quinta-feira, 20 de março de 2014

conservadores lunáticos e a saudade da ditadura

Sou um profundo defensor do direito que as pessoas têm em serem imbecis, em acreditarem e propagarem qualquer tipo de ideia estapafúrdia. Qualquer um tem o direito de jogar seu respeito e credibilidade intelectual no lixo. Mas tem alguns momentos que não dá pra simplesmente deixar passar, como se não fosse nada.

Ultimamente leio aqui e ali umas aberrações defendendo a volta da ditadura militar, como uma solução mágica e infantil de nossos problemas enquanto sociedade. Nós, seres humanos, somo assim, aguardamos ansiosamente uma solução mágica, um herói que nos livrará de todo o mal, colocar ordem na casa, uma figura paterna severa, que tomará para si a tarefa de educar seus filhos e tomar todas as decisões por eles. Pode reparar, esses "amantes da ditadura" não pedem por mais poder de decisão para si e para os outros, não pedem mais eficiência das instituições democráticas. Elas querem é que um ente superior resolva todos os seus problemas através da concentração do poder. Querem continuar confortavelmente na sua alienação mediocre de quem não tem nenhuma responsabilidade".

Isso é irreal. Dá pena de quem pensa assim. Não existe ditadura boa, todas elas são ruins porque não aceitam questionamento, oposição, não se curvam a nenhum poder superior a elas. Confiar somente nas boas intenções dos detentores desse poder centralizado é arriscado demais. E isso aconteceu na na nossa ditadura militar. Setores da sociedade e da imprensa, que a principio regojizaram pelo golpe foram pouco a pouco sentido o baque, foram percebendo que liberdades e direitos garantidos pelo Estado são importantes e fazem falta quando perdemos. Bem ou mal neste país, estamos tentando fazer com que o poder político soberano respeite a lei, que é feita pelos legisladores, que são eleitos pelo povo. Ok, esse modelo funciona muito mal, está cheio de vícios. Mas ainda assim é melhor do que alguém que use da força e da coação como preferir.

Os governos militares a partir de 1964 foram tão ou mais corruptos do que os pós-reabertura. Muita gente enriqueceu ilicitamente, a máquina estatal era aparelhada e servia aos interesses do governo, decisões políticas e econômicas desastrosas foram tomadas, não havia quase nenhum respeito às "regras do jogo". A oposição servia de enfeite. Pior, perseguia-se, matava-se opositores políticos, censurava-se a imprensa. Como que alguém, em são consciência consegue concluir que uma situação dessas é melhor do que a que temos hoje (e a que podemos alcançar amannhã)? Foi um regime imoral, medonho, indefensável sobre todos os ângulos.

Fala-se tanto do "mensalão", como um exemplo de falência das instituições, mas vocês acham que se fosse numa ditadura, tal esquema de corrupção teria sido denunciado? Investigado? Julgado? Ou que algum agente público teria sido condenados? Podemos discordar de muitas coisas sobre o processo, podemos amar ou odiar os réus e os "PTralhas", mas não podemos negar que esse julgamento foi histórico, impossível de ter acontecido no tempo passados. E, repito, pode ter certeza que muita coisa pior acontecia naquela época.

Chego a conclusão que, de maneira geral, esses saudosistas da ditadura não sabem o que estão falando. Assistem o Datena e leem a Veja e têm alguns rompantes reacionários e autoritários. Concluem em suas cabecinhas quase ocas que está tudo uma porcaria e que a solução é acabar de uma vez com nossa frágil democracia. Não, não é.

Sim, ela é corrupta, ela funciona mal, é fisiologista, corporativista, demagógica, mas ainda assim é a nossa pouca garantia que as coisas não possam ser ainda piores. Pelo menos eu sei que posso falar mal e discordar do governo, eu sei que bem ou mal há uma oposição lá no congresso fiscalizando o governo, sei que tenho alguns direitos fundamentais que ninguém pode me tirar e que justamente por serem violados todos os dias é que temos lutar cada vez mais por eles. 

