pra que eu não viva sempre
(e não me torne estéril)
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