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Desde o título, esse livro, que releio agora, cinco anos depois, se mostra polêmico e muito instigante. Se tem uma ideia que dificilmente questionamos é o caráter pretensamente universal, sublime e superior daquilo que é considerado arte em nossa sociedade. Mesmo as pessoas que não se identificam com ela, aprendem a reconhecê-la como uma manifestação elevada à qual somento pessoas de espírito superior têm acesso. Dominar seu conhecimento, possuir a sensibilidade para contemplá-la é coisa para poucos.
O autor busca desconstruir o quase consenso que paira sobre o assunto, ao demonstrar que essa noção (do que é ou não é arte) se desenvolve historicamente, em condições sociais específicas e é mascarada através de um discurso que defende a universalidade e a plenitude da arte enquanto realização do ser humano. Em suas palavras: "[a arte] não passa de uma grande farsa, um jogo de cena das classes dominantes para vender seu estilo de vida como algo superior e elevado". Ou seja, há um direcionamento ideologico de um grupo de pessoas auto-interessadas, que confere tal classificação as suas próprias preferências e a usa como um símbolo distintivo de classe. Convencem, através de uma suposta legitimidade auto-conferida, que falam em nome da humanidade que isso e não aquilo é arte e que portanto é algo a ser apreciado e valorizado como tal. Assim, até mesmo aqueles que criticam a ideologia burguesa de alguma forma acabam endossando sua visão.
O autor busca desconstruir o quase consenso que paira sobre o assunto, ao demonstrar que essa noção (do que é ou não é arte) se desenvolve historicamente, em condições sociais específicas e é mascarada através de um discurso que defende a universalidade e a plenitude da arte enquanto realização do ser humano. Em suas palavras: "[a arte] não passa de uma grande farsa, um jogo de cena das classes dominantes para vender seu estilo de vida como algo superior e elevado". Ou seja, há um direcionamento ideologico de um grupo de pessoas auto-interessadas, que confere tal classificação as suas próprias preferências e a usa como um símbolo distintivo de classe. Convencem, através de uma suposta legitimidade auto-conferida, que falam em nome da humanidade que isso e não aquilo é arte e que portanto é algo a ser apreciado e valorizado como tal. Assim, até mesmo aqueles que criticam a ideologia burguesa de alguma forma acabam endossando sua visão.
Não posso deixar de concordar que a "alta cultura" só é superior de maneira muito artificial e questionável e é usada para menosprezar as práticas e preferências do restante da população. Somos bombardeados o tempo inteiro e de maneira quase imperceptível sobre o que tem qualidade e o que é porcaria no âmbito da cultura. E a própria massa, de maneira geral, apesar de não se sentir atraída pelo hábito culturais da elite, aceita e dissemina essa noção dando a ela um tratamento respeitoso e reverente, como "coisa de gente culta". Escritores, pintores, compositores são manipulados como símbolo de distinção de classe.
O autor propõe, a partir dessa desmistificação, uma "ofensiva popular", que negue qualquer traço de superioridade do mundo da arte, não apenas por ser falsa, mas "porque é parte integral da opressão social infligida à maioria das pessoas". (p. 32)