Sério, vão por mim, é mais seguro e garantido viver numa sociedade na qual o Estado não tenha o poder de te ameaçar, entrar na sua casa a qualquer hora do dia, te torturar para conseguir informação, ou te matar e dizer que você se suicidou. É melhor quando a gente sabe, através de umas letrinhas escritas no papel (também chamadas de lei) exatamente quais são nossos deveres e nossos direitos e que os representantes do Estado também tem que seguir aquelas letrinhas. A ditadura que enrabar o outro pode muito bem acabar enrabando você...

Sinto que estamos perdendo um tempo enorme tratando fantasiosamente de coisas absurdas, como se fossem as coisas mais naturais do mundo. Sinto que eu estou perdendo meu tempo com lunáticos. Faça um favor para você mesmo pueril e delirante adorador de ditaduras, mantenha-se calado e evite que as pessoas saibam o tamanho da sua imbecilidade.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Então, adeus...

Gostava quando você tossia. Alguma coisa em mim se animava ao ouvir aquele "cof, cof" (na falta de onomatopéia melhor...). Era você de volta. Era eu me apegando a qualquer coisa passada que me trouxesse um pouco de comforto. Um gesto tão inequivocamente seu, que eu sentia que você estava de volta. A mesma tosse que há muito tempo atrás vinha da cozinha e eu ouvia deitado no sofá da sala. A leveza por saber que você estava lá e que tudo estava bem. Nós sempre estamos nos gestos mais despretensiosos e corriqueiros: um jeito de apertar os lábios ou de ajeitar os óculos, de rir fechando os olhos, de andar devagar.

Às vezes me lembro... Uma lembrança débil, nebulosa, confusa, que se esforça pra se fazer presente. Me assusto com o fato de que cada vez menos consigo me lembrar de como era antes, lá atrás. Sinto dificuldade em aceitar que você não é mais e que, com isso, eu também sou menos. Porque a gente nunca é só a "gente" mesmo. Eu sou também o que os outros fazem de mim. E eu gostava tanto do que você me fazia ser... 

Aí eu percebo que viver é sempre pela última vez. Percebe? Sou eu me fazendo e desfazendo continuamente. Às vezes na porrada! E sempre que eu ia embora e voltava você me jogava essa verdade inconveniente na cara. Ao não me chamar pelo nome, ao não me olhar nos olhos, ao não fazer o que você sempre fez, você negava um pouco a minha própria existência. Por isso era importante reconhecer e me apegar àquele seu pequeno gesto. Era eu sabendo que, afinal não estava perdido por completo. E eu pensava em você e no resto das coisas e de alguma forma percebia que é sempre pela última vez. No fundo eu sabia que partir é só uma questão de quando e que não me seria permitido ensaiar despedidas. Se assoprarmos a camada de rotina e fixidez que nos cobre e nos acalenta podemos perceber que é sim, sempre sobre adeus.
Então, adeus.

sexta-feira, 7 de março de 2014

não te canto,
não te conto
verdade inteira,

toda encanto
etérea, terrena

nem te corto
ou te escondo
na tristeza da tinta
que turva e teima
(traição suprema!)

posto que a vibração
da sua presença
entorpece já
meu desatino
gotejado túmido
em tantas folhas

não te canto
toda, em cantos
tímidos, escondidos
na existência incerta
que compartilhamos,

seres que se tocam
e se repelem,
forças que se inflamam
e tentam a busca
do último retiro

(...sou torto,
não sei dançar
teu tango)

sábado, 1 de março de 2014

quatro tentativas perdidas (e recuperadas por uma garota insolente)

I. "Me vi mil vezes saindo por aquela porta...
Por força da inércia acabei ficando, mas minha alma saiu e me fez mais ausente do que qualquer um lá fora".

II. "Quis dizer tudo o que há muito já estava em minha cabeça. Pensamentos revolucionários, megalomaníacos, ousados
Grandes demais para uma vida 
(ou duas)
Calei-me
(Talvez a grande rebeldia seja se calar)"

III."Faço tudo que de mais previsível e explícito poderia fazer. E me suponho como dono de uma discrição sem igual. Afinal, você sabe tudo o que eu penso e que digo sim ao dizer não e usa isso contra mim.
Ou não!"

IV. "Uma folha em branco e te faço tão branca como a folha.
Tão folha quanto linda
Tão minha...
Bola de papel que vai p/ o lixo."


...: Não foi. 
     Nunca folha em branco.



(Lá de 2007)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

breve consideração sobre um parágrafo...

"(...) o homem contemporâneo, estimulado por uma série de cirscunstâncias, deu grande relevo às necessidades e aos interesses de natureza econômica, obtendo-se um extraordinário crescimento nessa área, praticamente em todo mundo. Entretanto, para obtenção desse resultado, vêm sendo deixado para trás setores inteiros da sociedade, constatando-se, então, que o crescimento, que é apenas o aumento das quantidades, não é acompanhado por um desenvolvimento, que exige melhoria qualitativa. Em outras palavras, esse inegável crescimento econômico não é o produto da utilização adequada dos recursos sociais, no sentido de atendimento do bem comum, revelando-se, portanto, absolutamente inútil e, às vezes, até  prejudicial para esse fim"

(DALARI, Dalmo de Abreu; Elementos de Teoria Geral do Estado, p. 16. Ed. Saraiva)
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Sempre me causou certa estranheza e descontentamento esse tipo de ideologia e esse modo de governar voltado basicamente para o crescimento econômico, se limitando a melhorar a todo o custo os indicadores (aumentar o PIB, reduzir o desemprego, exportar mais, alcançar metas de superávit...) como se o nosso objetivo enquanto nação e sociedade fosse basicamente produzir mais e consumir mais, num ciclo eterno, um fim em si mesmo que se cala sobre tantas outras questões que deveriam ser colocadas na pauta. Esquecemos de nos perguntar por quê, pra quê e até que ponto desejamos essa maior circulação de riquezas.
Não que deixe de ser importante que o país mantenha-se economicamente saudável (e aqui me abstenho de entrar no mérito sobre o que exatamente seria isso), mas Dalari toca no ponto quando questiona se, no final das contas, essa corrida cega e irracional não acaba por colocar em segundo plano outros objetivos sociais que também deveriam ser considerados essenciais. Por exemplo o direito a um meio ambiente saudável, que tem sido desde sempre ignorado por uma lógica que persegue o crecimento econômico doe a quem doer (e a gente sabe em quem doi...). A maioria de nós, brasileiros, vivemos em cidades hostis, violentas, poluídas e que de maneira geral não nos dá qualidade de vida.
Não sei (e não sabemos) exatamente o que é esse tal de "bem comum", mas se ele envolve minimamente as diversas aspirações dos seres humanos, devemos logo de saída nos questionar sobre a necessidade de repensar e reinventar nossas metas e estratégias enquanto sociedade.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Algumas linhas sobre "Beleza e Tristeza"

Não sei ao certo por que escrever sobre esse livro. Não foi o melhor que li na minha vida, talvez nem mesmo no ano (e estamos apenas no segundo mês!).

Arrisco dizer que há nele algo de marcante que eu não havia encontrado antes em nenhum outro, uma força intrínseca que é de fato ao mesmo tempo bela e triste. Sei, isso é demasiadamente vago. Terei condições de me explicar melhor?

Não quero falar muito sobre o enredo em si. Mas adianto que o cerne é um doloroso caso de amor de um homem caso com uma jovem. Eles se afastam, mas as feridas permanecem indeléveis em cada um. Ninguém está totalmente imune aos acontecimento; é o que os une e os afasta e o que determina a maneira como eles se relacionam entre si e consigo mesmos. Como um fantasma que está sempre presente e do qual não se consegue escapar. Logo todos estão sufocados em sentimentos como remorso, amor, solidão, vingança, ciúmes... Presos ao passado o mundo se torna um lugar amargo e difícil. Há uma leve e permanente camada de melancolia sobre todos a trajetória deles. Não é possível ser feliz, deixar o passado para trás.

Mas é desse estado melancólico que surge a beleza aludida no título, sempre acompanhada de um certo amargor, mas ainda assim plena. Os protagonistas canalizaram a sua dor na arte. Ele, um famoso escritor, tem nos relatos de suas memórias sua obra-prima, ela uma talentosa pintora, encontra nas artes plásticas uma maneira de recomeçar sua vida. Ambos carregam esse pesado fardo de uma maneira digna, constrita, silenciosa. Aceitam a tragédia e a dor indissociável de suas trajetórias, não renegam, mas criam,  a partir delas, coisas belas. Não ha escapatória possível, os sentimentos que nutrem é o que os fazem ser quem são, é o que os impossibilita de ser feliz.

A própria maneira como a história se desenrola é sutil, contemplativa. Lenta e delicadamente o autor vai construindo uma rica pintura, em longas descrições das paisagens japonesas, de sua natureza e seus antigo templos, o que acabou me remetendo a delicadas pinturas de tons suaves. O movimento ambíguo dos personagens, seus diálogos, a forma ora frágil, ora pungente como interagem entre si e com o ambiente, tudo ali guarda uma grande beleza, que misturada à inescapável melancolia que permeia toda a história, acaba por causar no leitor uma sensação de deslumbramento e vazio.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

bobagens...

Falta alguma coisa
Quero carregar a vida na mala
Oras pois, quando viajo,
parto para nunca mais voltar.

Parte de mim vai embora
e outras simplesmente surgirão
A menina que vai não é o mesma que volta
Meu partir é transformação



- Eu, Bob e a bagunça. Muita bagunça
______________________
porque quando o silêncio é demais, a gente para pra ouvir ao redor...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

elíptico

pausa:

é como se eu sempre estivesse dois passos atrás de mim mesmo.
aturdido, limitado pela minha própria pseudo-sagacidade.
olho todos ao meu redor, tão sábios, seguros de si e do mundo. andam de peito estufado, exibindo insígnias invísiveis...
não falam nada, os cínicos!
eles sabem o que vem depois, sabem o que se passa agora... fico intrigado: "há aí alguma coisa!". não me contam, dissimulam, passam reto, piscam cúmplices uns aos outros e guardam o segredo para si.
 
não, da minha parte não há sagacidade nenhuma... fico distraído, olhar perdido em alguma parede branca. procuro em tudo uma possível revelação, o êxtase emocional que nunca chega a se cumprir.
há em mim um desejo pueril de redenção. o surgimento triunfal do herói para nos salvar.
"deve haver alguma coisa que ainda te emocione", diz a canção.
então eu espero o momento em que tudo finalmente se encaixe e faça sentido.
e nesse momento eu diria aliviado: "puxa, é isso. tão simples! cá estamos, no topo da roda gigante".
mas não, há sempre algo que me é inescrutável, inacessível...

algo que eu não sinto, não toco, não penso, não intuo e que talvez nem mesmo esteja aqui
(ou lá, ou em qualquer lugar).

eu tento me enturmar. digo que sei o que eles sabem, finjo que vejo a nova roupa do rei.
eles sabem que eu não sei... e posso jurar que riem pelas minhas costas. "como pode, coitadinho".


fico assim, com esse fiapo de carne (entre o primeiro e o segundo molar) que o fio dental não tira.
mas como incomoda!




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cinema em 2013

Com certeza não vi tudo o que queria no cinema no ano que passou. Muitas vezes falta tempo, dinheiro ou disposição. Mas enfim, daquilo que eu vi acho que os seguintes merecem ser relembrados:

Django Livre  - Inevitável que este estivesse aqui.  Aguardava com curiosidade esse novo filme do Tarantino, dessa vez com uma temática western que me atrai bastante. A parceria entre o caçador de recompensas e o escravo Django deixa a história bem interessante, assim como sua posterior jornada para enfrentar um poderoso aristocrata e libertar sua esposa, carregada de tensão e claro, muita violência e litros de sangue.

No - O Gael Garcia Bernal é um puta ator e a história é contada de forma muito interessante. Baseado em fatos reais, passa-se no Chile, na época da ditadura militar e mostra os esforços da oposição em defender e propagar seu posicionamento político no momento em que o governo é pressionado a propor um referendo sobre a permanência ou não do Pinochet no poder. Gostei muito do enfoque dado ao marketing como arma política num país controlado.

Anna Karênina - Uma história grandiosa, contada de forma exuberante. Essa versão tem umas ousadias estéticas que me agradaram, como sugerir em alguns momentos pedaços de um palco, como se a cena se passasse no teatro. Gostei muito da direção de arte e da atuação da Keira Keithley e do Jude Law.

Hannah Arendt - Filme lento, de ideias. Mostra uma mulher brilhante e intensa, num dos episódios que marcaram sua vida intelectual, quando de maneira polêmica e corajosa analisa o julgamento de um ex-oficial nazista (Eichmann). Na contramão das opiniões da época questiona a pretensa "monstruosidade" que queriam atribuir a ele, bem como a resposabilidade dos líderes judeus na forma como conduziram as decisões relativas a seu povo na época do holocausto. Enquanto filme não é nenhuma maravilha, mas me interessou muito por me aproximar ainda mais da admirável pensadora que foi Arendt.

Pedalando com Molière - Dois atores se encontram para fazer leituras dramáticas de "O Misantropo". Um deles, ator famoso, tenta convencer o outro, um recluso, afastado há anos dos palcos, a encenar essa peça. O tema da misantropia (desgosto pela sociabilidade, ódio pela humanidade) vem à tona e é trabalhado no filme (pr'além da peça) de forma muito instigante, principalmente na relação de amizade e de rivalidade que eles nutrem um pelo outro.

Gravidade - Gostei muito do foco da história, que é a sobrevivência quase como instinto. Não há atos de heroísmo e nem grandes peripécias e o ser humano é colocado como totalmente vunerável, exposto à força avassaladora da natureza, o que causa uma constante aflição. A protagonista tem muito medo e pouca coisa a fazer para se salvar, devendo inclusive vencer suas barreiras psicológicas. O final é inspirador e emocionante, tanto como desfecho quanto como metáfora sobre o (re)nascimento. O filme visualmente é lindo, com o espaço sendo retratado de maneira grandiosa.

Vovô sem Vergonha - Com Johnny Knoxville (aquele do Jackass) no papel de um avô que viaja o país para levar o neto para morar com o pai, é para quem gosta de filmes tipo Borat, em que as cenas são gravadas sem que as pessoas que participam saibam, sendo surpreendidas com as situações mais inusitadas e absurdas pelos atores. Recheado estupidez e escatologias variadas, me fez sair do cinema com o rosto doendo de tanto rir. O molequinho que faz o papel do neto é um sarro e a última cena dele é a melhor do filme.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014


"Doze meses e lá se vai um ano". De novo! Me impressiono fácil com essas coisas... fico a pensar no que foi e no que será. Não que eu tenha muito controle sobre tudo, claro. Se ouso pensar que tenho, logo vêm uma força estranha (destino, acaso, deus?) me mostrar o quanto estou suscetível. Me colocam sentado na primeira fileira e encenam minha vida com um roteiro escrito de improviso. Mas no final das contas pode até ser boa essa sensação de fragilidade, ser um barquinho à deriva nesse marzão aberto e - por que não? - aproveitar os minutos antes do naufrágio ao som de Cartola ou Nelson Cavaquinho. Acho que os 365 dias que chamamos de 2013 foram importantes pra perceber isso. 

Perceber também o tempo acumulado, em forma de "datas e nomes", pessoas, experiências, lembranças que passarão a dormir e acordar comigo. Se espalharão pelos cantos da casa e me acompanharão quando sair. Isso me assusta e me acalma, me torna exatamente aquilo que sou. Não que seja algo a ser orgulhar, poderia ser outro (infinitas possiblidades), mas o pouco que sei é deste aqui, homem banal, que por mais que esconda tem esperanças para os próximos 12 meses e remói saudoso todos os outros que passaram.

E que a contagem regressiva continue enquanto eu finjo que sei o que estou fazendo! Afinal, "quem sabe de mim é meu violão".